Museu do Caramulo
O Museu do Caramulo que está localizado na vila portuguesa do Caramulo, município de Tondela, distrito de Viseu, expõe uma invulgar colecção de objectos de arte constituída por 500 peças de pintura, escultura, mobiliário, cerâmica e tapeçarias, que vão do antigo Egipto até Picasso.
Imagem: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian · BY-NC-ND · Openverse
A localidade do Caramulo nasce em 1921, na vertente sul da Serra do mesmo nome, fruto da iniciativa de um médico, Jerónimo de Lacerda que, do nada, criou a maior estância sanatorial do País e da Península Ibérica. Magnífica obra urbanística dotada de infra-estruturas únicas em Portugal, naquela data. Em 1938 já possui água canalizada ao domicílio, uma exemplar rede de esgotos urbanos e respectiva estação de tratamento, sistema de recolha de lixos com forno crematório, energia eléctrica produzida a partir de central hídrica própria, bem como um planeamento urbanístico invulgar, com estradas largas com passeios, espaços verdes e jardins públicos de beleza incomparável e numa proporção nunca vista. É neste cenário que, em 1921 e 1923, nascem dois filhos do Dr. Jerónimo de Lacerda, Abel e João. Cientes de que o progresso da medicina ditaria o fim do Caramulo enquanto centro de tratamento, Abel, que enveredara pela carreira de economista, e o seu irmão João, médico, iniciam a procura de ideias que assegurem a sobrevivência da sua terra e a continuação da obra herdada. Decidem programar a transformação das estruturas existentes em turismo de altitude e retirar ao nome Caramulo o epíteto de doença, convertendo o cenário serrano em polo de atracção cultural e artística.
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Abel de Lacerda nasceu em 1921, descendente de uma família de médicos que incluía o seu bisavô, avô e pai. Optou, no entanto, por não seguir a tradição familiar, escolhendo antes estudar Ciências Económicas e Financeiras. O seu pai, Jerónimo de Lacerda, foi o responsável pela criação de uma das maiores estâncias sanatoriais da Península Ibérica, no Caramulo. Contudo, o falecimento súbito de Jerónimo de Lacerda, em 1945, obrigou Abel de Lacerda a interromper os seus estudos para assumir a gestão do projecto do pai. Posteriormente, continuou os estudos em regime livre. Desde jovem, Abel de Lacerda mostrou grande interesse pelas artes, começando a coleccionar obras com os recursos disponíveis e a estabelecer contactos com artistas e outros coleccionadores. Em 1953, idealizou a criação de um museu dedicado às artes plásticas, com um foco particular no papel de coleccionadores privados. Este projecto visava reunir uma colecção criteriosa e harmoniosa, composta por obras de arte significativas.
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João de Lacerda nasceu em 1923, no Caramulo. Após completar o liceu decide seguir a tradição dos seus antepassados e forma-se na Faculdade de Medicina de Lisboa. Desde logo, inicia a sua especialização em Pneumologia, trabalhando com tisiologistas de renome. Terminados os estágios, assume a função de Director Clínico da Estância Sanatorial do Caramulo. Com a morte de seu irmão Abel, em 1957, num trágico acidente, no qual ele próprio fica gravemente ferido, vê-se na contingência de assumir a Direcção da Estância e abandona a Medicina. Como desde pequeno sempre teve a paixão pela construção civil, fruto de um acompanhamento permanente de seu pai, assume também a direcção da Junta de Turismo do Caramulo e dinamiza de uma forma imparável o crescimento e embelezamento da sua terra, o Caramulo. Dava assim continuidade à grande obra de seu pai, o Dr. Jerónimo de Lacerda, que foi pioneiro na criação de uma povoação modelo para a altura, com água canalizada ao domicílio, electricidade a partir de uma barragem própria, rede de esgotos com ETAR, sistema de recolha de lixos com forno crematório, e jardins e verde numa proporção nunca vista. Com justiça pode-se dizer que, se Jerónimo de Lacerda criou o Caramulo, João de Lacerda deu-lhe a projecção que o tornou conhecido no país e fora dele.
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O núcleo de Arte Antiga é o maior da colecção, contabilizando cerca de 500 peças e abrangendo uma ampla variedade de disciplinas tais como mobiliário, ourivesaria, têxteis, tapeçarias, arte luso-oriental, arte japonesa, cerâmica chinesa, cerâmica europeia, pintura, desenho e gravura, arqueologia e egiptologia e escultura. Alguns dos ex-libris da colecção incluem as tapeçarias Tournai. de grande porte, encomendadas por D. Manuel, para celebrar a descoberta do caminho marítimo para a Índia, um par de pinturas de Grão Vasco, o “Jovem japonês”, uma pintura sobre papel colado em madeira, datada de 1640, ou a garrafa de Jorge Álvares, datada de 1552, decorada em tons de azul cobalto sob o vidrado, apresentando uma das primeiras inscrições em língua portuguesa, na porcelana chinesa.
