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Arquitetura gótica

A arquitetura gótica é um estilo arquitetónico que teve origem na primeira metade do século XII na Europa Ocidental, a partir da França do Norte e, mais particularmente, do centro dessa região — o domínio real delimitado pelos rios Sena, Marne e Oise —, que se chamava a Francia propriamente dita e, mais tarde, Île-de-France. A partir desse núcleo, esta arte nova inundou toda a Europa cristã no século XIII. Evoluiu a partir da arquitetura românica e foi posteriormente substituída pela arquitetura renascentista, embora tenha continuado a desenvolver-se em algumas regiões europeias até ao século XVI. Com a remodelação da Abadia de Saint-Denis e a construção da Catedral de Sens (1135), a primeira catedral do novo estilo, o gótico é delineado pelas mãos do Abade Suger, e apoio politico da Dinastia capetiana, com excepção das regiões bizantinas, e nas dioceses eclesiásticas a ele associados, bem como nas capelas da Ordem dos Templários.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Nome

Os contemporâneos medievais caracterizavam o estilo em latim como opus Francigenum ("obra francesa" ou "obra dos Francos"), palavras usadas por Burkhard von Hall em 1280 para se referir à Igreja de São Pedro em Wimpfen im Tal, na Alemanha; como opus modernum ("obra moderna"); ou como novum opus ("obra nova"). Os falantes de italiano podiam designá-lo por maniera tedesca ("maneira alemã"). A associação do termo "gótico" aos Godos resultou de interpretações posteriores desenvolvidas durante a Renascença, quando autores italianos empregaram a designação de forma pejorativa para caracterizar a arquitetura medieval como uma arte "bárbara", atribuindo-a simbolicamente aos povos germânicos responsáveis pela queda do Império Romano do Ocidente. Essa associação não implica, contudo, uma relação direta entre os godos históricos e o aparecimento do estilo arquitetónico, que surgiu posteriormente na França do século XII sob a designação contemporânea de opus Francigenum. O "gótico" já usado para designar a língua dos visigodos e ostrogodos, pertence ao ramo oriental das línguas germânicas, atestada em poucos documentos dos séculos III e IV, sendo a principal fonte conhecida os códices da Bíblia traduzidos pelo bispo Ulfilas. Além destes documentos, existem fragmentos de comentários bíblicos, calendários religiosos e inscrições rúnicas. A presença dos visigodos na Península Ibérica entre os séculos V e VIII contribuiu para a formação das línguas ibero-românicas através de fenómenos de superstrato linguístico. Apesar da progressiva romanização desse povo e da adoção do latim vulgar, permaneceram empréstimos lexicais, morfológicos, toponímicos e antroponímicos posteriormente incorporados ao português, galego e castelhano. A atribuição exata desses elementos apresenta dificuldades metodológicas, uma vez que diversos germanismos podem igualmente ter origem em outros grupos germânicos, como francos ou lombardos, além de muitos vocábulos serem apenas formas reconstruídas pelos estudos linguísticos.

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Contexto histórico

O estilo gótico foi criado por Suger, abade da St-Denis, conselheiro de dois reis da França: o Renascimento, para os mercadores de Florença, banqueiros dos reis da Europa

A Nova Europa medieval

O panorama que antecedeu o desenvolvimento da grande arquitetura medieval dependeu diretamente da estabilização geopolítica da Europa Ocidental entre os séculos X e XI. Após séculos de instabilidade causados por invasões e vagas de destruição, a consolidação do sistema feudal e a expansão do cristianismo trouxeram uma nova ordem social e económica. Apesar dos vaticínios mais aterradores da época, o temido Juízo Final e o «fim do mundo», anunciados no Apocalipse de São João Evangelista, não ocorreram no «ano 1000». Por volta do ano 1000, a Europa Ocidental passou por uma profunda reorganização marcada pelo fim das invasões, pela expansão do cristianismo, pelo fortalecimento do feudalismo e pelo crescimento das atividades agrícolas e construtivas. A reforma monástica de Cluny, as peregrinações a Santiago de Compostela, a cristianização de novas regiões europeias e as cruzadas reforçaram a influência da Igreja, enquanto a multiplicação de igrejas, mosteiros, motas feudais e castelos refletia a consolidação do poder senhorial e a transformação da sociedade medieval.

O Mediterrâneo, as Cruzadas e as redes comerciais

As Cruzadas, iniciadas em 1095 por convocação do papa Urbano II, tiveram consequências que ultrapassaram o campo religioso e militar. O contato mais intenso entre o Ocidente latino e o Mediterrâneo oriental ampliou os intercâmbios culturais e comerciais, fortalecendo as redes mercantis europeias. As repúblicas marítimas italianas, como Veneza, Gênova e Pisa, através do porto de Constantinopla, expandiram significativamente as suas atividades comerciais durante esse período. Veneza, alicerçada nos dividendos da Quarta Cruzada, consolidou o domínio na Península Balcânica e fundou feitorias estratégicas, como a de Tana, junto aos mares Negro e de Azov, operando o lucrativo comércio de escravos da Transcaucásia e estabelecendo indústrias locais de seda e vidro. A frota veneziana — apelidada de "Soberana dos Mares" — operava através das chamadas galeras di mercato. O poder político em Veneza concentrava-se nas mãos de uma oligarquia de mercadores que controlava o Grande Conselho e elegia o governador, conhecido como o Doge; para salvaguardar essa estrutura e conter revoltas ou conspirações internas do resto da população, instituiu-se o Conselho dos Dez, um órgão assente num sistema de agentes secretos com prerrogativas de espionagem e eliminação física de dissidentes.

