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Abedexemecitas

Os abedexemecitas ou Banu Abede Xemece foram um importante clã dos coraixitas de Meca, descendente de Abede Xemece ibne Abede Manafe, filho de Abede Manafe ibne Cuçai e irmão de Haxime. Durante a Jailia, constituíram um dos ramos mais numerosos e influentes dos coraixitas e desempenharam papel destacado na vida política, militar e econômica de Meca. A quiada, magistratura associada ao comando militar dos coraixitas e à chefia de suas caravanas, permaneceu entre os descendentes de Abede Xemece por sucessivas gerações, enquanto membros do clã participaram das redes comerciais que ligavam Meca à Síria, ao Iêmem, à Abissínia e a outras regiões. Entre suas principais linhagens estavam os descendentes de Omaia ibne Abede Xemece, dos quais se originaram os omíadas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/10/2026
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História

Origens e genealogia

Os abedexemecitas (Banu Abede Xemece) eram um ramo dos coraixitas de Meca, descendentes de Abede Xemece, filho de Abede Manafe e de Ática binte Murra, e neto de Cuçai ibne Quilabe. Abede Xemece era irmão gêmeo de Haxime e um dos seis filhos homens atribuídos pelas tradições genealógicas a Abede Manafe. As mesmas tradições atribuem a Abede Xemece doze filhos. Com exceção de Omaia e Naufal, que se estabeleceram na Síria, seus descendentes permaneceram em Meca, onde constituíram um dos mais numerosos e influentes ramos dos coraixitas. Dessa linhagem descenderam diversas figuras de destaque da história islâmica, entre elas os membros da dinastia omíada. A posição dos abedexemecitas entre os coraixitas esteve relacionada à disputa pela distribuição das magistraturas de Meca entre os descendentes de Cuçai. Após a morte deste, os filhos de Abede Manafe — Abede Xemece, Haxime, Almotalibe e Naufal — contestaram as funções exercidas pelos abedadaritas, alegando possuir maior prestígio entre os coraixitas. A disputa dividiu os clãs de Meca em dois grandes blocos e terminou por meio de um acordo que repartiu as magistraturas entre as duas linhagens. A quiada, correspondente ao comando militar dos coraixitas e também à chefia das caravanas organizadas pela cidade, passou posteriormente a Abede Xemece e permaneceu entre seus descendentes, sendo exercida sucessivamente por Omaia, Harbe ibne Omaia e Abu Sufiane ibne Harbe.

Período pré-islâmico

Abede Xemece integrou, juntamente com seus irmãos Haxime, Almotalibe e Naufal, o grupo conhecido como Companheiros do Ilafe (em árabe: أصحاب الإيلاف; romaniz.: Aṣḥāb al-Īlāf), aos quais a tradição atribui a organização de acordos comerciais com governantes estrangeiros e tribos situadas ao longo das principais rotas utilizadas pelos mercadores coraixitas. Enquanto Haxime teria obtido garantias para o comércio nos territórios do Império Bizantino, Almotalibe dirigiu-se ao Iêmem, Naufal ao Império Sassânida e Abede Xemece à Abissínia. Abede Xemece dedicou-se intensamente ao comércio e passou grande parte da vida fora de Meca, viajando ao Iêmem e à Abissínia para firmar acordos mercantis. As tradições atribuem-lhe o controle do comércio entre Meca e a Abissínia, bem como a abertura dos poços de Tavi, Jafere, Rune e Hume na cidade. Por volta de 600, os omíadas, descendentes de Omaia ibne Abede Xemece, e os maquezumitas ocupavam posição dominante nas redes comerciais dos coraixitas. Os dois grupos estabeleceram alianças econômicas e militares com tribos árabes nômades que controlavam extensas áreas desérticas da Arábia central e setentrional, adquirindo assim certo poder político na região. Os zuraítas, um dos grupos economicamente mais prósperos de Meca, mantinham estreitas relações comerciais com os abedexemecitas. Watt registra ainda que Alabás ibne Abede Almotalibe, embora mais rico que seu irmão Abu Talibe e proprietário, entre outros bens, de um jardim em Taife, não se equiparava aos principais homens dos clãs abedexemecita e maquezumita.

Advento do islã

Entre os abedexemecitas houve tanto primeiros convertidos quanto opositores da pregação de Maomé. Abu Hudaifa ibne Oteba, filho de Oteba ibne Rabia, figurou entre os primeiros convertidos ao islã, enquanto sua irmã Hinde binte Oteba se destacou entre os adversários da nova religião. Oteba, por sua vez, era um dos mais respeitados líderes de Meca, distinguindo-se pela generosidade, eloquência e habilidade poética. Órfão de pai ainda na infância, fora criado sob a tutela de Harbe ibne Omaia. Durante a última batalha da Primeira Guerra Sacrílega, avançou entre os dois exércitos e conclamou as partes à paz, contribuindo para o encerramento do confronto. Mais tarde, participou da reconstrução da Caaba e, depois do início da missão profética de Maomé, integrou com seu irmão Xaiba a delegação coraixita enviada a Abu Talibe para persuadir o sobrinho a abandonar sua pregação. Em outra ocasião, Oteba apresentou a Maomé diferentes propostas para que desistisse de sua missão, mas, segundo a tradição, ficou profundamente impressionado ao ouvi-lo recitar os primeiros versículos da sura Fussilat (41:1–13). As fontes também relatam que costumava ouvir secretamente a recitação do Alcorão. Quando Maomé foi rejeitado e apedrejado em Taife, refugiou-se num pomar pertencente a Oteba e Xaiba, que ordenaram a seu escravo cristão Adas, oriundo de Nínive, que lhe levasse um prato de uvas. Durante o encontro, Adas reconheceu a missão profética de Maomé e converteu-se ao islã, apesar da desaprovação de seus senhores. Oteba e Xaiba também participaram da reunião realizada na Dar Anadua na qual, segundo a tradição, foi decidido o assassinato de Maomé.

Período islâmico e ascensão dos omíadas

Entre os descendentes de Omaia ibne Abede Xemece, Iázide ibne Abi Sufiane foi encarregado por Maomé de recolher o zacate dos Banu Firas, um ramo dos Banu Maleque da tribo dos quinanaítas. Segundo Ibne Habibe, Iázide figurava entre oito omíadas que exerceram cargos oficiais durante a vida de Maomé; na ocasião da morte deste, encontrava-se em Temá desempenhando a função de coletor de impostos, enquanto seu pai, Abu Sufiane ibne Harbe, exercia missão semelhante em Najrã. Depois da morte de Maomé, Calide ibne Saíde e seus irmãos Anre e Abane regressaram a Medina e declararam que não aceitariam exercer cargos administrativos para ninguém além do profeta. Calide retardou por cerca de um mês seu juramento de lealdade a Abu Becre, sustentando que o direito ao califado cabia aos descendentes de Abede Manafe, abrangendo tanto os haxemitas quanto os abedexemecitas. Seu irmão Abane também recusou inicialmente prestar juramento em solidariedade aos haxemitas e somente o fez depois que estes reconheceram Abu Becre. Na tradição histórica, especialmente a xiita, Calide figura entre os primeiros partidários de Ali ibne Abi Talibe, por entender que determinadas declarações atribuídas a Maomé indicavam Ali como o legítimo líder da comunidade muçulmana.

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Fontes consultadas

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