Selena
Selena Quintanilla Perez foi uma cantora, dançarina, estilista e empresária norte-americana. Referida como a "Rainha da Música Tejana", suas contribuições para a música e a moda a tornaram uma das personalidades mexicano-americanas mais celebradas de todos os tempos. Em 2020, a revista Billboard a posicionou no terceiro posto de sua lista dos "Maiores Artistas Latinos de Todos os Tempos", com base em vendas de álbuns e posições nas paradas de música latina. Os meios de comunicação anglófonos se referiram a ela como a "Madonna do Tejano" por suas escolhas de roupas e presença de palco. Ela também está entre as artistas latinas mais influentes de todos os tempos e é creditada por catapultar o gênero tejano para o mercado mainstream.
1971–88: Início da vida e da carreira
Selena Quintanilla nasceu em 16 de abril de 1971, na cidade de Lake Jackson, no estado do Texas. Ela era a filha mais nova da dona de casa Marcella Ofelia Quintanilla (nascida Samora), que era mexicano-americana com alguma ascendência cheroquis, e Abraham Quintanilla Jr., um empresário e ex-músico mexicano-americano. O obstetra-ginecologista que realizou seu nascimento foi Ron Paul, futuro membro da Câmara dos Representantes. Os bisavós paternos de Selena eram mexicanos e a artista cresceu falando inglês. Embora tenha ficado conhecida por gravar músicas em espanhol, Selena inicialmente não dominava o idioma e o aprendia foneticamente com as letras das canções, sob a ajuda de seu pai. Posteriormente, passou a ter aulas de espanhol para aprimorar seu domínio da língua. Selena foi criada como Testemunha de Jeová.
1990–91: Selena e Ven Conmigo
José Behar, da recém-formada gravadora EMI Latin Records, junto com o novo chefe da Sony Music Latin, assistiram à apresentação de Selena nos Tejano Music Awards de 1989. Behar estava procurando por novos artistas latinos e queria assinar com a cantora pela gravadora Capitol Records, da EMI, enquanto a Sony Music Latin ofereceu a Quintanilla Jr. o dobro da taxa de assinatura da Capitol. Behar pensou ter descoberto a "próxima Gloria Estefan", mas seu superior considerou isso ilógico, uma vez que ele estava no sul do Texas há menos de uma semana. O pai da artista escolheu a oferta da EMI Latin; primeiro por causa do potencial para um futuro projeto crossover e, segundo, porque queria que seus filhos fossem os primeiros músicos a assinar com a gravadora. Antes de Selena começar a gravar seu álbum de estreia, Behar e Stephen Finfer a solicitaram um álbum em inglês. Ela gravou três composições nesse idioma para serem analisadas pelos chefes do departamento pop da EMI. O pedido de Behar e Finfer para um álbum crossover foi negado e a artista foi informada de que para vender tal projeto precisaria primeiro conquistar uma maior base de fãs hispânicos. Behar achava que a EMI Records e o público não acreditavam que uma mulher mexicana-americana pudesse ter um crossover de sucesso e por isso Charles Koppelman descartou o disco.
1992–93: Entre a Mi Mundo
A irmã de Selena, Suzette, afirmou ter flagrado-a flertando com Pérez e imediatamente informou seu pai.[b] Quintanilla Jr. tirou o músico do ônibus e o disse que o relacionamento dele com sua filha havia acabado. Selena e Pérez continuaram seu relacionamento apesar da desaprovação do patriarca; embora a mãe da cantora, Marcella, aprovasse a relação. Quintanilla Jr. viu o casal trocando carícias no ônibus de turnê da banda, mesmo depois de os informar de sua desaprovação; ele os abordou e iniciou uma discussão com ambos. O patriarca chamou Pérez de "câncer na minha família" e ameaçou dissolver o grupo se eles continuassem a se encontrar. O casal aparentemente acatou; Quintanilla Jr. demitiu o músico da banda e impediu Selena de se encontrar com ele. Embora continuassem secretamente se relacionando. Na manhã de 2 de abril de 1992, o casal fugiu, acreditando que Quintanilla Jr. nunca aprovaria a relação. Selena pensou que seu pai só os aceitariam se fossem casados e, assim, não teriam mais que esconder seus sentimentos um pelo outro. Poucas horas após o casamento, a mídia anunciou a fuga do casal.