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Reunindo um qualificado conjunto de obras, entre pintura, escultura, cerâmica e tapeçaria, o acervo de Arte Moderna do Museu do Caramulo permite, apesar da natureza da colecção, exclusivamente constituída por doações, um olhar detalhado sobre as vias da contemporaneidade plástica portuguesa, pontuada por algumas excelentes marcações internacionais. Este maravilhoso núcleo guarda obras de artistas tão conceituados como Salvador Dali, Vieira da Silva, Eduardo Viana, Amadeo de Souza-Cardoso, Joan Miró, António Soares, Raoul Dufy, Francisco Smith, Eduardo Malta, Jorge Vieira, Marc Chagall, Leopoldo de Almeida, Barata Feyo, Canto da Maya ou Jean Lurçat, entre muitos outros. Do próprio Picasso o Museu do Caramulo guarda cinco obras, incluindo uma excelente natureza-morta, testemunho doloroso do período da Segunda Guerra Mundial e, durante quase cinco décadas, a única obra do grande criador publicamente apresentada em Portugal.
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Como forma de albergar este notável conjunto de obras de arte foi construído o actual edifício do museu, desenhado pelo arquitecto Alberto Cruz, dotando-o de todos os requisitos necessários à preservação e valorização dos objectos a expor. De dimensões imponentes e utilizando materiais da região, granito e xisto, num estilo neo-clássico, o Museu do Caramulo tem a forma quadrangular. Foi construído em torno de um claustro do século XVIII, proveniente do Convento Franciscano da Fraga, em Sátão — que em 1954 Abel Lacerda adquiriu e salvou da destruição iminente — o que permite que a exposição possa ser vista de forma contínua. O claustro foi então transportado para o Caramulo peça por peça e aí remontado e restaurado com o necessário rigor e respeito pelos aparelhos de pedra, travejamentos e telhas rústicas, estas últimas, nalguns casos negociadas com as gentes da serra, por troca com telhas novas. Foi o primeiro edifício concebido em Portugal expressamente para ser museu.
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João de Lacerda (1923-2003) encontra, um certo dia, um Ford T em estado de quase sucata. Pára e compra-o. Estava iniciada a melhor colecção de automóveis antigos que alguma vez se constituiu em Portugal. Perfeccionista e criterioso, reconstrói meticulosamente os automóveis que vai adquirindo, dando-lhes a grandeza e autenticidade dos tempos em que circulavam pelos caminhos do nosso País. Na sequência de uma sugestão do Presidente Américo Thomaz, a quando de uma visita ao Museu do Caramulo, decide expor a sua colecção e cria aquilo que fica conhecido como o Museu Automóvel do Caramulo, inicialmente instalado no piso térreo do edifício da Fundação Abel de Lacerda. Assim nasceu em 1959 e pela primeira vez em Portugal um Museu Automóvel, quando na Europa apenas existiam pouco mais de uma dezena. Perante o sucesso obtido junto do público, João de Lacerda planeia a construção de um novo edifício apropriado para museu de automóveis, que reunisse, entre outros, os seguintes requisitos: ter capacidade para expor 60 veículos de forma a que todos pudessem sair facilmente, para a necessária conservação da mecânica e ficar aberto a todos os coleccionadores à semelhança do Museu de Arte. É construído a expensas próprias e com a ajuda de algumas empresas de petróleo e inaugurado em 1970 pelo Presidente da República.
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O Caramulo Motorfestival é um evento dedicado aos automóveis e motociclos clássicos e desportivos, que combina a parte de competição de um rally e de uma rampa, com um conjunto de acções lúdicas e turísticas, como sejam a Rampa do Caramulo (Campeonato Português de Montanha Velocidade), a Rampa Histórica do Caramulo, o Rally Histórico Luso-Caramulo, o Passeio Histórico Viseu-Caramulo, a Colecção de Automóveis, Motociclos, Velocípedes e Miniaturas do Museu do Caramulo, a Feira de Automobilia do Caramulo (Pavilhão Multiusos), Concentrações de automóveis e motociclos clássicos no Caramulo (Clubes), Actividades lúdicas Outdoor com a empresa Desafios Caramulo, parques infantis insufláveis, bares e zonas chill out com música durante todo o evento, entre outras. Através desta imensa variedade, o Caramulo Motorfestival assume-se como um evento orientado não só para os verdadeiros aficionados dos automóveis e motociclos, mas também para todo o público em geral, em especial para as famílias que, assim, podem desfrutar de um fim-se-semana inesquecível na Serra do Caramulo.
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O Motorclássico - Salão Internacional de Automóveis e Motociclos Clássicos, é organizado anualmente pela Museu do Caramulo na FIL, no Parque das Nações, cobrindo uma área superior a 10.000 m² e com uma oferta que vai desde entidades comerciais e institucionais até às exposições temáticas. O Salão Motorclássico é dedicado exclusivamente ao mundo do automóvel e motociclo clássico, com entidades tão variadas como stands de automóveis, motociclos e velocípedes clássicos, oficinas especializadas e fornecedores de peças, entidades institucionais como museus, clubes, associações, rallys e publicações, automobília e miniaturas de colecção. A missão do Motorclássico é promover e dinamizar todo o universo dos automóveis e motociclos clássicos, desenvolvendo o seu lado comercial e institucional. O salão tem crescido ano após ano, sendo actualmente visitado por mais de 40.000 pessoas em cada edição.


