Abu Bakr al-Baghdadi
Ibrahim Awwad Ibrahim Ali al-Badri al-Samarrai, conhecido anteriormente como Dr. Ibrahim e Abu Dua, comumente conhecido pelo nome de guerra Abu Bakr al-Baghdadi, e que tentava se afirmar como um descendente do Profeta Maomé, mais recentemente como Abu Bakr Al-Baghdadi Al-Husayni Al-Qurashi e até recentemente, antes de sua morte, como Miralmuminim Califa Abrahim, foi um terrorista iraquiano e autointitulado Califa — chefe de estado e monarca absoluto teocrático — da organização fundamentalista chamada Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que atua primordialmente no oeste do Iraque e nordeste da Síria. Sob seu comando, esse grupo iniciou uma enorme expansão militar na região do Oriente Médio, vindo a influenciar outros grupos extremistas pelo mundo. Seus comandados foram acusados de cometerem diversas atrocidades, como assassinatos em massa, torturas, estupros e saques.
Imagem: Abode of Chaos · BY · Openverse
Acredita-se que Al-Baghdadi teria nascido em Samarra, no Iraque, em 1971. Os relatórios sugerem que ele era um imame no momento da invasão do Iraque em 2003, liderada pelos Estados Unidos. Ele tinha um bacharelado em estudos islâmicos pela Universidade Islâmica de Bagdá e conseguiu um mestrado e um PhD em estudos do alcorão, em 1999 e 2007, respectivamente.
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Após a invasão do Iraque pelos EUA em 2003, al-Baghdadi supostamente levou vários grupos militantes menores, antes de ser promovido a ter um lugar no assento do Conselho Mujahideen Shura e no conselho judicial do Estado Islâmico do Iraque. De acordo com os registos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, al-Baghdadi foi mantido em Camp Bucca como um "interno civil" pelo exército dos Estados Unidos no Iraque, onde permaneceu por 10 meses, desde o início de fevereiro 2004. Uma "Revisão Combinada e Conselho de Libertação" recomendou a libertação incondicional de al-Baghdadi, embora não haja registo de ela ter ocorrido em qualquer outro momento.
Como líder do Estado Islâmico do Iraque
O Estado Islâmico do Iraque era uma organização fundamentalista islâmica, que representava a al-Qaeda em território iraquiano. Al-Baghdadi foi anunciado como líder do grupo em 16 de maio de 2010, após a morte de seu antecessor, Abu Omar al-Baghdadi em uma operação no mês anterior. Como líder da al-Qaeda no Iraque, al-Baghdadi foi responsável pela gestão e pela direção de operações em grande escala, como o ataque à Mesquita de Umm al-Qura, em Bagdá, em 28 de agosto de 2011, que matou o deputado proeminente sunita Khalid al-Fahdawi. Entre março e abril de 2011, a Estado Islâmico reivindicou vinte e três ataques ao sul de Bagdá, os quais foram alegadamente associados ao comando de al-Baghdadi.
Como líder do Estado Islâmico do Iraque e do Levante
Al-Baghdadi permaneceu como líder do Estado Islâmico do Iraque até sua expansão formal sobre a Síria em 2013, quando em um comunicado em 8 de abril de 2013, ele anunciou a formação do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) - alternativamente traduzido do árabe como o Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS, ou ISIS em inglês). Como líder do EIIL, al-Baghdadi encarregou-se de executar todas as atividades do grupo no Iraque e na Síria. Ao anunciar a formação do Estado Islâmico, al-Baghdadi afirmou que a facção jihadista da Guerra Civil Síria, Jabhat al-Nusra - também conhecida como Frente Al-Nusra - tinha sido uma extensão do EIIL na Síria e estava agora mesclada. O líder da Frente al-Nusra, Abu Mohammad al-Jawlani, negou esta fusão dos dois grupos e apelou ao emir Ayman al-Zawahiri da al-Qaeda que emitiu uma declaração ao qual o Estado Islâmico deveria ser abolido e que al-Baghdadi devia limitar as atividades do seu grupo para o Iraque. Al-Baghdadi, no entanto, descartou a decisão de al-Zawahiri e assumiu o controle de um número relatado de 80% dos combatentes estrangeiros da Jabhat al-Nusra. Em janeiro de 2014, o EIIL expulsou a Frente al-Nusra da cidade síria de Raqqa, e nos mesmos confrontos de meses, entre as duas facções na Síria, matou centenas de combatentes e desalojou dezenas de milhares de civis. Em fevereiro de 2014, al-Qaeda desmentiu ter quaisquer relações com o EIIL.
Califa do Estado Islâmico
Em 29 de junho de 2014, o EIIL anunciou a criação de um califado e al-Baghdadi foi nomeado o seu califa, a ser conhecido como califa Ibrahim, e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante foi rebatizado como simplesmente "Estado Islâmico" (EI). A declaração deste califado foi fortemente criticada por governos do Oriente Médio, por outros grupos jihadistas, e por teólogos e historiadores sunitas. Yusuf al-Qaradawi, um proeminente estudioso, que mora no Qatar, declarou: "[A] declaração emitida pelo Estado Islâmico é nula sob a sharia e tem consequências perigosas para os sunitas no Iraque e para a revolta na Síria", acrescentando que o título de califa "só pode ser conferido por toda a nação muçulmana", e não por um único grupo.
Entre 2016 e 2018, a morte de al-Baghdadi foi anunciada várias vezes e rumores circularam pela imprensa mundial sobre seu óbito em diversos momentos, apenas para serem desmentidos logo em seguida. No dia 26 de outubro de 2019, informações começaram a circular que Abu Bakr al-Baghdadi teria sido morto numa operação militar, perto da vila de Barisha, no distrito de Idlib, no noroeste da Síria. No dia seguinte, o governo dos Estados Unidos confirmou a informação, com o presidente Donald Trump afirmando que tropas especiais americanas, após uma longa investigação, conduziram uma operação que resultou na morte do líder do Estado Islâmico. Nenhum militar norte-americano teria sido morto na batalha, mas duas crianças (que segundo informações seriam seus filhos) teriam perdido a vida quando al-Baghdadi detonou um cinturão de explosivos que carregava consigo. Em 31 de outubro, quatro dias após a confirmação da morte de al-Baghdadi, o Estado Islâmico confirmou a morte do seu líder e anunciou seu sucessor, um homem chamado Abu Ibrahim al Hashimi al-Qurayshi.


