Marrocos
Marrocos, oficialmente Reino do Marrocos, é um país soberano localizado na região do Magrebe, no norte da África. É banhado pelo mar Mediterrâneo a norte e pelo oceano Atlântico a oeste. Faz fronteira com a Argélia a leste e sudeste, a Espanha a norte e com a Mauritânia e com o Saara Ocidental a sul. Geograficamente, o Marrocos é caracterizado por um interior montanhoso acidentado, grandes extensões de deserto e um longo litoral ao longo do oceano Atlântico e do mar Mediterrâneo.
A palavra Marrocos deriva do nome da cidade de Marraquexe, que foi sua capital durante a dinastia almorávida e o Califado Almóada. A origem do nome Marraquexe é contestada, mas provavelmente vem das palavras berbere amur (n) akush ( ⴰⵎⵓⵔ ⵏ ⴰⴽⵓⵛ ), que significa "Terra de Deus". O nome berbere moderno para Marraquexe é "Mṛṛakc" (na escrita berbere latina). Em turco, o Marrocos é conhecido como Fas, um nome derivado de sua antiga capital, Fez. No entanto, em outras partes do mundo islâmico, por exemplo na literatura árabe egípcia e do Oriente Médio, antes de meados do século XX, o nome comumente usado para se referir ao Marrocos era Marraquexe (مراكش).
Pré-história
A presença humana no território marroquino é bastante antiga, remontando a, pelo menos, 90 mil anos atrás. No início do século XXI, foram descobertos em Jebel Irhoud, na província de Youssoufia, fósseis humanos com cerca de 300 mil anos, mudando o que se sabe em termos científicos sobre a origem do Homo sapiens, indicando que o surgimento da espécie ocorreu de forma pan-africana e não restrita a uma única região do continente. Durante o Paleolítico Superior, o Magrebe era mais fértil do que é hoje, assemelhando-se mais a uma savana do que à paisagem árida atual. Há cerca de 22 mil anos, a cultura ateriana do Magrebe foi sucedida pela ibero-maurisiana, que apresentava semelhanças com indústrias da Península Ibérica. Estudos genéticos realizados em fósseis com cerca de 15 mil anos revelam que a população local resultava de uma mistura entre grupos do Sudoeste Asiático e da África Subsaariana, com uma forte predominância da primeira componente.
Primeiras civilizações, reinos berberes e romanos
No século VIII a.C., navegadores fenícios originários do atual Líbano começaram a estabelecer-se no litoral do Marrocos. Ao comercializarem sal e minérios com os povos berberes, deram início à integração desta região no mundo mediterrâneo.Lixo, Mogador e Chellah estão entre os principais entrepostos fundados pelos fenícios e pelos seus sucessores na região, os cartagineses. Com o tempo, o Estado cartaginês, sediado no atual território da Tunísia, passou a controlar a maior parte do Magrebe e o litoral marroquino. Originalmente, os berberes organizavam-se em famílias e clãs que, progressivamente, se uniram em confederações. No século II a.C., surgiram os primeiros grandes reinos berberes, como a Numídia e a Mauritânia (território que não deve ser confundido com o do atual país homónimo). Este último reino teria mais tarde como principal destaque o rei Juba II, que governou entre 25 a.C. e 24 d.C.
Conquista islâmica e dinastias berberes
A conquista muçulmana do Magrebe, começada em meados do século VII e concluída no início do século seguinte trouxe a língua árabe e o Islã para o Marrocos. Em 711, os muçulmanos iniciaram a conquista da Península Ibérica. Embora integrado no Califado Omíada, o território do Marrocos foi inicialmente organizado como uma província subsidiária de Ifríquia, com os seus governantes locais subordinados ao governador muçulmano de Cairuão. As tribos berberes nativas adotaram o Islão, mas preservaram as suas leis tradicionais e o seu estatuto autônomo. Embora as populações berberes tenham abraçado o Islão, o cumprimento dos impostos e a manutenção do direito tradicional geravam tensões com o poder central. Nesta fase inicial, a islamização não significou uma arabização imediata. A adoção da língua e dos costumes árabes por grande parte dos berberes foi um fenómeno lento que se estendeu ao longo dos séculos seguintes.