1994–95: boutiques Selena Etc. e Amor Prohibido
Selena lançou seu quarto álbum de estúdio, Amor Prohibido, em março de 1994. A gravação estreou em terceiro lugar na parada Billboard Top Latin Albums e em primeiro na Billboard Regional Mexican Albums. Depois de atingir o primeiro lugar no Top Latin Albums, o álbum permaneceu entre os cinco primeiros pelo resto do ano e no início de 1995. Amor Prohibido se tornou o segundo álbum tejano a concluir um ano com vendas superiores a 500 mil cópias, o que antes só havia sido alcançado por La Mafia. Tornou-se um dos discos latinos mais vendidos de todos os tempos nos Estados Unidos. Listou-se entre os álbuns mais comprados nos EUA em 1995, e foi certificado 36x platina pela RIAA por vendas de 2 milhões de 16 mil unidades equivalentes no total.
A família Quintanilla nomeou Yolanda Saldívar como gerente das boutiques de Selena no início de 1994. Após o acordo, Saldívar mudou-se de San Antonio para Corpus Christi para ficar mais perto da artista. Em dezembro de 1994, as boutiques começaram a sofrer depois que o número de funcionários de ambas as lojas diminuiu. De acordo com eles, Saldívar frequentemente demitia qualquer um de que não gostasse, sem qualquer justificativa plausível. Os funcionários das lojas reclamavam regularmente do comportamento dela para Selena, que rejeitou as alegações, acreditando que Saldívar não imporia negativamente decisões erráticas ao seu empreendimento de moda. De acordo com Quintanilla Jr., a equipe mais tarde voltou sua atenção para ela e começou a informar a cantora sobre o comportamento de Saldívar. Quintanilla Jr. levou as alegações a sério; ele disse a Selena para "ter cuidado" e disse que Saldívar poderia não ser confiável. A cantora rejeitou as dúvidas de seu pai porque ele frequentemente desconfiava das pessoas no passado. Em janeiro de 1995, o estilista de Selena, Martin Gomez, sua prima Debra Ramirez e clientes expressaram suas preocupações sobre o comportamento e as habilidades de gestão da então gerente. Durante uma entrevista com Saldívar em 1995, repórteres do The Dallas Morning News disseram que sua devoção a Selena beirava a obsessão.
Funeral
Em 1º de abril, o Bayfront Plaza em Corpus Christi realizou uma vigília que atraiu 3.000 fãs. Durante o evento, foi anunciado que uma exibição pública do caixão seria realizada no Auditório Bayfront no dia seguinte. Os fãs fizeram fila por quase 1,6 km. Uma hora antes das portas se abrirem, rumores de que o caixão estava vazio começaram a circular, o que levou a família Quintanilla a realizar uma exibição do caixão aberto. Cerca de 30.000 a 40.000 fãs passaram pelo caixão de Selena. Mais de 78.000 assinaram um livro de condolências. Coroas de flores foram importadas dos Países Baixos. A pedido da família da artista, vídeos e fotos com flash foram proibidos.
