Pesquisa · Mapa mental

Período Edo

Edo Bakufu ou Período Edo ou Período Tokugawa ou Xogunato Tokugawa ou Idade da Paz Ininterrupta (1603-1868), é um período da história do Japão que foi governado pelos xoguns da família Tokugawa, no período de março de 1603 a maio de 1868, estabelecido por Tokugawa Ieyasu na então cidade de Edo três anos após a batalha de Sekigahara.[carece de fontes?]

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
01

História

Governo dos daimyos

Uma evolução surgiu durante os séculos do Xogunato Kamakura, que existia em equilíbrio com a corte imperial, até o Xogunato Tokugawa, quando um samurai tornou-se o governador incontestável - chamado pelo historiador Edwin Reischauer de "governo feudal centralizado”. Tokugawa Leyasu foi importante para a ascensão do novo bakufu (xogunato), principal beneficiário das conquistas de Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi. Sempre poderoso, Leyasu lucrou com sua transferência para a rica região de Kantō (ilha de Honshu) onde manteve 2,5 milhões de koku de terras (unidade de volume japonesa) e um novo quartel general em Edo, uma cidade castelo estrategicamente situada. Este ganhou mais dois milhões de koku de terra e trinta e oito vassalos sobre seu controle. Após a morte de Hideyoshi, Ieyasu rapidamente movimentou-se para ganhar o controle do Japão da família Toyotomi.

Da abertura à reclusão

Como Hideyoshi, Ieyasu encorajou o comércio exterior, mas também não confiava em estrangeiros. Ele queria fazer de Edo uma grande cidade portuária, favorecendo seus portos, mas a partir do momento que ele observou que os europeus favoreciam portos em Kyushu e que a China havia rejeitado seus planos para estabelecer um comércio oficial, ele agiu para tomar controle do comércio existente e permitiu que somente certos portos manejassem tipos específicos de mercadoria. O início do período Edo coincide com a última década do período de Comércio Nanban, durante o qual uma intensa interação com os poderes europeus ocorrera tanto a nível econômico quanto religioso. Foi no início do período Edo que o Japão construiu seu primeiro navio de guerra em estilo ocidental com capacidade de navegação oceânica, como o San Juan Bautista, um navio estilo galeão de 500 toneladas que transportou uma embaixada japonesa comandada por Hasekura Tsunenaga para as Américas e depois para a Europa.

02

Sociedade

Depois de um longo período de conflitos internos, o principal objetivo do recém-estabelecido governo Tokugawa era o de pacificar o país. O governo criou uma balança de poder que permaneceu (praticamente) estável pelos próximos 250 anos, influenciada por princípios de ordem social confucionistas. A maior parte dos samurais perdeu seus direitos de possessão sobre terras: toda a posse das terras foi concentrada nas mãos de aproximadamente 300 dáimios. Os samurais então tiveram que decidir: desistir de sua espada e se tornarem aldeões, ou mudar para a cidade de seu senhor feudal e tornar-se seu vassalo pago. Somente alguns samurais com posse de terras permaneceram nas fronteiras de províncias ao norte, ou como vassalos diretos do xogum. Eram chamados de hatamoto e eram aproximadamente 5 mil. Os dáimios foram colocados em um controle firme pelo xogunato. Suas famílias tinham que residir em Edo, e os próprios dáimios tinham que morar em Edo por um ano, e, no próximo, em seu han (domínio). Esse sistema era chamado de sankin kotai.

03

Aspectos econômicos

A grande transformação econômica que marcou o período foi o florescimento de uma categoria que até então estava relegada ao ostracismo: a classe dos comerciantes. O Japão até então fora um país marcadamente agrário. O desenvolvimento econômico durante o período Edo incluiu um alto nível de urbanização, o aumento na remessa de mercadorias, uma expansão significativa do comércio doméstico, e inicialmente, estrangeiro, e uma difusão do comércio e da indústria de artesanatos. O comércio de construção floresceu, ao lado do negócio bancário e das associações mercantes. De modo crescente, autoridades dos hans administravam a ascensão da produção agrícola e a expansão do artesanato rural. Já pelo século XVIII, Edo tinha uma população de mais de um milhão de habitantes e Osaca e Quioto tinham mais de 400 mil habitantes cada uma. Muitas outras cidades-castelos cresceram também. Osaca e Quioto tornaram-se grandes centros de produção de artesanato e de comércio, enquanto Edo era o centro do suprimento de comida e um essencial consumidor de mercadorias urbanas.

04

Aspectos culturais

Durante o período, o Japão estudou progressivamente as ciências e técnicas ocidentais (ato chamado de rangaku, literalmente “estudos holandeses”) através das informações e livros trazidos pelos comerciantes holandeses para Dejima. As áreas principais de estudo incluíam geografia, medicina, ciências naturais, astronomia, arte, línguas, ciências físicas, como o estudo do fenômeno elétrico, e ciências mecânicas, como exemplificado pelo desenvolvimento de relógios mecânicos ou wadokei, inspirados por técnicas ocidentais. O florescimento do neoconfucionismo foi o principal desenvolvimento intelectual do período Tokugawa. Estudos confucionistas viam sendo mantidos ativos por clérigos budistas, mas durante o período Tokugawa o confucionismo emergiu do controle religioso budista. Esse sistema de pensamento aumentou a atenção para uma visão secular do homem e da sociedade. O humanismo ético, racionalismo, e a perspectiva histórica da doutrina neoconfucionista se tornavam atraentes para as classes de oficiais do governo. Lá pelo meio do século XVII, o neoconfucionismo foi a filosofia legal dominante no Japão e contribuiu diretamente para o desenvolvimento da escola de pensamento (aprendizagem nacional) do kokugaku.