Protetorados francês e espanhol
À medida que a Europa se industrializava, o Norte da África era cada vez mais apreciado pelo seu potencial de colonização. A França mostrou um forte interesse por Marrocos já em 1830, não só para proteger a fronteira do seu território argelino, mas também devido à posição estratégica do Marrocos em dois oceanos. Em 1860, uma disputa sobre o enclave de Ceuta levou a Espanha a declarar guerra. Além de sair vitoriosa, a Espanha ganhou outro enclave e uma Ceuta ampliada. Em 1884, a Espanha criou um protetorado nas zonas costeiras do Marrocos.[carece de fontes?] Em 1904, a França e a Espanha esculpiram zonas de influência no Marrocos. O reconhecimento da esfera de influência da França pelo Reino Unido provocou uma forte reacção do Império Alemão e uma crise surgiu em 1905. O assunto foi resolvido na Conferência de Algeciras em 1906. A Crise de Agadir de 1911 aumentou as tensões entre as potências europeias. O Tratado de Fez de 1912 tornou Marrocos um protetorado francês e desencadeou os distúrbios de Fez no mesmo ano. A Espanha continuou a operar o seu protetorado costeiro. Pelo mesmo tratado, a Espanha assumiu o papel de proteger sua soberania sobre as zonas do norte e sul do Saara.
Pós-independência
Em agosto de 1957, o Marrocos foi transformado em reino e o sultão passou a adotar o título de rei. Em 1959, o Istiqlal se dividiu em dois grupos: um abrangendo a maioria dos elementos do partido, conservador e obediente a Muhammad Alal Fassi, apoiante do rei; outro, de carácter republicano e socialista, que adaptou o nome de União Nacional das Forças Populares (UNFP). Maomé V aproveitou a oportunidade para distanciar a figura do rei dos partidos, elevando-o a um papel arbitral. Em 1961, o rei Maomé V do Marrocos faleceu inesperadamente, sendo substituído pelo seu filho, Hassan II, em cujo início de reinado foram realizadas eleições parlamentares em 1963, mas o rei dissolveu o parlamento um ano depois, instalando um governo pessoal, com primeiros-ministros nomeados pelo monarca. Em 1970, foi promulgada uma nova constituição, prevendo um legislativo unicameral, mas não resistiu a uma tentativa de golpe contra a monarquia em julho de 1971. Sucedeu-lhe uma outra constituição em 1972, que só foi implementada efetivamente após outra tentativa de golpe de Estado, em agosto desse ano.
Com uma área total de cerca de 450 mil quilômetros quadrados (excluindo o Saara Ocidental), comparável ao estado estadunidense da Califórnia, o Reino do Marrocos está localizado no Norte da África, na região do Magrebe, sendo o único país africano banhado tanto pelo Oceano Atlântico quanto pelo Mar Mediterrâneo.
Relevo
A maioria do território marroquino está em altitudes elevadas, com uma altitude média de 800 m. Duas cadeias montanhosas dividem a parte oriental do país da sua parte atlântica: as Montanhas Rif, ao norte, formando uma zona de amortecimento ao longo da costa mediterrânea, e as Montanhas Atlas (divididas em Alto Atlas, Médio Atlas e Antiatlas) que formam uma barreira no centro. As duas partes do país são interligadas pelo estreito corredor de Taza, bem como por estradas no local das rotas tradicionais. As montanhas Rif, geologicamente, são parte das cordilheiras ao sul da Península Ibérica. Em formato de lua crescente, eleva-se do modo abrupto a partir da estreita planície mediterrânea, tendo seu ponto culminante a 2.456 m no Jbel Tidirhine.
