Tupac Shakur
Tupac Amaru Shakur, também conhecido pelos nomes artísticos 2Pac e Makaveli, foi um rapper, compositor e ator norte-americano. É amplamente reconhecido como um dos artistas mais influentes da história do hip-hop e uma das figuras centrais do rap dos anos 1990, além de ser associado ao ativismo político em defesa da população negra dos Estados Unidos. Também escreveu poesia e atuou no cinema, estando entre os artistas musicais com maior volume de vendas de todos os tempos, com mais de 75 milhões de discos comercializados mundialmente. Seu conteúdo lírico frequentemente abordava injustiça social, questões políticas e a marginalização de afro-americanos, embora também esteja fortemente associada ao gangsta rap e a temáticas de violência.
Tupac Amaru Shakur nasceu em 16 de junho de 1971, no East Harlem em Manhattan, Nova Iorque. Sua mãe, Afeni Shakur, e seu pai, Billy Garland, eram membros ativos do Partido dos Panteras Negras em Nova Iorque no final dos anos 1960 e 1970; ele nasceu apenas um mês após a absolvição de sua mãe em mais de 150 processos de "conspiração" contra o governo dos Estados Unidos. Apesar de não ser confirmado pela família de Shakur, muitas fontes (inclusive o relatório do médico legista) mostram seu nome de nascimento como Lesane Parish Crooks. Este nome teria supostamente entrado em sua certidão de nascimento porque Afeni temia que seus inimigos pudessem atacar seu filho, e disfarçou sua verdadeira identidade usando um sobrenome diferente. Ela mudou isso depois de se separar de Garland e se casar com Mutulu Shakur. Seu padrinho, Geronimo Pratt, um membro importante dos Panteras Negras, foi condenado pelo assassinato de uma professora durante um assalto em 1968, apesar da sentença ter sido revogada mais tarde. Seu padrasto, Mutulu, passou quatro anos na lista dos dez mais procurados do FBI, de 1982 à 1986. Mutulu era em parte procurado por ajudar sua irmã Assata Shakur (também conhecida como Joanne Chesimard) a escapar de uma penitenciária em Nova Jérsia, onde estava presa por matar um policial em 1973. Mutulu foi pego em 1986 e preso pelo assalto de um caminhão blindado, onde dois policiais e um guarda foram mortos. Shakur tinha uma meia-irmã, Sekyiwa, dois anos mais nova do que ele, e um meio-irmão mais velho, Mopreme "Komani" Shakur, que se tornou rapper e apareceu em muitas das gravações de Pac.
Tupac estreou suas habilidades de rap na música "Same Song", do Digital Underground em 1991. No mesmo ano lançou seu álbum de estreia, 2Pacalypse Now. O álbum permaneceu oculto por alguns anos e não foi lançado nenhum top ten hit. Mais tarde, foi a vez de Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z. ser lançado, em 1993. Considerado seu primeiro álbum de sucesso, lançou dois hit singles, "I Get Around" com o Digital Underground e "Keep Ya Head Up". O álbum e os singles levaram disco de ouro ainda no final de 1993. Em março de 1995, enquanto estava cumprindo pena na prisão por agressão sexual, o terceiro álbum de Tupac, Me Against the World, foi lançado. O disco chegou direto ao primeiro lugar da Billboard 200, com 240 mil cópias vendidas na primeira semana, e também veio com o primeiro top ten hit do cantor, "Dear Mama", que chegou ao número nove da Billboard Hot 100. Em abril de 1995, 2Pacalypse Now já era disco de ouro e Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z. e Me Against the World eram platina, sendo que no final do ano Me Against the World era platina dupla e "Dear Mama" platina.