Impacto
O assassinato de Selena teve um impacto generalizado. As reações à sua morte foram comparadas às que se seguiram à dos músicos John Lennon e Elvis Presley e à do presidente dos EUA John F. Kennedy. As principais redes de televisão estadunidenses interromperam sua programação regular para noticiar o fato: Tom Brokaw se referiu a ela como "A Madonna Mexicana". Sua morte foi notícia de primeira página no The New York Times por dois dias. Muitas vigílias e memoriais foram realizados em sua homenagem, e estações de rádio no Texas tocaram sua música sem parar. Seu funeral atraiu 60 mil enlutados, muitos dos quais viajaram de fora dos Estados Unidos. A notícia atingiu a comunidade hispânica de forma extremamente dura. Muitos fãs viajaram milhares de quilômetros para ver a casa e as boutiques da artista, além do local do crime. No meio da tarde, a polícia foi solicitada a fazer um desvio porque uma fila de carros começou a congestionar o trânsito das casas dos Quintanillas. Entre as celebridades que contataram a família da artista para expressar suas condolências estavam Gloria Estefan, Celia Cruz, Julio Iglesias e Madonna. Uma edição da revista People foi lançada vários dias após seu assassinato. Os editores da publicação acreditavam que o interesse diminuiria com o passar dos dias. Eles lançaram uma edição comemorativa em uma semana, quando ficou claro que estava crescendo. A edição vendeu quase um milhão de cópias, vendendo toda a primeira e segunda tiragens em duas semanas. Tornou-se um item de colecionador, o primeiro na história da People. Betty Cortina, editora da revista, disse à Biography que eles nunca tiveram uma edição completamente esgotada; "era inédito". Nos meses seguintes, a empresa lançou a People en Español voltada para o mercado hispânico, devido ao sucesso da edição de Selena. Com isso, várias publicações direcionadas a esse público começaram a surgir; como a Newsweek en Espanol e a Latina.
Selena possuía um alcance vocal classificado como soprano. Durante sua vida, ela expressou sua gratidão e admiração por Gloria Estefan, a quem ela creditou por abrir as portas para artistas femininas de ascendência hispânica. Em uma entrevista ao programa El Show De Cristina, ela revelou o desejo de atingir o mesmo nível de sucesso que Estefan havia alcançado no mercado anglófono. Outras grandes influências de Selena incluem Janet Jackson, Mariah Carey, Whitney Houston, Madonna, Paula Abdul e Donna Summer. Em uma entrevista de abril de 1995, para a revista Billboard, Behar disse que via Selena como um "cruzamento entre Jackson e Houston em estilo, toque e alcance vocal". Embora Selena não tenha escrito a maioria de suas canções, ela gravou faixas do gênero R&B, pop latino, cumbia, além de seu gênero de assinatura; o tejano. Mario Tarradell, do The Dallas Morning News, disse que, durante sua carreira musical, a artista "funde o ritmo contagiante da cumbia tejano com R&B de rua, soul, reggae, dancehall, salsa escaldante e funk psicodélico e alucinante". Liricamente, de acordo com Charles Tatum, as gravações da cantora expressam "amor e dor, bem como força e paixão".
Quintanilla Jr. procurou manter a imagem pública de Selena limpa e voltada para a família. Em 1989, ela recebeu patrocínio de empresas de cerveja, mas seu pai recusou. A artista frequentemente tinha shows recusados em locais Tejano porque ela era uma cantora em uma cena musical dominada por homens. Manuel Peña escreveu que depois de 1989, a popularidade de Selena aumentou e ela se tornou um símbolo sexual após o lançamento de seu álbum de estreia. Charles Tatum atribuiu a aceitação da cantora na cena musical tejano a sua "beleza, sexualidade e impacto juvenil". Selena disse que nunca quis gravar músicas explícitas por causa de sua criação e porque sua base de fãs consistia principalmente de crianças, que a consideravam um modelo. Ela ainda comentou sobre a questão de seu apelo sexual aos homens durante sua tentativa de crossover, afirmando que ela "permanecerá a mesma" e que suas gravações em inglês se absteriam de linguagem chula e temas sexuais. Em seu livro sobre a morte da mesma, María Celeste Arrarás a descreveu como uma "garota doce e carismática". De acordo com a autora, a artista "confiava em todos"; ela frequentemente ia às compras sozinha, apesar das preocupações de seu pai sobre sua segurança. Betty Cortina, da revista People, analisou que a escolha de roupas provocativas por parte de Selena era uma emulação aceitável de Janet Jackson e Madonna, e que ela usava "roupas sensuais que [acentuavam] o corpo de uma mulher latina". A editora também afirmou que a artista tinha um "estilo extravagante, um corpo, curvas e bumbum inacreditáveis". Arrarás escreveu que Selena "começou a usar roupas projetadas para enfatizar sua figura curvilínea" e que ela "nunca pareceu vulgar - apenas sexy". Acrescentado também que o regime de maquiagem da cantora não era "exagerado ou apelativo". Arrarás adjetivou de "divertida e amorosa" a presença de palco de Selena e avaliou que ela era "brincalhona no palco e fora dele".