Clima
Em termos de área, o clima do Marrocos é predominantemente dividido em zonas de clima "mediterrâneo quente de verão" (Csa na classificação de Köppen-Geiger) e "deserto quente" (BWh). Grande parte do litoral marroquino possui de um clima tipicamente mediterrâneo, exibindo invernos brandos e úmidos, seguidos por verões quentes e áridos, com um período chuvoso que se estende de outubro a abril. A escassez de precipitação é influenciada por elementos como os sistemas de tempestades que se aproximam do norte, as zonas de alta pressão e a corrente fria das Canárias. Ao longo das planícies costeiras, a pluviosidade anual decresce no sentido norte-sul, enquanto as zonas montanhosas, como o Rif central e o Alto Atlas, são agraciadas com maiores volumes de chuva e neve, persistindo nas áreas de maior altitude até o final da primavera ou o início do verão. Próximo ao litoral, as temperaturas amenas de verão variam entre 18 e 28°C, enquanto no interior ultrapassam frequentemente os 35°C, especialmente quando sob o efeito do vento quente do Saara, o chergui, que pode impulsionar as temperaturas até 41°C e danificar as colheitas. Durante o inverno, as temperaturas oscilam entre 8 e 17°C na faixa costeira, diminuindo para valores negativos em áreas mais afastadas do oceano.
Biodiversidade
O Marrocos tem uma vasta gama de biodiversidade. É parte da bacia mediterrânea, uma área com concentrações excepcionais de espécies endémicas que sofrem rápidas taxas de perda de habitat e, portanto, é considerada um ponto prioritário de conservação. A avifauna é notavelmente variada e inclui um total de 454 espécies, cinco das quais foram introduzidas por seres humanos e 156 são raramente vistas. O leão-do-atlas, caçado até a extinção, era uma subespécie nativa do Marrocos e é um símbolo nacional. O último leão-do-atlas selvagem foi visto nas montanhas Atlas em 1922. Os outros dois predadores primários do norte da África, o urso-do-atlas e o leopardo-do-atlas, estão agora extinto e criticamente ameaçado, respectivamente. As populações de crocodilo-do-oeste-africano persistiram no rio Drá até o século XX.
Segundo o censo de 2024, a população do Marrocos (excluindo o Saara Ocidental) é de 35,85 milhões de habitantes. Dessas, 7,6 milhões (em torno de 20%) residem na região de Casablanca-Settat. As regiões de Rabat-Salé-Kénitra e Marrakech-Safi vêm logo em seguida em população, com ambas somando 9,4 milhões de habitantes. A população estrangeira é de em torno de 150 mil pessoas, um grande crescimento em relação ao censo de 2014, a maioria dos quais oriundos da África Subsaariana. Segundo os dados mais recentes do Banco Mundial (2024), o Marrocos possui uma população de 38 081 173 habitantes, tendo uma taxa de crescimento anual de 1%. A expectativa de vida era de 75 anos.
Etnias
Não há dados oficiais e precisos sobre a composição étnica do Marrocos, mas sabe-se que a maioria da população é composta por árabes, seguidos pelos berberes, que compõem uma parcela importante da população. Por milênios, o Magrebe era habitado pelos povos berberes (também conhecidos pela sua autodenominação imazighen), os quais foram amplamente arabizados com a conquista árabe da região, nos séculos VI e VIII. A migração de povos da Península Arábica, pertencentes às tribos Banu Hilal e Banu Soleime, para a região aumentou a presença árabe da região, além de contribuírem para a genética e a cultura marroquina. No século XV, com o fim da Reconquista na Península Ibérica, a região recebeu muitos muçulmanos residentes nessa parte da Europa, os moriscos, contribuindo com a formação do seu povo, assim como o tráfico de escravizados pelo Saara.
