Abu Alfadle Baiaqui
Abu Alfadle Maomé ibne Huceine Baiaqui, melhor conhecido só como Abu Alfadle Baiaqui, foi um secretário, historiador e autor persa. Educado no centro cultural de Nixapur e empregado na corte do sultão gasnévida Mamude (r. 999–1030), era um homem muito culto, cuja magnum opus - a História de Baiaqui, é vista como a fonte mais confiável de informações válidas sobre o Era Gasnévida, que foi escrita numa prosa persa requintada e viva que se tornaria um modelo ideal para várias eras. Baiaqui é elogiado pelos estudiosos modernos por sua franqueza, precisão e estilo elegante em seu livro, que gastou 22 anos para escrever, terminando-o em trinta volumes, dos quais apenas cinco volumes e metade do sexto existem hoje. Julie Scott Meisami coloca Baiaqui entre os historiadores da Idade de Ouro Islâmica.
Primeiros anos
Baiaqui nasceu na aldeia de Haretabade em Baiaque, na província do Coração, então sob o governo do declinante Império Samânida; em 998, o emir gasnévida Mamude (r. 998–1030) declarou independência dos samânidas e, então, dividiu o Império Samânida com o Canato Caracânida, encerrando a dinastia samânida. Em sua juventude, Baiaqui estudou no principal centro cultural de Nixapur e, mais tarde, em 1020/1, ingressou no secretariado (divã e reçalate) de Mamude, onde trabalhou como assistente e aluno do secretário-chefe Abu Nácer Muscã por 19 anos. Após a morte de Muscã em 1039/40, Maçude I (r. 1030–1040) nomeou Baiaqui como ministro de Abu Sal Zauzani, que sucedera Muscã como secretário-chefe do império. Muscã insistiu substancialmente com o sultão para que Baiaqui fosse seu sucessor, e o vizir persa Amade de Xiraz também elogiou-o por seus serviços ao sultão. Baiaqui (que tinha então 46 anos) foi supostamente informado por Maçude que era muito jovem para ser nomeado o novo secretário-chefe.
Carreira tardia
Zauzani não era tão hábil na gestão do secretariado como seu antecessor, e seus métodos eram completamente diferentes. Além disso, Baiaqui foi muitas vezes vítima de seu mau humor, o que fez com que este último enviasse uma carta secreta de renúncia de sua responsabilidade ao sultão, que, no entanto, encorajou-o a continuar servindo em seu posto, enquanto ordenava a seu vizir que informasse a Zauzani que devia se comportar adequadamente em relação a Baiaqui na secretaria. Isso ele fez, no entanto; Maçude morreu pouco depois, sendo abandonado por seu exército, após uma derrota desastrosa contra os turcos seljúcidas, que tomaram o Coração. A morte de Maçude fez com que Zauzani retomasse seu tratamento ruim. Baiaqui experimentou vários problemas após a morte de Maçude, provavelmente em parte devido às suas próprias falhas, que ele mesmo muitas vezes reconhece.
História de Baiaqui e morte
De acordo com ibne Funduque, Baiaqui serviu como secretário de Farruquezade e no final do reinado deste se retirou da vida burocrática e se estabeleceu em Gásni, onde começou a escrever a História de Baiaqui (Tarikh-i Bayhaqi). No entanto, a julgar pelos poucos comentários de Baiaqui em seu livro sobre o reinado de Farruquezade, parece que não esteve ativo na corte. Na verdade, evidentemente relata que durante aqueles anos se ocupou em escrever sua história. De acordo com o Aḵbār ad-dawla al-saljūqīya (Crônicas do Estado Seljúcida), Baiaqui formulou o tratado de paz entre seljúcidas e gasnévidas em 1058. Portanto, pode ter sido chamado de volta ao trabalho depois de sua desonra e prisão durante o governo de Abde Arraxide. De qualquer forma, as informações do Tarikh-i Bayhaqi evidentemente mostram que em sua velhice, até sua morte em 1077, havia se comprometido totalmente com a escrita do livro.