Na noite de 7 de setembro de 1996, Shakur foi assistir a uma luta de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon, no MGM Grand Las Vegas. Após deixar o evento, um dos associados a Suge, Orlando Anderson, um membro da Southside Crips, discutiu com o rapper na portaria do ginásio, e os dois se agrediram. Os aliados de Suge e Shakur assistiram à "luta", a qual foi filmada pelas câmeras de vigilância do local. Algumas semanas antes, Anderson e um grupo da Crips haviam roubado um membro da facção da Death Row, em uma loja Foot Locker, prevendo um ataque a Shakur. Após a briga, Tupac encontrou-se com Suge para ir a uma propriedade da Death Row. Então, entrou em um BMW E38 sedan, de propriedade de Suge. Às 22h55, quando parou em um sinal vermelho, Tupac abaixou o vidro e um fotógrafo tirou sua última foto em vida. Aproximadamente dez minutos depois, foram parados por policiais, pois estavam com o som muito alto e sem a placa de licença do carro. Então, Suge pegou as placas de dentro do porta-malas, e os dois foram liberados minutos depois sem serem multados. Por volta das 23h10, quando parou em um sinal vermelho no Flamingo Road, perto do cruzamento Koval Lane, em frente ao Hotel Maxim, um veículo ocupado por duas mulheres aproximou-se de Tupac, com o qual conversaram e convidaram para ir ao Clube 662. Cerca de cinco minutos depois, um Cadillac branco, modelo antigo, com um número de ocupantes desconhecido, se aproximou da BMW; o vidro da janela foi abaixado e foram disparados cerca de doze ou treze tiros contra Shakur. Foi atingido por quatro deles: um na cabeça, dois na virilha e um na mão. Uma das balas provavelmente ricocheteou no pulmão do rapper. Suge foi atingido na cabeça por estilhaços, mas acredita-se que a bala passou de raspão por ele.
Especulações sobre o assassinato
Devido em grande parte à falta de provas oficiais, muitas investigações e teorias relacionadas ao assassinato surgiram. Por causa da rivalidade entre ele e The Notorious B.I.G., houve desde o início especulações sobre a possibilidade da colaboração de Biggie no assassinato. Ele, assim como seus associados e sua família, negou veementemente a acusação. Em 2002, o jornalista Chuck Phillips, do Los Angeles Times, fraudulentamente alegou ter descoberto evidências envolvendo Biggie, além de Anderson e a Southside Crips no ataque. No artigo, Phillips citou fontes anônimas de um membro da gangue que alegou que Biggie tinha ligações com os Crips, muitas vezes contratando-os para a segurança durante as aparições na Costa Oeste. No entanto, em abril de 2008, o LA Times publicou um documento oficial da história contada por Phillips. As fontes que o jornalista utilizou foram descobertas por The Smoking Gun e eram completamente fraudadas, o que implicou na demissão do empregado menos de cinco meses depois. Posteriormente, Biggie foi assassinado em março de 1997.
A afro-americana Cynthia Delores Tucker, política e ativista dos direitos humanos, dedicou parte dos últimos anos da sua vida a condenar as letras de rap e hip-hop sexualmente explícitas de Tupac Shakur, citando a preocupação com as letras misóginas e que a seu ver ameaçavam o fundamento moral da comunidade afro-americana. Delores Tucker afirmou que o conteúdo do rap era difamatório, misógino, obsceno e pornográfico, e que as suas letras expunham os negros (especialmente os jovens do sexo masculino) ao ridículo e desprezo universal, corrompendo os ouvintes brancos e negros de todo o mundo. Tucker também lutou contra a decisão da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) de nomear Tupac Shakur para um dos seus prêmios de imagem. Além disso, entrou com uma ação judicial de 10 milhões de dólares por comentários que Tupac fez na sua canção "How Do U Want It?", do álbum All Eyez on Me, no qual Shakur diz "C. Delores Tucker, você é uma filha da puta / Em vez de tentar ajudar um preto, destrói um irmão". Também na faixa "Wonda Why They Call U Bytch", Delores Tucker é diretamente mencionadaː "Querida Sra. Delores Tucker, continua mexendo comigo (...) Você quer saber porque te chamam de vadia". No seu processo, Tucker alegou que os comentários nestas canções infligiram angústia emocional, foram caluniosos e invadiram a sua privacidade. O caso, porém, acabou por ser arquivado.