Religião
A afiliação religiosa no país foi estimada pelo Pew Research Center em 2010 como 99% muçulmana, com todos os grupos restantes representando menos de 1% da população. Os sunitas formam a maioria em 67%, sendo que os muçulmanos não denominacionais são o segundo maior grupo de muçulmanos em 30%. Existem cerca de 3 000 a 8 000 muçulmanos xiitas, a maioria deles residentes estrangeiros do Líbano ou do Iraque, mas também alguns cidadãos convertidos. Seguidores de várias ordens muçulmanas sufistas em todo o Magrebe e África Ocidental empreendem peregrinações anuais conjuntas ao país.[carece de fontes?] Os cristãos são estimados em 1% (~ 380 000) da população marroquina. A comunidade cristã, predominantemente católica romana e protestante, consiste em aproximadamente 5 000 membros praticantes, embora alguns protestantes e clero católico tenham estimado o número em 25 000. A maioria dos cristãos residentes estrangeiros vivem nas áreas urbanas de Casablanca, Tânger e Rabate. Vários líderes cristãos locais estimaram que entre 2005 e 2010 existiam 5 000 cidadãos convertidos ao cristianismo (principalmente berberes) que frequentam regularmente igrejas e vivem predominantemente no sul. Alguns líderes cristãos locais estimam que pode haver até 8 000 cidadãos cristãos em todo o país, mas muitos não se reúnem regularmente devido ao medo da vigilância do governo e da perseguição social. O número de marroquinos que se converteram ao cristianismo (a maioria deles adoradores secretos) é estimado entre 8 e 40 mil.
Idiomas
As línguas oficiais do Marrocos são o árabe e o berbere. O grupo distintivo de dialetos árabes marroquinos é referido como darija. Aproximadamente 89,8% de toda a população pode se comunicar em algum grau em árabe marroquino. A língua berbere é falada principalmente em três dialetos (tarifit ou rifenho, tachelhit ou chleuh e tamazigue de Marrocos Central, ou simplesmente tamazight), existindo também uma norma-padrão, o amazigue padrão marroquino. Em 2008, Frédéric Deroche estimou que havia 12 milhões de falantes de berbere, representando cerca de 40% da população. O censo populacional de 2004 relatou que 28,1% da população falava berbere. O francês é amplamente utilizado em instituições governamentais, mídia, grandes empresas, comércio internacional com países francófonos e, muitas vezes, na diplomacia internacional. O francês é ensinado como uma língua obrigatória em todas as escolas. Em 2010, havia 10 366 000 francófonos no Marrocos, ou cerca de 32% da população. De acordo com o censo de 2004, 2,19 milhões de marroquinos falavam uma língua estrangeira que não o francês.
Sistema político
O Marrocos é uma monarquia constitucional, com um parlamento eleito democraticamente. Porém, o rei é igualmente o chefe do governo. A aliança de forças políticas que patrocinaram a independência manteve-se no poder até 1958, quando o Istiqlal assumiu o Governo. Pouco depois, o partido dividiu-se em duas fações. A ala esquerda, excluída da administração central, venceu as eleições legislativas realizadas em 1960, tornando-se importante força de oposição ao Governo conservador então no poder. Em 1961, com a morte do rei Maomé V, subiu ao trono seu filho, Mulei Haçane, que passou a governar com o nome de Haçane II.[carece de fontes?] A sucessão decorreu de modo pacífico, já que as forças de oposição não tinham poder suficiente para contestar a monarquia. Além de Chefe de Estado, o Rei do Marrocos também exerce a função de “Líder dos Fiéis” e defensor do islão, o que lhe confere alto grau de legitimidade junto à população. Em 1963, Haçane II fez aprovar em plebiscito uma nova constituição, ampliando os poderes da monarquia. Os partidos de oposição boicotaram o pleito e, acusados de conspirar contra a Casa Real, passaram a ser duramente reprimidos [carece de fontes?]
Eleições e poder legislativo
Os sucessivos governos marroquinos foram dominados pela coligação de partidos de direita Wifaq — integrada pela Union Constitutionelle (UC), pelo Mouvement Populaire (MP) e pelo Parti National Démocratique (PND) — e pelos partidos de centro Rassemblement National des Indépendants (RNI), Mouvement Démocratique et Social (MDS) e Mouvement National Populaire (MNP). Nas eleições parlamentares de 1997, essa coligação de centro-direita conquistou 197 dos 325 assentos da Câmara baixa (60%) e 166 das 270 cadeiras da Câmara alta (61%). A oposição se aglutina em torno da coligação Koutla, integrada pelos partidos de esquerda Union des Forces Populaires (USFP), Parti Istiqlal (PI), Parti du Progrès et du Socialisme (PPS) e Organisation pour l’Action Démocratique et Populaire (OADP). O movimento islâmico, por sua vez, se faz representar pelo Mouvement Populaire Constitutionnel Démocratique (MPCD), de tendência moderada, e por outros partidos de menor expressão. O fundamentalismo islâmico, presente sobretudo no meio universitário através da União Nacional dos Estudantes do Marrocos (UNEM), tem sido duramente combatido. O Governo tem estimulado a reemergência de movimentos estudantis socialistas (procurando, com isso, minimizar a influência do islamismo radical no meio universitário), bem como a participação de partidos islâmicos moderados no debate político nacional.[carece de fontes?]
Forças armadas
O serviço militar obrigatório no Marrocos foi suspenso oficialmente desde setembro de 2006 e a obrigação de reserva do Marrocos dura até os 50 anos. As forças armadas são as Forças Armadas Reais, que incluem o Exército (o maior ramo), a Marinha, a Força Aérea, a Guarda, a Gendarmería Real e as Forças Auxiliares. A segurança interna é geralmente eficaz e atos de violência política são raros (com uma exceção, os atentados de Casablanca em 2003, que mataram 45 pessoas). A ONU mantém uma pequena força de observação no Saara Ocidental, onde um grande número de tropas do Marrocos estão estacionadas. O grupo Frente Polisário mantém uma milícia ativa de cerca de 5 000 combatentes no Saara Ocidental e se envolveu em guerras intermitentes com as forças marroquinas desde a década de 1970.[carece de fontes?]
Relações internacionais
O Marrocos é membro das Nações Unidas e pertence à Liga Árabe, à União do Magrebe Árabe (UMA), à Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), ao Movimento dos Países Não Alinhados e à Comunidade dos Estados do Sahel-Saara (CEN-SAD). Os relacionamentos do Marrocos variam grandemente entre os Estados africanos, árabes e ocidentais. O Marrocos tem fortes laços com o Ocidente, a fim de obter benefícios econômicos e políticos. A França e a Espanha continuam a ser os principais parceiros comerciais, bem como os principais credores e investidores estrangeiros no país. Do total de investimentos estrangeiros no Marrocos, a União Europeia investe aproximadamente 73,5%, enquanto o mundo árabe investe apenas 19,3%. Muitos países das regiões do Golfo Pérsico e do Magrebe estão cada vez mais envolvidos em projetos de desenvolvimento de larga escala no Marrocos.
