Abedemanafitas
Os abedemanafitas ou Banu Abede Manafe foram um dos principais ramos dos coraixitas, descendentes de Abede Manafe ibne Cuçai, filho de Cuçai ibne Quilabe. O grupo compreendia os descendentes de Abede Xemece, Haxime, Almotalibe e Naufal, dos quais se originaram linhagens de grande importância política e religiosa em Meca. Após a morte de Cuçai, os filhos de Abede Manafe contestaram a concentração das principais magistraturas mequenses entre os abedadaritas, desencadeando uma disputa que dividiu os coraixitas em alianças rivais. Os partidários dos abedemanafitas ficaram conhecidos como mutaiabitas, enquanto seus adversários formaram a coalizão dos alafitas.
Disputa pelas magistraturas de Meca
Os abedemanafitas eram os descendentes de Abede Manafe ibne Cuçai, filho de Cuçai ibne Quilabe, a quem a tradição atribui a reorganização política e religiosa de Meca e a distribuição dos coraixitas pela área circundante à Caaba. Segundo os relatos tradicionais, antes de morrer Cuçai confiou a seu filho mais velho, Abede Adar ibne Cuçai, as principais magistraturas da cidade: a nadua, ou presidência das reuniões realizadas na Dar Anadua; a hijaba ou sidana, relativa à guarda da Caaba e de suas chaves; a liua, ou custódia do estandarte; a quiada, ou comando militar; a sicaia, responsável pelo abastecimento de água aos peregrinos; e a rifada, relativa à alimentação dos peregrinos necessitados. Abede Manafe inicialmente não teria contestado essa distribuição, confiando no prestígio de que já desfrutava entre os coraixitas. Após a morte de Cuçai, contudo, os filhos de Abede Manafe — Abede Xemece, Haxime, Almotalibe e Naufal — reivindicaram as magistraturas exercidas pelos abedadaritas, alegando que sua superioridade numérica e seu maior prestígio entre os coraixitas lhes conferiam maior direito a essas funções. A disputa dividiu os clãs de Meca em dois grandes blocos, enquanto alguns permaneceram neutros. Os assaditas, zuraítas, taimitas e alharititas apoiaram os abedemanafitas; os maquezumitas, samitas, jumaítas e aditas tomaram o partido dos abedadaritas; e os amiritas e moarribitas mantiveram-se neutros.
Magistraturas e liderança
Depois da divisão das magistraturas, as funções atribuídas aos abedemanafitas foram repartidas entre seus diferentes ramos. A quiada passou posteriormente a Abede Xemece ibne Abede Manafe e seus descendentes, enquanto a sicaia e a rifada ficaram a cargo de Haxime ibne Abede Manafe, cuja riqueza e generosidade contribuíram para aumentar o prestígio dessas instituições. Embora Cuçai seja geralmente apresentado como tendo confiado originalmente a rifada a Abede Adar, Alasraqui preserva uma tradição segundo a qual ela teria sido atribuída diretamente a Abede Manafe. Haxime manteve a prática de arrecadar contribuições entre os coraixitas para custear a rifada, mas financiava com seus próprios recursos aproximadamente um quarto das despesas desta e da sicaia. Durante um período de fome, teria trazido pão de Damasco, esfarelado-o em caldo de carne e distribuído o alimento aos peregrinos, episódio ao qual a tradição relaciona seu nome Haxime, "o que esfarela". Como responsável pela sicaia, escavou ainda os poços de Besre e Sájela para ampliar o abastecimento de água de Meca. Após sua morte, a sicaia e a rifada passaram a seu irmão Almotalibe e, posteriormente, a Abede Almotalibe, filho de Haxime.


