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Expedição de Magalhães

A expedição de Magalhães foi a primeira viagem ao redor do mundo registrada na história. Foi uma expedição espanhola do século XVI, planejada e liderada pelo explorador português Fernão de Magalhães às Molucas, que partiu da Espanha em 1519, e foi concluída em 1522 pelo navegador espanhol Juan Sebastián Elcano, após cruzar os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, culminando na primeira circum-navegação do mundo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Contexto

As viagens de Cristóvão Colombo ao oeste (1492–1503) tinham como objetivo chegar às Índias e estabelecer relações comerciais diretas entre a Espanha e os reinos asiáticos. Os espanhóis perceberam rapidamente que as terras das Américas não faziam parte da Ásia, mas de outro continente. O Tratado de Tordesilhas de 1494 reservou para Portugal as rotas orientais que contornavam a África, e Vasco da Gama e os portugueses chegaram à Índia em 1498. Dada a importância econômica do comércio de especiarias, Castela (Espanha) precisava urgentemente encontrar uma nova rota comercial para a Ásia. Após a conferência da Junta de Toro de 1505, a Coroa espanhola encomendou expedições para descobrir uma rota para o oeste. O explorador espanhol Vasco Núñez de Balboa chegou ao oceano Pacífico em 1513 depois de cruzar o istmo do Panamá, e Juan Díaz de Solís morreu no rio da Prata em 1516 enquanto explorava a América do Sul a serviço da Espanha.

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Construção e provisões

A frota, composta por cinco navios com provisões para dois anos de viagem, chamava-se Armada del Maluco, nome indonésio para as Ilhas das Especiarias. Os navios eram em sua maioria pretos, devido ao alcatrão que cobria a maior parte de sua superfície. A contabilidade oficial da expedição estimou o custo em 8.7 milhões de maravedis, incluindo navios, provisões e salários. A comida era uma parte extremamente importante do abastecimento. Custou 1.2 milhão de maravedis, quase tanto quanto o custo dos navios. Quatro quintos da comida no navio consistiam em apenas dois itens – vinho e biscoitos duros. A frota também carregava farinha e carne salgada. Parte da carne dos navios vinha na forma de gado; o navio carregava sete vacas e três porcos. Queijo, amêndoas, mostarda e figos também estavam presentes. A carne de membrillo, feita de marmelo em conserva, era uma iguaria apreciada pelos capitães que pode ter ajudado inconscientemente na prevenção do escorbuto.

Navios

A frota inicialmente consistia em cinco navios, sendo o Trinidad a nau capitânia. Todas ou a maioria eram naus (em espanhol: "carraca").[a] O Victoria foi o único navio a completar a circum-navegação. Os detalhes da configuração dos navios não são conhecidos, pois não existem ilustrações contemporâneas de nenhum dos navios. A contabilidade oficial da Casa de Contratação coloca o custo dos navios em 1,3 milhão de maravedis, com outros 1,3 milhão gastos em aparelhamento e transporte.

Tripulação

A tripulação era composta por cerca de 270 homens, a maioria espanhóis. As autoridades espanholas desconfiaram de Magalhães, de modo que quase o impediram de navegar, trocando sua tripulação majoritariamente portuguesa por homens espanhóis. No final, a frota incluía cerca de 40 portugueses, entre eles o cunhado de Magalhães, Duarte Barbosa, João Serrão, Estêvão Gomes e o servo de Magalhães, Henrique de Malaca. Tripulantes de outras nações também foram registrados, incluindo 29 italianos, 17 franceses e um número menor de marinheiros flamengos, gregos, irlandeses, ingleses, asiáticos e negros. Contados entre os tripulantes espanhóis estavam pelo menos 29 bascos (incluindo Juan Sebastián Elcano), alguns dos quais não falavam espanhol fluentemente.