Estatuto do Saara Ocidental
Quando, em 1975, a Espanha abandonou a sua antiga colônia, deixou para trás um país sem quaisquer infra-estruturas, com uma população completamente analfabeta e desprovida de tudo. O vazio criado pela Espanha foi aproveitado pela Mauritânia (que assenhorou-se de 1/3 do território) e por Marrocos (que ficou com o restante), que, invocando direitos históricos, invadiram o território. O governo no exílio do Saara Ocidental tem o nome de República Árabe Saaraui Democrática (RASD). Foi proclamado pela Frente Polisário em 27 de Fevereiro de 1976. O primeiro governo da RASD formou-se em 4 de Março desse ano. Os saaráuis haviam fundado a Frente Polisário, que expulsou do sul o pequeno exército da Mauritânia, forçando o país a abdicar seus direitos sobre o território em 1979. Frente a frente ficaram, nas areias do deserto, os guerrilheiros da Frente Polisário e as forças marroquinas de Haçane II. O exército marroquino retirou-se para uma zona restrita do deserto, mais próxima da sua fronteira e constituindo o chamado "triângulo de segurança", que compreende as duas únicas cidades costeiras e a zona dos fosfatos. Aí a engenharia militar construiu um imenso muro de concreto armado, por trás do qual os soldados marroquinos vivem entrincheirados, protegendo a extração do minério. Desde então, a guerra, vista do lado da Frente Polisário, resume-se a uma série de ataques esporádicos à zona dos fosfatos tentando interromper o seu escoamento. Em 1987, uma missão da ONU visitou a região para averiguar a possibilidade da realização de um referendo sobre o futuro do território. Uma iniciativa difícil, dado que grande parte da população é nómada. Marrocos e a Frente Polisário selaram um cessar-fogo em 1988. Um plebiscito foi marcado para 1992, mas não aconteceu porque não houve acordo sobre quem tinha direito a votar: Marrocos queria que fosse toda a população residente no Saara Ocidental, mas a Frente Polisário só aceitava que fossem os habitantes contados no censo de 1974. Isso impediria o voto dos marroquinos emigrados para a região em disputa depois de 1974. Até 1993 foi impossível realizar o referendo.[carece de fontes?]
A administração territorial do Marrocos está organizada de forma descentralizada e desconcentrada num sistema complexo. Segundo a reforma administrativa de 1997, que determinou a descentralização da administração do Marrocos, o país está dividido segundo três níveis administrativos: 16 regiões económicas, designadas wilayas (ver também a secção "Wilayas"), cada uma dirigida por um váli (wali ou governador) e por um conselho regional representativo das chamadas "forças vivas" da região. Segundo o artigo 101º da Constituição do Marrocos, estas regiões têm o estatuto de coletividade local. O váli da região é também o governador da província em que reside. Também há 62 províncias e 13 prefeituras (estas últimas são o equivalente urbano das primeiras), dirigidas por um váli. As comunas são 1 503, 221 urbanas e 1 282 rurais, sendo que estão agrupadas em caïdats e estes em círculos (cercles ou distritos). Em algumas áreas metropolitanas, há ainda subdivisões de 4.º nível, os arrondissements (bairros, freguesias ou distritos urbanos).[carece de fontes?]
Marrocos pertence ao grupo de países emergentes, com um sistema econômico misto. Desde 1993 o governo seguiu uma política de privatização das empresas públicas, bem como da liberalização de muitos setores. A economia do país é uma das melhores da África, graças ao tratado de comércio e exportação que o país fez com os Estados Unidos e com a União Europeia. O Marrocos é o maior exportador mundial de fosfato e equipamentos petrolíferos. Possui terras áridas em quase todo o território. O rei Maomé VI lançou vários projetos de modernização econômica. A partir deles, o país começou a apresentar um crescimento grande do PIB — 4,4% em 2001, 7,5% em 2005, 9,3% em 2006. O país possui também grandes reservas de petróleo no deserto do Saara.[carece de fontes?] Na agricultura, em 2018 Marrocos foi um dos 5 maiores produtores do mundo de azeitona, figo e tangerina, um dos 15 maiores produtores do mundo de cevada, tomate e laranja, além de ter grandes produções de trigo, batata, cebola, melancia, maçã, cana de açúcar e melão, entre outros produtos. As maiores exportações de produtos agropecuários processados do país em termos de valor, em 2019, foram: tomate, tangerina, feijão, açúcar, mirtilo, azeitona, pimenta, comidas e frutas industrializadas, melancia, entre outros. Na pecuária, em 2019, o Marrocos produziu 2,5 bilhões de litros de leite de vaca, 782 mil toneladas de carne de frango, 283 mil toneladas de carne bovina, 178 mil toneladas de carne de cordeiro, entre outros. Na mineração, em 2019, o país era o 2.º maior produtor mundial de fosfato e o 10.º maior produtor mundial de cobalto. O Marrocos tinha a 58.ª indústria mais valiosa do mundo em 2019 (US $ 17,8 bilhões), de acordo com o Banco Mundial. Neste ano, o país era o 26.º maior produtor de veículos do mundo (394 mil unidades). O país foi o 5º maior produtor mundial de azeite de oliva em 2018. Foi o 6º maior produtor mundial de lã em 2019. O turismo é importante na formação do PIB do país: em 2018, o Marrocos foi o 32º país mais visitado do mundo, com 12,2 milhões de turistas internacionais. As receitas do turismo, neste ano, foram de US $ 7,7 bilhões.