Selena foi creditada por ajudar a redefinir a música latina especificamente o tejano, a cumbia e o pop latino. Ela quebrou barreiras no mundo da música dessa região. É considerada "uma das cantoras mexicano-americanas mais relevantes" de todos os tempos. A revista People nomeou-a como uma das pessoas mais intrigantes do século XX. Kay Bailey Hutchison, senadora dos EUA, a descreveu como uma das "mulheres espirituosas que moldaram [os Estados Unidos]". A artista se tornou um dos "produtos culturais mais celebrados" da fronteira entre os Estados Unidos e México. É chamada de "Rainha da Música Tejana" e descrita como "a estrela Tejano mais importante e popular de todos os tempos". Sua morte foi "a perda mais devastadora" na história desse gênero, de acordo com Zach Quaintance do The Monitor. Na época de sua morte, a cantora se tornou uma das personalidades musicais mexicano-americanas mais conhecidas e a artista latina mais popular dos Estados Unidos. A devoção por ela entre os hispânicos soava "como um culto". Selena foi nomeada uma das artistas latinas mais influentes de todos os tempos e foi creditada por elevar um gênero musical regional ao mercado mainstream. O Latin Post chamou-a de "uma das artistas mais icônicas da história da música latino-americana", enquanto o The New York Times a reverenciou como, "indiscutivelmente, a musicista latina mais importante do país, a caminho de se tornar uma das mais importantes, no geral". O nome da cantora se tornou bastante popular nos Estados Unidos e no México após sua morte e parte da cultura pop de ambas às nações. Selena obteve mais popularidade após sua morte do que quando estava viva.
Homenagens
Nos meses seguintes à sua morte, várias homenagens foram feitas e erguidas. Inúmeras propostas foram feitas, como renomear ruas, parques públicos, produtos alimentícios e casas de espetáculo. Dois meses depois, uma homenagem foi realizada no Prêmio Lo Nuestro de 1995. O Prêmio Spirit of Hope foi criado em homenagem a artista em 1996; era concedido a artistas latinos que participaram de causas humanitárias e cívicas. Em 16 de março de 2011, o Serviço Postal dos Estados Unidos lançou o selo "Latin Legends" para homenagear alguns artistas latinos já falecidos, como Selena, Carlos Gardel, Tito Puente, Celia Cruz, e Carmen Miranda. Em fevereiro de 2014, Albany, jornalista do Times Union, a nomeou uma das "100 personalidades americanas mais legais da história". Em 1998, um museu em sua homenagem foi inaugurado.
Monumentos
Mirador de la Flor (em português: Mirante da Flor) é o monumento de bronze, em tamanho real da própria Selena, colocado as margens da baía de Corpus Christi, Texas, esculpido por H. W. "Buddy" Tatum e inaugurado em 1997. Cerca de 30 mil pessoas de todo o mundo o visitam todos os anos. Embora o monumento tenha permanecido como uma atração turística popular, a criação da estátua encontrou alguma resistência da comunidade local. Dusty Durrill, um filantropo local, financiou a construção da mesma com o apoio de líderes comunitários locais.