A Igreja e a sociedade medieval

A expansão económica e urbana da Baixa Idade Média ocorreu paralelamente a importantes crises institucionais da cristandade. A primeira delas foi o Grande Cisma do Oriente, em 1054, que formalizou a separação entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Oriental. Posteriormente, entre 1378 e 1417, o Cisma do Ocidente dividiu a própria Igreja Católica, com papas rivais estabelecidos em Roma e Avinhão, provocando uma grave crise de autoridade religiosa e política na Europa. Esta fragmentação do poder eclesiástico abalou o centralismo papal e transferiu parte da liderança e iniciativa eclesiástica para as instâncias e dioceses regionais. Nesse contexto, o patrocínio de igrejas, mosteiros e catedrais adquiriu uma dimensão simbólica ainda maior. Reis, bispos, corporações urbanas e membros da elite financiaram obras monumentais em demonstração à devoção religiosa, prestígio social e legitimidade institucional. Na transição do milénio, o panorama religioso foi marcado pelo franco desenvolvimento do Monaquismo, cujas ordens foram responsáveis pela atividade cultural, artística e pela uniformização estilística inicial da Europa. Os Beneditinos assumiram o pioneirismo através da construção de grandes igrejas abaciais, cujo impacto económico favoreceu o crescimento de cidades ao seu redor, convertendo-as em polos de comércio e aprendizagem.

A catedral

A partir do século XII, a eclosão gótica manifestou-se na catedral, igreja urbana por excelência, obra e expressão de toda a comunidade e verdadeiro símbolo do renascimento das cidades. A catedral afirmava-se como o edifício mais importante do espaço urbano, que além de representar a Urbe na Terra, constituía a concretização da ousadia técnica e empreendedora do Homem medieval, refletindo o esforço supremo de uma sociedade em busca de Deus, traduzindo simultaneamente a capacidade construtiva colocada ao serviço de Deus e o novo pensamento de uma Igreja empenhada em harmonizar a fé e o espírito racional, isto é, em reconciliar a doutrina cristã com o racionalismo clássico.

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Origens

O Gótico Flamejante (do francês flamboyant, literalmente «em forma de chama») é uma forma de arquitetura gótica tardia que se desenvolveu na Europa durante a Baixa Idade Média e o Renascimento, aproximadamente entre 1375 e meados do século XVI. Carateriza-se por curvas duplas e contracurvas que formam padrões em forma de chama no trabalho de traceria, que dá nome ao estilo; pela multiplicação dos elementos decorativos das nervuras das abóbadas e pelo uso ornamental dos arcos. As nervuras da traceria flamejante distinguem-se pelas suas formas fluidas, sinuosas e ondulantes, influenciadas pela traceria curvilínea dos estilos góticos precedentes. Arcos quebrados e frontões muito altos e estreitos, especialmente os arcos em querena ou arco conopial (arc en accolade ou ogee), são frequentes nos edifícios deste estilo, acompanhados de janelas intrincadamente decoradas, lobuladas ou dentilhadas, pináculos de pedra e abundante escultura floral. Observa-se também um aumento do número de nervuras nas abóbadas de cruzaria, que evoluíram para sistemas complexos de terceletes e liernes, reduzindo gradualmente a sua função estrutural primária em favor de um efeito decorativo mais elaborado. Em grande parte da Europa, os estilos góticos tardios substituíram o anterior Gótico Radiante e outras variantes iniciais. Apesar da exuberância da decoração exterior, o desenho estrutural do interior das igrejas deste período manteve-se conservador, consistindo normalmente numa continuidade e repetição espacial do estilo radiante que já se encontrava consolidado há muito tempo.

Percursores normandos

A arquitetura românica e a arquitetura Normanda tiveram uma grande influência na arquitetura gótica. A planta da catedral gótica foi baseada na planta da antiga basílica romana, que foi adotada pela arquitetura românica. A forma da cruz latina, com uma nave e transepto, coro, deambulatório e capelas radiantes, provinha do modelo românico. As grandes arcadas das colunas que separam a nave central da nave dos corredores colaterais, o trifório sobre as grandes arcadas e as janelas altas nas paredes que permitiam a entrada de luz na nave também foram adaptadas do modelo românico. O portal com um tímpano cheio de esculturas era outra característica românica comum, assim como o uso do contraforte para sustentar as paredes do lado de fora. Os arquitetos góticos os aprimoraram adicionando o arcobotante, com arcos altos que ligavam os contrafortes às paredes superiores. No interior, a arquitetura românica usava a abóbada de canhão com um arco redondo para cobrir a nave e uma abóbada de aresta quando duas abóbadas se encontravam em ângulo reto. Essas abóbadas eram os ancestrais imediatos da abóbada em cruzaria gótica. O primeiro uso das abóbadas em cruzaria góticas para cobrir uma nave foi na catedral românica de Durham (1093-1104).

Protogótico (1130-1200)

— Otto von Simon, A catedral gótica. Origens da arquitetura gótica e o conceito medieval de ordem, Lisboa, Editorial Presença, 1991, pp. 27-40 O estilo gótico desenvolveu-se a partir do românico como consequência do crescimento populacional, da prosperidade económica das cidades e do desejo urbano de exprimir a grandeza local. O impulso inicial foi moldado por correntes teológicas que identificavam a entrada da luz com o espírito divino e a energia criadora do universo. Paralelamente, a necessidade de acolher grandes multidões de peregrinos em centros como a Catedral de Chartres e a Catedral de Cantuária exigiu espaços mais amplos e desimpedidos, impulsionando soluções de engenharia mais eficientes e racionais, capazes de alcançar a máxima estabilidade com o mínimo de matéria. Temas decorativos figurativos ou fantásticos, típicos do românico, foram sendo progressivamente abandonados em favor de folhagens estilizadas e molduras geométricas mais sóbrias.

Fase inicial

A arquitetura normanda, em ambos os lados do Canal da Mancha, desenvolveu-se paralelamente em direção ao chamado gótico inicial. Alguns elementos que seriam típicos do gótico podem ser encontrados em edifícios anteriores ao século XII. O arco ogival e as abóbadas de nervuras, por exemplo, já eram utilizados na arquitetura oriental e chegaram à Europa por intermédio da arquitetura islâmica, sendo observados nas mesquitas erguidas na Península Ibérica entre os séculos IX e XI. Por outro lado, da arquitetura anglo-normanda dos séculos XI e XII provêm os primeiros sistemas para harmonizar os pilares portantes com os muros sobre os quais é colocada uma abóbada de nervuras. Estes elementos de transição já estavam presentes na Inglaterra, na Sicília e na Normandia no século XI, tendo sido utilizados, por exemplo, na Catedral de Durham (1093–1133) e na Abadia de Lessay (1098). Da arquitetura românica normanda derivam também os muros de contraforte, os primeiros ensaios de arcobotantes e as galerias ao nível das janelas.

Expansão do gótico na Europa

No final do século XII, a Europa apresentava-se fragmentada numa multiplicidade de reinos e cidades-estado. A região correspondente às atuais Alemanha, sul da Dinamarca, Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, Áustria, Eslováquia, Chéquia e a maior parte do norte da Itália integrava nominalmente o Sacro Império Romano-Germânico, sob forte autonomia dos senhores locais. Em paralelo, territórios como França, Dinamarca, Polónia, Hungria, Portugal, Escócia, Castela, Aragão, Navarra, Sicília e Chipre operavam como reinos independentes. Neste cenário, destacou-se o Império Angevino, governado pela Dinastia Plantageneta, que detinha o controlo da Inglaterra. A proximidade histórica e política fez com que a Inglaterra fosse uma das primeiras regiões a adotar a nova arquitetura gótica de origem francesa, logo na segunda metade do século XII, após a ascensão de Henrique II ao trono inglês em 1154.

Gótico Clássico (1190-1240)

A Catedral de Chartres é considerada o edifício-chave na afirmação do gótico maduro, tornando-se de imediato um verdadeiro modelo para as catedrais coevas. A estrutura românica original foi destruída por um incêndio a 10 de junho de 1194 e reconstruída segundo o novo gosto que se propagava pela Île-de-France. Chartres era, por outro lado, uma rica sede episcopal, cuja catedral albergava a túnica que se acreditava ter sido usada pela Maria no nascimento de Jesus. O culto mariano era particularmente forte e desempenhava um papel importante na economia da cidade: o bispo e o seu cabido organizavam anualmente quatro feiras por ocasião das quatro principais festividades marianas (Natividade, Anunciação, Purificação e Assunção).

Gótico Radiante (1240–1370)

O estilo Gótico Radiante (rayonnant ou cintilante) acompanhou o fortalecimento da monarquia capetiana a partir de 1230. Nos refinados ambientes da corte, consolidou-se o gosto por edifícios requintados, caraterizados por uma profusão de decorações esculpidas, pinturas e iluminação colorida. Abandonaram-se as massas poderosas do período anterior em favor de uma maior verticalização e de uma divisão mais equilibrada dos espaços. O termo radiante deriva do desenho radial que se pode observar nas grandes rosáceas das catedrais, descrevendo a tendência para o uso de linhas radiais na traceria ou reticulado, visível nas aberturas de tal modo que as paredes ficam praticamente todas envidraçadas.

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Elementos do Estilo Gótico

Até a atualidade, a arquitetura gótica ficou conhecida por ser encontrada com mais frequência nas grandes catedrais e em outros estabelecimentos eclesiásticos construídos ainda no início do período medieval, período em que exerciam grande influência em toda Europa. Durante o período gótico — séculos XII a XV — o poder religioso buscava converter sua importância para as estruturas de igrejas, catedrais e abadias através da grandiosidade dimensional presente na arquitetura gótica. A arquitetura gótica representa uma transformação operacional do edifício românico, caracterizada por maior exatidão no traçado. Completa-se com a integração espacial e formal dos espaços e com a perda da independência das partes que compunham a igreja românica. A verticalidade é assumida por todo o edifício, onde a nave se torna mais curta e há eventual deslocamento do cruzeiro para a posição central no eixo longitudinal. O coro é ampliado. Existe exploração da abóbada de cruzaria, com integração geométrica dos elementos da planta, enquanto o exterior perde todo o caráter maciço.

Planta

A planta da catedral gótica baseava-se no modelo da antiga basílica romana, que era um mercado público combinado e um tribunal; que também foi a base da planta da catedral românica. A catedral tem a forma de uma cruz latina. A entrada é tradicionalmente no extremo oeste, tem três portais decorados com escultura, geralmente com uma rosácea, e é ladeado por duas torres. A nave longa, onde a congregação adorava, ocupa o extremo oeste. Este é geralmente dividido a partir da nave por fileiras de pilares, que suportam o telhado, ladeado por uma ou duas naves laterais (ou colaterais). Estes pilares possuem, por vezes, arcos torais que se prolongam nos colunelos, interrompidos na sua altura por mísulas, o que cria um ritmo periódico modular. Normalmente há pequenas capelas nos dois lados, colocadas entre os contrafortes, que fornecem apoio adicional às paredes.

O arco ogival e a abóbada em cruzaria

A tipologia das abóbadas varia de um país para outro e as suas formas dependem do método de conceção e de construção utilizado. O estilo gótico evoluiu em relação ao românico tardio e, no séc. XIII, as estruturas tornaram-se cada vez mais leves. Multiplicam-se as ogivas da abóbada com a utilização de terciarões e liernes fragmentando a superfície das abóbadas até aos limites consentidos pela técnica. Surgem abóbadas hexapartidas e sexpartidas que já não se cingem aos quatro painéis definidores dos tramos e apresentam um arco intermédio, dividindo a meio os arcos formeiros do tramo; as abóbadas estreladas e as abóbadas em leque, podem considerar-se como o culminar da arte construtiva gótica. Apareceu pela primeira vez nas abóbadas do coro da Catedral de Lincoln no final do século XII, depois na Catedral de Worcester em 1224 e, em seguida, no transepto sul da Catedral de Lichfield.

Colunas e pilares

Na arquitetura gótica inicial francesa, os capitéis das colunas eram modelados com base nas colunas romanas da ordem coríntia, com folhas finamente esculpidas. Foram utilizados no deambulatório da igreja abacial de Saint-Denis. De acordo com o seu construtor, o abade Suger, foram inspirados nas colunas que tinha visto nas antigas termas de Roma. Foram utilizados mais tarde em Sens, na Notre-Dame de Paris e em Cantuária, na Inglaterra. Nas igrejas góticas iniciais com abóbadas de cruzaria sexpartidas, as colunas na nave alternavam com pilares mais maciços para fornecer suporte às abóbadas. Com a introdução da abóbada nervurada de quadripartida, todos os pilares ou colunas na nave puderam ter o mesmo desenho. No período do Gótico Pleno, foi introduzida uma nova forma, composta por um núcleo central rodeado por várias colunas delgadas adossadas, ou colonetas, que subiam até às abóbadas. Estas colunas agrupadas (ou pilares fasciculados) foram utilizadas em Chartres, Amiens, Reims e Bourges, na Abadia de Westminster e na Catedral de Salisbury. Outra variação era a coluna quadrilobada, com a forma de um trevo, formada por quatro colunas adossadas. Na Inglaterra, era costume que os pilares fasciculados fossem ornamentados com anéis de pedra, bem como colunas com folhas esculpidas.

Arcobotantes

Outra característica importante da arquitetura gótica foi o arcobotante, projetado para suportar as paredes por meio de arcos conectados a contrafortes fora das paredes. Os arcobotantes existiam em formas simples desde os tempos romanos, mas os construtores góticos elevaram o seu uso a uma arte refinada, equilibrando o impulso do teto interno contra o contraimpulso dos contrafortes. As primeiras catedrais góticas, incluindo Saint-Denis e Notre-Dame em seus estágios iniciais, não possuíam arcobotantes. A suas paredes eram apoiadas por pesados ​​pilares – botaréus – de pedra colocados diretamente contra as paredes. O tramo[c] era sustentado pelas nervuras das abóbadas, alinhadas com as colunas abaixo. Para obviar a necessidade de espessar as paredes ou robustos contrafortes, como acontecia no período românico, os arquitectos medievais criaram um novo tipo de contraforte, mais esbelto e elegante, que era constituído por dois elementos: o botaréu (elemento vertical adossado às paredes exteriores das naves laterais geralmente diminuía de espessura com a altura, e os arcobotantes – espécie de meios arcos construídos por cima das coberturas das naves laterais que transferiam as cargas das coberturas para os botaréus, normalmente coroados por pináculos ou agulhas.

Vitrais e Iluminação

— [Inscrição numa das portas de bronze da Abadia de Saint-Denis, por ordem do abade Suger (c. 1081-1151)] Ricardo da Costa e Tainah Neves, «A contemplação anagógica na Abadia de Saint-Denis (séc. XII)» in Mirabilia 20, 2015, p. 28. (Texto adaptado) Uma das características mais proeminentes da arquitetura gótica era o uso de vitrais, que cresciam em altura e tamanho, enchendo as catedrais de luz e cor. Historiadores como Viollet-le-Duc, Focillon, Aubert e Max Dvořák afirmaram que esta é uma das características mais universais do estilo gótico. Os vitrais, elementos centrais dessa nova estética, transformavam a luz natural num caleidoscópio de cores e significados, criando ambientes que convidavam à introspecção e à elevação espiritual. Cada janela colorida não era apenas um recurso decorativo, mas um meio de transmitir histórias sagradas, conceitos religiosos, históricos e sociais, funcionando como uma linguagem visual destinada à instrução dos fiéis e à simbolização da presença do divino.

Portais e Tímpano

As entradas da catedral tornam-se monumentais em todas as fachadas (a principal, de portal triplo, e as do transepto); os portais encontram-se talhados num corpo saliente da fachada, e ladeados por torres sineiras que imprimem maior verticalidade ao conjunto, podendo estar também adossadas ao transepto; estas torres terminavam em telhados cónicos ou em flechas rendilhadas, e prolongavam-se em pináculos e agulhas que acentuam os elementos verticais da construção. Também no exterior se concentrava a abundante decoração escultórica, contrastando com a maior sobriedade do interior. As antigas catedrais góticas tradicionalmente têm sua entrada principal no extremo oeste da igreja, em frente ao coro. Os tímpanos dos pórticos abocinados góticos constituem um dos mais importantes espaços de expressão da escultura monumental medieval, funcionando simultaneamente como instrumento de catequese visual e de afirmação doutrinal aos fiéis, com temas como Cristo em Majestade (Maiestas Domini); Coroação da Virgem; Dormição ou Assunção da Virgem; Infância de Cristo (Anunciação, Natividade, Adoração dos Magos); Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo; Vida de santos padroeiros locais; ou o Juízo Final. A composição dos tímpanos góticos tende a apresentar uma organização hierárquica, centrada na figura principal da representação, geralmente Cristo ou a Virgem, contudo, a disposição das figuras varia de acordo com o tema iconográfico e o programa escultórico de cada portal. Na Catedral de Amiens ou na Catedral de Notre-Dame de Paris a composição organiza-se segundo uma estrutura hierárquica e axial, dominada pela figura de Cristo em Majestade, sentado no trono e colocado no centro da composição como juiz supremo da humanidade. Ao redor de Cristo distribuem-se anjos, santos e intercessores, reforçando a dimensão escatológica da cena. A composição estabelece uma clara oposição simbólica entre os destinos da alma após a morte. À direita de Cristo desenvolve-se o espaço harmonioso e ordenado dos eleitos, associado ao Paraíso e à salvação eterna; à sua esquerda encontra-se o domínio dos condenados, caracterizado pela presença de monstros, demónios e cenas de sofrimento que evocam o Inferno. Esta dualidade espacial traduz visualmente a separação entre o Bem e o Mal, entre a recompensa e o castigo. Um dos elementos centrais da iconografia gótica do Juízo Final é a pesagem das almas (psicostasia), frequentemente representada na mandorla, o eixo central do tímpano. As divisões em bandas ou orlas da mandorla podem ser preenchidas por uma "guirlanda de anjos" ou um fundo estrelado que representa o reino celestial. Nesta cena, São Miguel Arcanjo surge como protagonista do julgamento, segurando a balança onde são avaliadas as ações humanas. Os pratos da balança podem conter a representação da alma sob a forma de uma pequena figura humana em oração ou símbolos das boas e malas ações. Junto de São Miguel aparecem frequentemente figuras demoníacas que procuram alterar o resultado do julgamento, tentando fazer pender a balança para o lado da condenação, numa representação dramática da luta entre forças celestes e infernais pela posse da alma. Nos registos inferiores, os mortos ressuscitados aguardam o julgamento definitivo. Os justos são acolhidos por anjos e conduzidos em direção à porta do Paraíso, representada como um espaço luminoso e seguro, enquanto os condenados são empurrados por demónios para a boca do Leviatã ou para as portas do Inferno. Esta organização estabelece uma articulação entre o julgamento individual da alma e o Juízo Universal, tema recorrente na escultura gótica. A disposição rigorosa das figuras, a hierarquia dos registos e o simbolismo moral das cenas conferem aos tímpanos góticos uma função pedagógica destinada a recordar aos fiéis as consequências eternas das suas ações e a necessidade da salvação cristã.

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Gótico Inglês

O Gótico Inglês (English Gothic) é um estilo arquitetónico que floresceu na Inglaterra desde o final do século XII até meados do século XVII. A partir da segunda metade do século XII, o estilo gótico da Île-de-France difundiu-se na Inglaterra, onde se desenvolveu segundo características próprias. O estilo foi importado muito cedo para o país, em parte devido à estreita ligação com o Ducado da Normandia, que até 1204 ainda era governado pelos reis da Inglaterra. Embora o país já utilizasse abóbadas ogivais no final do século XI, como na Catedral de Durham, as construções eram massivas e de caráter essencialmente românico. Muitas das características góticas evoluíram naturalmente da arquitetura românica (frequentemente conhecida na Inglaterra como arquitetura normanda). Assim como no continente, as características definidoras da arquitetura gótica são os arcos apontados (ogivais), as abóbadas em cruzaria, os contrafortes e o uso extensivo de vitrais. Combinados, estes elementos permitiram a criação de edifícios de altura e grandiosidade inéditas, preenchidos pela luz de grandes janelas.

Primeiro Gótico Inglês

O primeiro período foi dominante de 1180 a 1275. O Gótico foi introduzido a partir da França, onde os vários elementos tinham sido usados juntos pela primeira vez no coro da Abadia de Saint-Denis, a norte de Paris, concluída em 1144. Outras influências vieram da Île-de-France, onde a primeira catedral gótica francesa, a Catedral de Sens, fora erguida entre 1140 e 1160. Em setembro de 1174, um incêndio destruiu quase por completo o coro românico da Catedral de Cantuária. O prestígio da igreja era enorme por ser a sede do primaz de Inglaterra e de um importante mosteiro beneditino, servindo de centro ao culto de São Tomás Becket, assassinado na própria catedral em 1170. Para a sua reconstrução, decidiu-se seguir a nova moda arquitetónica que naqueles anos se estava a difundir na Île-de-France, mas o mestre francês chamado para este efeito, Guilherme de Sens, não conseguiu convencer os monges a eliminar totalmente os vestígios do coro normando. Assim, edificou-se sobre a cripta preexistente uma nova estrutura gótica, inspirada nas catedrais de Laon e de Notre-Dame de Paris. A nova construção apresenta um alçado de três pisos com abóbadas de ogivas sexpartidas que assentam sobre semicolunas de mármore negro de Purbeck polido, em redor das quais se desenvolve um deambulatório semicircular. Guilherme adicionou vários toques originais, incluindo um pavimento de mármore colorido e colunas duplas nas arcadas. A desmaterialização da parede e a substituição da coluna monolítica pelo feixe de colunas delgadas, conhecidas como colunas fasciculadas, permitem que o olhar percorra o edifício sem interrupções, do pavimento ao fecho da abóbada, numa continuidade de linhas que expressa a clareza e o ordenamento racional do pensamento medieval.