Turismo
O turismo é um dos setores mais importantes da economia marroquina. Ele é bem desenvolvido com uma forte indústria turística focada no litoral, cultura e história do país. Marrocos atraiu mais de dez milhões de turistas em 2013. O turismo é o segundo maior rendimento cambial no Marrocos, após a indústria de fosfato. O governo marroquino está a investir fortemente no desenvolvimento do setor. Em 2010 o governo lançou a sua "Visão 2020", que pretendia tornar Marrocos um dos 20 principais destinos turísticos do mundo e dobrar o número anual de chegadas internacionais para 20 milhões até 2020. O turismo está cada vez mais focado na cultura marroquina, como as antigas cidades. A moderna indústria turística capitaliza os antigos sítios romanos e islâmicos locais, bem como a sua paisagem e a sua história cultural. 60% dos turistas do Marrocos visitam por sua cultura e herança histórica e cultural. Agadir é um importante resort costeiro e uma base para passeios para as montanhas do Atlas. Outros resorts no norte do Marrocos também são muito populares.
Educação
A educação no Marrocos é gratuita e obrigatória através da escola primária. A taxa de alfabetização estimada em 2012 foi de 72%. Em setembro de 2006, a UNESCO concedeu a Marrocos, entre outros países, como Cuba, Paquistão, Índia e Turquia, o "Prémio UNESCO 2006 de Alfabetização". O Marrocos tem mais de quatro dezenas de universidades, institutos de ensino superior e politécnicos dispersos em centros urbanos em todo o país. Suas principais instituições incluem a Universidade Maomé V em Rabate, a maior universidade do país, com filiais em Casablanca e Fez; o Instituto Agronómico e Veterinário Haçane II, em Rabate, que realiza pesquisas de liderança em ciências sociais, além de suas especialidades agrícolas; e a Universidade Al-Akhawayn em Ifrane, a primeira universidade de língua inglesa no Norte da África, inaugurada em 1995 com contribuições da Arábia Saudita e dos Estados Unidos.
Saúde
O governo do Marrocos estabelece sistemas de vigilância dentro do sistema de saúde já existente para monitorar e coletar dados. A educação em massa em higiene é implementada nas escolas primárias, constante no currículo escolar. Em 2005, o governo do Marrocos aprovou duas reformas para expandir a cobertura do seguro saúde, sendo que a primeira consistiu num plano de seguro saúde obrigatório para funcionários dos setores público e privado. A segunda reforma criou um fundo para cobrir serviços de saúde para a população hipossuficiente. Ambas as reformas melhoraram o acesso a cuidados de saúde. A mortalidade infantil melhorou significativamente desde 1960, quando havia 144 mortes por 1 000 nascidos vivos, passando para 19 mortes por 1 000 nascidos vivos em 2021. A taxa de mortalidade de menores de cinco anos caiu 60% entre 1990 e 2011.
Energia e transportes
Em 2008, cerca de 56% do fornecimento de electricidade no Marrocos vinha do carvão. No entanto, como as previsões indicam que as necessidades de energia no Marrocos aumentarão 6% ao ano entre 2012 e 2050, uma nova lei foi aprovada incentivando os marroquinos a procurar formas de diversificar o fornecimento de energia, incluindo mais recursos renováveis. O governo marroquino lançou um projeto para construir uma usina heliotérmica de energia solar e também está estudando o uso do gás natural como fonte potencial de receita para o governo marroquino. O país embarcou na construção de grandes fazendas de energia solar para diminuir a dependência de combustíveis fósseis e eventualmente exportar eletricidade para a Europa.
No jantar marroquino, as mesas geralmente não ficam preparadas, pois os pratos são trazidos pouco a pouco. Uma empregada ou um membro mais jovem da família (sempre uma mulher) traz uma bacia de metal com sabão no meio, às vezes feito de esculturas artesanais, e água em volta. As mãos são lavadas e uma toalha é oferecida para secá-las. Os marroquinos têm o costume de beber chá com hortelã (atāy ou thé à la menthe; chá verde com hortelã-verde e açúcar) antes e depois da refeição. Agradecem a Deus dizendo bismilá. Eles comem primeiramente de um prato comunitário, com a mão direita, o polegar e os dois primeiros dedos. No fim das refeições, agradecem novamente dizendo all hamdu Lillah, que quer dizer: "graças a Deus" e repetem o ritual de lavar as mãos.[carece de fontes?] A cultura marroquina é também transposta para o artesanato. Dentro dos mercados e socos, os artesãos podem estar a trabalhar mesmo à sua frente: o couro, os metais, a joalharia e pode-se inclusive assistir ao tratamento dos curtumes. Faz parte da cultura marroquina negociar. O que quer que se queira comprar, deve-se preparar para negociar. Sempre muito simpáticos, os comerciantes marroquinos começam a negociação sempre com valores elevados para manter a conversa. Deve-se apontar para um valor baixo e dizer sempre que é muito caro o que oferecem. Claro que se deve ser correto na negociação e não estar a insistir num valor ridículo por uma peça que se sabe que vale mais.[carece de fontes?]
Música
A música marroquina é predominantemente árabe,[carece de fontes?] mas foi influenciada pela música andaluza, por exemplo. Mais tarde foi influenciada pela música popular, incluindo bandas conhecidas como Lemchaheb, Nass El Ghiwane e Jil Jilala. Berberes e outras minorias étnicas têm suas próprias tradições musicais. O rap também cresceu tremendamente no Marrocos. Os artistas de rap marroquinos incluem Bigg, Casa Crew, Ahmed Soultan, Steph Ragga Man, Fnaire, K-Libre, H-Kayne e Muslim. O país participou do Festival Eurovisão da Canção uma vez, em 1980, quando foi representado por Samira Bensaïd com a canção Bitakat Hob. O hino nacional do país foi composto por Léo Morgan e Hymne Chérifien por Ali Squalli Houssain. A vida cotidiana marroquina é rica em tradições, que muitas vezes remontam aos regulamentos do Alcorão. Orações pedem eco nos alto-falantes dos minaretes. Ainda há uma mesquita que convida os islâmicos a rezar cinco vezes por dia.
Esportes
O futebol é o esporte mais popular do país, popular entre os jovens urbanos em particular. Em 1986, o Marrocos se tornou o primeiro país árabe africano a se classificar para a segunda fase da Copa do Mundo da FIFA. Já na edição de 2022 do Mundial, a Seleção Marroquina conseguiu ir além, tornando-se o primeiro país africano a alcançar as semifinais do torneio, terminando a competição em quarto lugar. O Marrocos estava originalmente programado para sediar a Copa das Nações Africanas de 2015, mas se recusou a sediar o torneio nas datas programadas por causa dos temores sobre o surto de ebola no continente. O país fez cinco tentativas de sediar a Copa do Mundo FIFA, todas sem sucesso.[carece de fontes?]