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Travessia do Atlântico

Em 10 de agosto de 1519, os cinco navios sob o comando de Magalhães deixaram Sevilha e desceram o rio Guadalquivir até Sanlúcar de Barrameda, na foz do rio. Lá eles permaneceram mais de cinco semanas. Finalmente, eles partiram em 20 de setembro de 1519 e deixaram a Espanha. Em 26 de setembro, a frota parou em Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde se abasteceu (incluindo vegetais e piche, que eram mais baratos de adquirir lá do que na Espanha). Durante a parada, Magalhães recebeu uma mensagem secreta de seu sogro, Duarte Barbosa, avisando-o de que alguns dos capitães castelhanos estavam planejando um motim, sendo Juan de Cartagena (capitão do San Antonio) o líder da conspiração. Ele também soube que o rei de Portugal havia enviado duas frotas de caravelas para prendê-lo. Em 3 de outubro, a frota partiu das Ilhas Canárias, navegando para o sul ao longo da costa da África. Houve algum desacordo sobre as direções, com Cartagena defendendo uma orientação mais para o oeste. Magalhães tomou a decisão pouco ortodoxa de seguir a costa africana para fugir das caravelas portuguesas que o perseguiam.

Julgamento de sodomia e motim fracassado

Durante a travessia oceânica, o contramestre do Victoria, Antonio Salamón, foi flagrado em ato de sodomia com um grumete, Antonio Ginovés. Na época, a homossexualidade era punível com a morte na Espanha, embora, na prática, o sexo entre homens fosse uma ocorrência comum em longas viagens navais. Magalhães realizou um julgamento a bordo do Trinidad e considerou Salamón culpado, sentenciando-o à morte por estrangulamento. Salamón foi posteriormente executado em 20 de dezembro, após o desembarque da frota no Brasil. O destino de Ginovés não é claro, com alguns relatos dizendo que ele foi jogado ao mar e outros afirmando que as provocações de seus companheiros marinheiros o levaram ao suicídio pulando no mar.

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Passagem através da América do Sul

Chegada no Brasil

Em 29 de novembro, a frota atingiu a latitude aproximada do Cabo de Santo Agostinho. O litoral do Brasil (ao qual Pigafetta se refere como Verzin em seu diário, após o termo italiano para pau-brasil) era conhecido dos espanhóis e portugueses desde cerca de 1500 e, nas décadas seguintes, as potências europeias (particularmente Portugal) enviaram navios ao Brasil para coletar o valioso pau-brasil. A Armada trazia um mapa do litoral brasileiro, o Livro da Marinharia, e também um tripulante, o piloto do Concepción, João Lopes Carvalho, que já havia visitado o Rio de Janeiro. Carvalho foi escalado para liderar a navegação da frota pela costa brasileira até o Rio, a bordo do Trinidad, e também ajudou na comunicação com os locais, pois tinha um conhecimento rudimentar da língua guarani.

Rio da Prata

A frota navegou para o sul ao longo da costa sul-americana, na esperança de chegar a el paso, o lendário estreito que lhes permitiria passar pela América do Sul até as Ilhas das Especiarias. Em 11 de janeiro,[b] foi avistado um promontório marcado por três colinas, que a tripulação acreditou ser o "Cabo de Santa Maria". Ao redor do promontório, eles encontraram um grande corpo de água que se estendia até onde a vista alcançava na direção oeste-sudoeste. Magalhães acreditava ter encontrado el paso, embora na verdade tivesse chegado ao rio da Prata. Magalhães dirigiu o Santiago, comandado por João Serrão, para sondar o 'estreito', e conduziu os outros navios para o sul na esperança de encontrar a Terra Australis, o continente do sul que então se supunha existir ao sul da América do Sul. Eles não conseguiram encontrar o continente do sul e, quando se reagruparam com o Santiago alguns dias depois, Serrão relatou que o estreito esperado era na verdade a foz de um rio. Incrédulo, Magalhães liderou a frota pelas águas ocidentais novamente, fazendo sondagens frequentes. A afirmação de Serrão foi confirmada quando os homens finalmente se encontraram em água doce.