Gótico Decorado ou Ornado

O influxo do gótico cortese proveniente da França e introduzido com a intervenção na Abadia de Westminster é visível nas catedrais de Hereford, Lichfield, no Angel Choir de Lincoln, acrescentado entre 1256 e 1280, na sala do capítulo e no claustro de Salisbury. Por volta de 1290, atinge a sua plena maturidade o estilo ornato, também conhecido como estilo curvilíneo (Curvilinear Style). Um dos primeiros exemplos reside no uso das curvas duplas que caraterizam a decoração das doze Cruzes de Eleonora, erguidas entre 1291 e 1294 por Eduardo I para assinalar o percurso fúnebre da rainha Eleonora de Castília desde o Lincolnshire até Westminster. Estas exibem na base uma rica decoração floral feita de curvas duplas, que reelaboram os modelos florais típicos do gótico radiante francês.

Gótico Perpendicular (Perpendicular Style)

Além do gótico ornado, a introdução do estilo radiante na Abadia de Westminster levou à difusão em Inglaterra de uma segunda tendência: o Perpendicular Style, ou gótico perpendicular. O nome deriva do facto de as estruturas decorativas estarem organizadas segundo um esquema estritamente retilíneo voltado para o alto. O primeiro exemplo do gótico perpendicular é a Capela de Santo Estêvão em Westminster, construída por vontade de Eduardo I, da qual hoje sobrevive apenas a cripta pesadamente modificada. A realização conheceu três fases: 1292–1297, 1320–1326 e 1330–1348. Aqui, Michele de Canterbury e o seu filho Tommaso, que lhe sucedeu em 1323, tinham recuperado e desenvolvido elementos do gótico cortese, reelaborando-os segundo o estilo perpendicular. Esta tendência prosseguiria na antiga Catedral de São Paulo em Londres, e em particular na sala do capítulo do claustro, desenhada por William Ramsey e hoje destruída, onde era visível o primeiro exemplo de traforo perpendicular retilíneo e o primeiro arco de quatro centros.

Arquitetura Civil

À semelhança do gótico francês, também neste caso a apresentação se encerra com uma breve referência à arquitetura civil inglesa do período. Os primeiros exemplos de edifícios não religiosos em estilo gótico podem ser considerados os castelos que Eduardo I mandou construir no final do século XIII, após a conquista do País de Gales. No geral, nota-se um forte sentido de simetria, como no Castelo de Harlech ou na planificação urbana da cidade de New Winchelsea. A residência de campanha em Acton do bispo Burnell, chanceler de Eduardo I, apresenta-se como um bloco retangular com uma torre de planta quadrada em cada ângulo. Em sentido inverso a esta aspiração de harmonia geométrica, o Castelo de Stokesay fixou uma disposição assimétrica das suas várias partes, convertendo-se num modelo para a posterior arquitetura civil medieval inglesa.

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Europa Central

No resto da Europa, o gótico difundiu-se mais tarde em comparação com a França e a Inglaterra, e em algumas regiões encontrou inclusive resistência. Na Europa central (que correspondia em grande parte aos territórios do Sacro Império Romano) e meridional, podem-se, portanto, admirar sobretudo construções em estilo tardo-gótico, que alcançou resultados de grande relevo.

Gótico alemão

Houve uma desconfiança inicial nos países de língua alemã em relação ao novo estilo proveniente da França. Desde a época de Carlos Magno, e depois sob os Otões e os Hohenstaufen, os mestres construtores das regiões ocidentais do Império — e em particolare na bacia do Reno entre Basileia e Colónia — tinham desenvolvido um estilo arquitetónico original de forte matriz românica. A transição foi lenta e, inicialmente, foram realizados edifícios que fundiam características do gótico com elementos ainda tipicamente românicos. Exemplos desta fase são o coro da catedral de Magdeburgo (1208) e a igreja colegiada de São Jorge em Limburgo do Lahn (1211-35).

Gótico de tijolos

Nas regiões mais a norte, nas cidades hanseáticas e bálticas (como na Alemanha Setentrional e na Polónia), a falta de pedreiras para a extração de rochas naturais levou à criação de um estilo gótico particular baseado no tijolo, chamado Backsteingotik (gótico de tijolos). Os construtores da época conseguiram conjugar o emprego deste material mais pobre com a elevação e a leveza próprias do gótico francês, simplificando as suas formas sem renunciar à sumptuosidade. Os principais exemplos deste estilo incluem a Igreja de Santa Maria em Lubeque (1250-1350), a Igreja de Santa Maria em Gdansk (1379–1502), a Basílica de Santa Maria em Cracóvia (1290–1365) e o Castelo de Malbork (século XIII). Não se limitaram apenas à arquitetura religiosa: foram lançados planos urbanísticos inteiros segundo o estilo gótico das regiões hanseáticas, com a construção de edifícios civis e públicos, como a famosa porta Holstentor em Lubeque, e estruturas em Chorin, Prenzlau e Stralsund.

Suábia e Boémia

Na Suábia e na Boémia, a difusão do gótico está ligada ao trabalho dos Parler, uma dinastia de mestres de obras que construíram uma vasta rede de relações profissionais. Originalmente, o termo 'parler' indicava o primeiro ajudante do mestre de obras (magister operis), e apenas a partir do século XIV se tornou o apelido da família. O patriarca foi Heinrich I, o Velho, cujos descendentes estenderam a sua influência artística por grande parte da Boémia, na área germano-austríaca, chegando até ao Brabante e à Flandres. Nos seus trabalhos reconhecem-se elementos recorrentes na disposição dos espaços e na conformação das abóbadas complexas, o que justifica o termo Parlergotik.

Flandres, Brabante e Países Baixos

Na Idade Média, a atual Bélgica e os Países Baixos faziam parte da esfera de influência artística da diocese de Colónia e da França. É, no entanto, na arquitetura civil e pública que o gótico desta região atingiu o seu apogeu. A partir do final do século XIII, a área da Flandres e do Brabante esteve no centro de uma riquíssima rede comercial e têxtil. A opulência da burguesia favoreceu o desenvolvimento da vida cívica, que se manifestou em edifícios grandiosos decorados em cantaria: as hallen (grandes mercados e armazéns de mercadorias) e os palácios municipais (câmaras). Para simbolizar o poder secular frente ao religioso, estes edifícios civis foram dotados de altivos campanários ('beffrois'), assemelhando-se em escala às grandes catedrais.

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Gótico do Sul Europeu

Gótico italiano

O gótico chegou tarde a Itália e não encontrou condições para se enraizar profundamente, devido à tradição clássica fortemente presente na península. O estilo gótico italiano foi profundamente influenciado pela geopolítica das suas cidades-estado e pelos materiais disponíveis nas diferentes regiões: o mármore estava disponível em grandes quantidades na Toscana, sendo generosamente utilizado no revestimento das superfícies, enquanto a sua escassez na Lombardia induziu o uso sistemático e autónomo do tijolo. Muitos dos elementos arquitetónicos transalpinos foram rejeitados ou profundamente subvertidos, refletindo opções arquitetónicas associadas às tradições urbanas italianas e ao distanciamento em relação ao modelo da catedral da Île-de-France.

Reino de Castela e o Gótico Pleno

Na Península Ibérica, os elementos do gótico francês foram introduzidos pelos cistercienses na segunda metade do século XII. Os primeiros exemplos foram os mosteiros de Veruela, Poblet e Santas Creus. Muito cedo se aplicaram as abóbadas de ogivas no interior de edifícios de matriz ainda plenamente românica, como no Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela ou na catedral de Zamora. O estilo gótico na Península Ibérica apresenta variações surpreendentemente diferentes das do resto da Europa, fruto de um período de transição em que o final do românico alternava com raras expressões do gótico puro. Em 1172, o arquiteto francês Giral Fruchel projetou a primeira catedral gótica do território, a Catedral de Ávila, em Castela, que representa precisamente esta fusão entre o românico e o gótico. Inspirado pela Basílica de Saint-Denis, o rei Afonso VIII de Castela exigeu para Ávila uma planta com capelas radiantes e duplo deambulatório. Entre os primeiros edifícios a empregar de forma coerente os elementos do estilo gótico contam-se a igreja de São Vicente e a própria catedral de Ávila.

Catalunha, Baleares e Valência

Na Catalunha, nas Baleares e em Valência, territórios então controlados pela Coroa de Aragão, desenvolveram-se características muito originais entre 1262 e 1393, inspiradas em parte pelas igrejas das ordens mendicantes, que privilegiavam uma nave única ladeada por capelas laterais. Entre estas, a mais importante é a igreja de Santa Maria do Pino em Barcelona (iniciada em 1322), na qual o grande volume unitário do interior é ritmado pelas capelas inseridas nos flancos. Uma idêntica conceção espacial encontra-se em estruturas com múltiplas naves, como na catedral de Barcelona, iniciada em 1298 mas concluída apenas no século XIX. As capelas estão integradas na própria estrutura portante, fazendo com que as paredes divisórias assumam a função de contrafortes internos. Apresenta, além disso, arcadas altíssimas, reduzindo as janelas superiores a meros óculos. A nave central é coberta por quatro grandes tramos de abóbada quadrados, que descarregam o seu peso sobre as capelas, as tribunas e os contrafortes. Paralelamente, a Catedral de Valência (séculos XIII a XV) desenvolveu-se seguindo esta tendência regional de espacialidade ampla.

Espanha

A intensa atividade arquitetónica em Espanha manteve-se firme até ao final da Idade Média. De entre as catedrais planeadas no início do século XV, a mais majestosa é a catedral de Sevilha (1401), desenhada com uma planta de cinco naves e capelas embutidas diretamente nos contrafortes exteriores. As abóbadas elevam-se até ao nível das frestas superiores em estilo flamejante, onde se situa a secção do clerestório. Em 1469, o país alcançou a unificação política em resultado do casamento entre Fernando de Aragão e Isabel de Castela; em 1492, seguiu-se a anexação do Reino de Granada, até então o último domínio muçulmano, e em 1512 foi conquistado o Reino de Navarra. No século XVI, a Espanha converter-se-ia na potência hegemónica da Europa, consolidada com a coroação de Carlos V (Carlos I de Espanha) como imperador do Sacro Império. Nos finais do século dezoito difundiu-se, assim, um novo estilo denominado isabelino, no qual se fundem as características do gótico flamejante com elementos de filiação mudéjar e os primeiros influxos renascentistas.

Portugal

A arquitetura gótica foi introduzida em Portugal no final do século XII, afirmando-se progressivamente ao longo dos séculos seguintes no contexto da consolidação do reino e da expansão da Igreja Católica, servindo também como uma necessidade de afirmação da independência do território. Os primeiros a introduzir o estilo foram os monges cistercienses, que adotaram um modelo austero e despojado, assente em ritmos modulares e abóbadas de canhão quebrado, visíveis na edificação da sua Abadia de Alcobaça (iniciada em 1178 e habitada a partir de 1222). Fundada por D. Afonso Henriques para a Ordem de Cister, constitui a primeira grande edificação inteiramente gótica do país. O claustro da Sé Velha de Coimbra corresponde igualmente a esta primeira fase. Contudo, a transição do românico para o gótico ocorreu lentamente, persistindo numerosas igrejas de caráter românico-gótico durante os séculos XIII e XIV. A introdução das abóbadas de ogivas sobre estruturas ainda marcadas pelo românico permitiu elevar a altura dos templos, sendo as antigas abóbadas de berço progressivamente substituídas pelas abóbadas de cruzaria de ogivas, o que originou o desenvolvimento dos arcos botantes para suportar o peso das coberturas. Esta evolução técnica foi acompanhada por influências provenientes da costa ocidental francesa, cujas relações comerciais e dinásticas — como as estabelecidas com os Evreux — trouxeram modelos arquitetónicos que ligavam Portugal, as Astúrias e outras regiões peninsulares ao sudoeste de França. Os materiais empregados nesta fase eram os disponíveis regionalmente: o granito nortenho, o calcário macio na região de Coimbra e a pedra-lioz em Lisboa.

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Gótico na América Colonial

Há arquitetura gótica tardia em algumas das mais antigas igrejas cristãs construídas nas Américas. Alguns exemplos que podem ser mencionados incluem a Catedral da Basílica de Santa María la Menor, em Santo Domingo, construída entre 1514 e 1541; o edifício é principalmente gótico e é a catedral mais antiga das Américas. A Catedral Metropolitana da Cidade do México começou a ser construída em 1573, e retém elementos góticos como as duas abóbadas da sacristia e as abóbadas que cobrem a sala capitular. Outro exemplo é o convento franciscano de San Gabriel em Cholula, região metropolitana de Puebla, México, onde o exterior e o interior são parcialmente góticos, embora a torre seja barroca, e foi construída entre as décadas de 1540 e 1550. No campo da arquitetura gótica civil, um exemplo notável é o Palácio de Cortés em Cuernavaca, México, construído entre 1523-1528, o qual é a mais antiga estrutura civil da era colonial conservada nas Américas continentais. O palácio tem um estilo que combina gótico e mudéjar.

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Abadias e Mosteiros

Enquanto as catedrais eram as estruturas mais proeminentes no estilo gótico, as características góticas também foram utilizadas em muitos mosteiros em toda a Europa. Exemplos proeminentes foram construídos pelos beneditinos na Inglaterra, França e Normandia. Eles eram os construtores da Abadia de Saint-Denis e da Abadia de Saint-Remi na França. Mais tarde, os projetos beneditinos (construções e reformas) incluem a Abadia de Saint-Ouen, a Abadia La Chaise-Dieu de Rouen e o Coro do Monte Saint-Michel na França. Os exemplos ingleses são a Abadia de Westminster (originalmente construída como uma igreja monástica de ordem beneditina) e a reconstrução da igreja beneditina em Cantuária. Os cistercienses espalharam o estilo no extremo leste e sul da Polônia e da Hungria. Ordens menores como os Cartuxos e os Premonstratenses também construíram cerca de 200 igrejas, geralmente próximas das cidades. Os Franciscanos e Dominicanos também realizaram uma transição para o gótico nos séculos XIII e XIV. A Ordem Teutônica, uma ordem militar, espalhou a arte gótica na Pomerânia, na Prússia Oriental e na região do Báltico.

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Arquitetura Cívica

O estilo gótico apareceu em palácios na França, incluindo o Palácio Papal em Avignon e o Palais de la Cité em Paris, perto da Notre-Dame de Paris, iniciado em 1119, que foi a principal residência dos reis franceses até 1417. A maior parte do Palais de la Cité se foi, mas duas das torres originais ao longo do Sena, os tetos abobadados do Salão dos Soldados (1302), (agora na Conciergerie) e a capela original, Sainte-Chapelle, ainda podem ser visto. O maior edifício cívico construído em estilo gótico na França foi o Palais des Papes (Palácio dos Papas) construído entre 1252 e 1364, quando os papas fugiram do caos político e das guerras que envolviam Roma. Dada a complicada situação política, combinou as funções de uma igreja, uma sede do governo e uma fortaleza. No século VI, após o período gótico tardio (ou flamejante), elementos de decoração gótica emprestados de catedrais começaram a aparecer nas prefeituras do norte da França, no Flandres e na Holanda. O Hôtel de Ville de Compiègne tem uma torre sineira gótica imponente, com uma agulha cercada por torres menores, e suas janelas são decoradas com elogios ornamentados ou arcos ornamentais. Da mesma forma, prefeituras extravagantes foram encontradas em Arras, Douai, Saint-Quentin, e na Bélgica moderna, em Bruxelas, Gante e Bruges.

Universidades Góticas

— Jacques Le Goff, Os Intelectuais na Idade Média, Lisboa, Editorial Estúdios Cor, 1973, p. 98 (texto adaptado) As primeiras universidades da Europa estavam intimamente associadas à Igreja Católica, e no final do século XV adaptaram variações do estilo gótico para sua arquitetura. O estilo gótico foi adaptado dos mosteiros ingleses para uso nas primeiras faculdades da Universidade de Oxford, incluindo o Magdalen College. Também foi um estilo usado na Universidade de Salamanca, na Espanha. O uso do estilo gótico tardio em Oxford e na Universidade de Cambridge inspirou a pitoresca arquitetura gótica nas faculdades americanas dos séculos XIX e XX.

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Fontes consultadas

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