05

O fim do xogunato

Declínio Tokugawa

O fim desse período é particularmente chamado de Xogunato Tokugawa tardio. A causa que deu fim ao período é controversa, mas considera-se que foi a abertura forçada do Japão ao mundo pelo Comodoro da marinha americana Matthew Calbraith Perry como o início do fim. Sua armada (conhecida pelos japoneses como “os navios negros”) realizou vários tiros com suas armas na Baía de Tóquio. Posteriormente, várias ilhas artificiais foram criadas para bloquear o alcance de armas e essas ilhas permanecem no que hoje é chamado de distrito de Odaiba. Os Tokugawa colapsaram simplesmente devido a falhas intrínsecas de sua administração. A intrusão estrangeira ajudou a precipitar uma luta política complexa entre o bakufu e a coalizão de seus críticos. A continuidade do movimento antibakufu na metade do século XIX iria finalmente trazer o fim dos Tokugawa. Desde o início, os Tokugawa tentaram restringir a acumulação de riquezas das famílias do Japão e endossavam uma política “de volta à terra”, na qual o fazendeiro, o produtor ideal, era a “cidadão ideal” a ser atingido na sociedade.

Fim da reclusão

Em julho de 1853 uma esquadra dos Estados Unidos de quatro navios, comandada pelo comodoro Matthew Calbraith Perry, chegou à baía de Edo exigindo a abertura dos portos japoneses, iniciando assim uma cadeia de eventos que levariam ao fim do bakufu (xogunato) no Japão. O responsável em realizar as negociações com os EUA foi o presidente do conselho dos veteranos Abe Masahiro (1819-1857). Sem nenhum precedente para as negociações, Abe tentou conciliar as vontades divergentes do conselhos dos veteranos, que queriam abrir negociações, do Imperador, que queria manter os estrangeiros fora, e dos daimios, que queriam ir à guerra. Sem um consenso sobre a situação, Abe decidiu favorecer os acordos americanos, permitindo assim abrir o Japão ao comércio estrangeiro, contanto que ao mesmo tempo fosse feita uma preparação militar. Em março de 1854, foi assinado o Tratado da Paz e Amizade (ou Tratado de Kanagawa), que concedia a abertura de dois portos a navios estadunidenses em busca de suprimentos, a ajuda a náufragos e a permissão a um cônsul dos Estados Unidos de estabelecer uma morada em Shimoda, um porto marítimo na península de Izu, a sudoeste de Edo. Cinco anos mais tarde, a abertura de mais portos para navios dos EUA foi forçada ao Bakufu através de tratados, mostrando o início do declínio de poder do xogunato.

Modernização do Bakumatsu e conflitos

Durante os últimos anos do bakufu ou bakumatsu, medidas extremas foram tomadas a fim de reaver seu domínio político, embora seu envolvimento com a modernização e poderes estrangeiros fizessem-no alvo de sentimentos antiocidentais por todo o país. O exército e a marinha foram modernizados. Uma escola de treinamento naval foi construída em Nagasaki no ano de 1855. Estudantes navais foram enviados para estudar em escolas ocidentais, por vários anos, iniciando assim uma tradição de enviar futuros líderes para estudarem no ocidente, como, por exemplo, o almirante Enomoto. Engenheiros navais franceses foram contratados para construir um arsenal naval, como os arsenais de Yokosuka e de Nagasaki. Ao final do xogunato Tokugawa em 1867, a marinha japonesa do xógum já possuía oito navios de guerra a vapor no estilo ocidental em torno da Nau Almirante Kaiõ Maru, que foram usadas contra forças pro-imperialistas durante a Guerra Boshin, sob o comando do almirante Enomoto. Uma missão militar francesa foi estabelecida para ajudar na modernização do exército do bakufu.

Guerra Boshin

A Guerra Boshin (戊辰戦争, Boshin Senso,; “Guerra do Ano do Dragão”) foi uma guerra civil no Japão, travada de 1868 a 1869 entre forças do governo do xogunato Tokugawa e aqueles que favoreciam a restauração do Imperador Meiji. A guerra encontra suas origens na declaração do imperador da abolição do xogunato de mais de 200 anos e a imposição do comando direto da corte imperial. Movimentos militares das forças imperiais e atos de violência partidários ao império em Edo, levou Tokugawa Yoshinobu, o xógum, a lançar uma campanha militar para controlar a corte imperial em Quioto. A maré militar rapidamente mudou em favor da facção imperial, que era pequena mas relativamente modernizada, e após uma série de batalhas culminando na rendição de Edo, Yoshinobu pessoalmente rendeu-se. O remanescente do governo Tokugawa recuou para o norte de Honshu e posteriormente para Hokkaido, onde declarou uma nova república. Derrotados na Batalha de Hakodate destruiu o último resquício do xogunato dando controle supremo ao império em todo o Japão, completando a fase militar da Restauração Meiji.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando