Voz humana
A voz é uma das ferramentas primárias e mais imediata que o ser humano dispõe para interagir com a sociedade. Através da voz é possível transmitir ideais, sentimentos e intenções no ato comunicativo. Este instrumento pode ser usado para falar, cantar, gargalhar, bocejar, soluçar, chorar, gritar etc. O tom da voz pode ser modificado para sugerir emoções como raiva, surpresa e felicidade. A partir do significado que é atribuído às suas relações sociais, o sujeito pode criar uma voz peculiar e que desempenhe uma função específica perante as experiências que estabelece em sua vida. Além de ferramenta de interação social, a voz carrega traços da faixa etária, sexo, tipo físico, personalidade e estado emocional de um indivíduo. A transmissão da emoção é observável na emissão vocal pelo envolvimento de vias neuromotoras que geram um sentido de inter-relação na comunicação, e se modifica de acordo com a situação e o contexto.
A voz é produzida quando o ar respiratório (vindo dos pulmões) passa pelas pregas vocais, e por nosso comando neural, por meio de ajustes musculares, faz pressões de diferentes graus na região abaixo das pregas vocais, fazendo-as vibrarem. Esse mecanismo se assemelha ao balão, quando o secamos apertando sua "boca", provocando um ruído agudo, fruto da vibração da borracha. O ar expiratório, que fez as pregas vocais vibrarem, vai sendo modificado e os sons vão sendo articulados (vogais e consoantes). Depois, emitidos pela boca, criam a onda sonora que vai atingir a cóclea do ouvinte. Então a voz é ouvida. As pregas vocais vibram muito rapidamente. Nos homens, esse número de ciclos vibratórios fica em torno de 125 vezes em um segundo. Na mulher, que tem voz, geralmente, mais aguda, o número aumenta para 250 vezes por segundo. A essa característica damos o nome de frequência. As pregas vocais do homem têm mais massa e são menos esticadas que as da mulher (como no violão, as cordas mais esticadas são mais agudas e vibram mais que as cordas mais graves).
A teoria mais amplamente aceita da fonação é a teoria mioelástica- aerodinâmica (van den Berg, 1958). Ela foi proposta por dois cientistas do século XIX - Helmholtz e Muller - e mais tarde foi refinada por van den Berg na década de 1950. A teoria mioelástica-aerodinâmica une a musculatura laríngea e as forças aerodinâmicas da respiração para explicar a produção da voz. Essa teoria compreende princípios da elasticidade e aerodinâmica de tecidos musculares, baseando seus conceitos na pressão subglótica, elasticidade e o efeito de Bernoulli. O efeito Bernoulli postula que, quando um gás ou líquido flui através ou ao redor de uma constrição, a velocidade do gás ou líquido aumenta. O súbito aumento na velocidade, por sua vez, provoca uma queda na pressão do gás ou fluido em relação às paredes da constrição pela qual ele passa. O resultado final é um vácuo entre as paredes da constrição (figura 3).
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Os seres humanos têm a capacidade de modificar sua voz. Eles podem mudar o pitch (sensação psicoacústica da frequência fundamental habitual) vocal com o objetivo de regular a prosódia durante a fala ou com o objetivo de cantar - podendo realizar um som gutural de muito baixo pitch (chamado de som crepitante, ou vocal fry), ou um som de pitch muito alto (falsete). Durante a fala, a maioria os seres humanos costumam falar em seu pitch habitual, raramente utilizam pitches vocais muito altos ou muito baixos durante a fala. Da mesma forma, os seres humanos podem variar a loudness (sensação psicoacústica da intensidade habitual) da sua voz, desde um sussurro quase inaudível até um brado ou berro. A intensidade vocal, ou loudness é dependente direta da mudança na quantidade de pressão de ar subglótica. Níveis mínimos de pressão subglótica provocarão uma voz com intensidade reduzida. Ao contrário, níveis máximos de pressão subglótica produzirão uma voz com maior intensidade.
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De acordo com Garcia (1894), um registro é uma série de sons consecutivos e homogêneos produzidos por um mecanismo, que difere essencialmente da outra série de sons igualmente homogêneos produzido por outro mecanismo, o que implica modificações do timbre, e na força que o registro pode oferecer. Cada um dos três registros tem sua extensão e sonoridade própria que varia de acordo com o sexo do indivíduo e natureza do órgão. Hollien (1972, 1974) identificou três registros vocais durante a produção da fala: o registro de pulso - que está associado às frequências mais baixas na tessitura vocal (geralmente na faixa de 50Hz ou menos); o registro modal - que está associado às frequências médias da tessitura vocal (aproximadamente entre 50 a 3 200 Hz); e o registro elevado - que está associado às frequências mais altas na tessitura vocal (geralmente acima de 1 000 Hz).
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A voz é uma característica humana intimamente relacionada com a necessidade do homem de se agrupar e se comunicar. Ela é produto da sua evolução, um trabalho em conjunto do sistema nervoso, respiratório e digestivo, e de músculos, ligamentos e ossos, atuando harmoniosamente para que se possa obter uma emissão eficiente. As pregas vocais (ou cordas vocais), primordialmente, não foram feitas para o uso da voz. Esta foi uma função na qual a laringe (local onde se encontram as pregas vocais) se especializou, mas estes músculos foram desenvolvidos, em primeiro lugar, para as funções de respiração, alimentação e esfincteriana. A voz está associada à fala, na realização da comunicação verbal, e pode variar quanto à intensidade, altura, inflexão, ressonância, articulação e muitas outras características.
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À emissão de uma voz saudável damos o nome de eufonia. A uma voz doente, ou seja, com uma ou mais de suas características alterada, damos o nome de disfonia. A disfonia pode ser orgânica, funcional ou mista (orgânica-funcional). Ela não é uma doença, mas o sintoma, uma manifestação de um mau funcionamento de um dos sistemas ou estruturas que atuam na produção da voz. A disfonia pode ser tratada por um profissional habilitado e responsável pela intervenção das disfonias, sendo ele o fonoaudiólogo, e geralmente trabalha em conjunto (no caso da voz) com o otorrinolaringologista ou o laringologista. Pode, ainda, trabalhar com o professor de canto. A voz é influenciada pelos hormônios e pelas emoções. Assim, é comum ouvir pessoas que estão muito tristes ou nervosas, roucas. A rouquidão é um dos tipos mais comuns de disfonia. As disfonias podem ser classificadas por vários critérios, um deles é com base a etiologia que sugere a classificação das disfonias em três grupos: disfonias funcionais, disfonias organofuncionias e disfonias orgânicas.
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O timbre da voz humana depende das várias cavidades que vibram em ressonância com as pregas vocais. Aí se incluem as cavidades ósseas, cavidades nasais, a boca, a garganta, a traqueia e os pulmões, bem como a própria laringe.
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A mais baixa frequência que pode dar a audibilidade a um ser humano é mais ou menos a de 20 hertz (vibrações por segundo), enquanto a mais alta se encontra entre 10 000 e 20 000 hertz, o que depende da idade do ouvinte (quanto mais idoso menores as frequências máximas ouvidas). A frequência comum de um piano é de 40 a 4 000 hertz e a da voz humana se encontra entre 50 e 3 400 hertz. O recorde de registro (tessitura) de voz mais alta pertence a Georgia Brown, que possui o registro de exatas oito oitavas (G2 à G10), o que é mais alto do que qualquer nota de piano.