Em busca do estreito

Em 3 de fevereiro, a frota continuou para o sul ao longo da costa sul-americana. Magalhães acreditava que encontrariam um estreito (ou o extremo sul do continente) a uma curta distância. Na verdade, a frota navegaria para o sul por mais oito semanas sem encontrar passagem, antes de parar para passar o inverno em Puerto San Julián. Sem querer perder o estreito, a frota navegou o mais próximo possível da costa, aumentando o perigo de encalhar em cardumes. Os navios navegavam apenas durante o dia, com vigias observando cuidadosamente a costa em busca de sinais de passagem. Além dos perigos das águas rasas, a frota enfrentou rajadas, tempestades e quedas de temperatura enquanto seguia para o sul e o inverno chegava.

Hibernação de inverno

Na terceira semana de março, as condições meteorológicas tornaram-se tão desesperadoras que Magalhães decidiu que deveriam encontrar um porto seguro para esperar o inverno e retomar a busca por uma passagem na primavera. Em 31 de março de 1520, foi detectada uma ruptura na costa. Lá, a frota encontrou um porto natural que eles chamaram de Puerto San Julián. Os homens permaneceram em San Julián por cinco meses, antes de retomar a busca pelo estreito. Um dia após o desembarque em San Julián, houve outra tentativa de motim. Como na travessia do Atlântico, foi comandado por Juan de Cartagena (ex-capitão do San Antonio), auxiliado por Gaspar de Quesada e Luis de Mendoza, capitães do Concepción e do Victoria, respectivamente. Como antes, os capitães castelhanos questionaram a liderança de Magalhães e o acusaram de colocar em perigo a tripulação e os navios da frota de forma imprudente.

Estreito de Magalhães

No dia 18 de outubro, a frota deixou Santa Cruz em direção ao sul, retomando a busca por uma passagem. Logo depois, em 21 de outubro de 1520, eles avistaram um promontório na latitude 52°S que chamaram de cabo Virgens. Além do cabo, eles encontraram uma grande baía. Enquanto eles exploravam a baía, uma tempestade estourou. O Trinidad e o Victoria chegaram ao mar aberto, mas o Concepción e o San Antonio foram levados mais fundo na baía, em direção a um promontório. Três dias depois, a frota foi reunida, e o Concepción e o San Antonio relataram que a tempestade os atraiu por uma passagem estreita, não visível do mar, que continuava por alguma distância. Esperando ter finalmente encontrado o estreito procurado, a frota refez o caminho percorrido por Concepción e San Antonio. Ao contrário do rio da Prata anterior, a água não perdia sua salinidade à medida que se avançava e as sondagens indicavam que as águas eram consistentemente profundas. Esta era a passagem que procuravam, que viria a ser conhecida como estreito de Magalhães. Na época, Magalhães se referia a ele como Estrecho de Todos los Santos ("Canal de Todos os Santos"), porque a frota passava por ele no dia 1 de novembro, o Dia de Todos os Santos.

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Travessia do Pacífico

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

Magalhães, como os geógrafos seus contemporâneos, não tinha nenhuma concepção da vastidão do oceano Pacífico. Imaginou que a América do Sul estava separada das Ilhas das Especiarias por um pequeno mar, que esperava atravessar em três ou quatro dias. Na verdade, eles passaram três meses e vinte dias no mar, antes de chegarem a Guam e depois às Filipinas. A frota entrou no Pacífico pelo estreito de Magalhães em 28 de novembro de 1520 e inicialmente navegou para o norte, seguindo a costa do Chile. Em meados de dezembro, eles alteraram seu curso para oeste-noroeste. Eles tiveram a infelicidade de que, se seu curso diferisse ligeiramente, eles poderiam ter encontrado várias ilhas do Pacífico que teriam oferecido comida e água fresca, como as ilhas Marshall, o arquipélago da Sociedade, as ilhas Salomão ou o arquipélago das Marquesas. Assim sendo, encontraram apenas duas pequenas ilhas desabitadas durante a travessia, nas quais não conseguiram desembarcar, razão pela qual lhes deram o nome de islas Infortunadas. A primeira, avistada em 24 de janeiro, eles chamaram de San Pablo (provavelmente Puka-Puka). A segunda, que eles avistaram em 21 de fevereiro, provavelmente era a Ilha Caroline. Eles cruzaram o equador em 13 de fevereiro.

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Guam e as Filipinas

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

Em 6 de março de 1521, a frota chegou às Ilhas Marianas. A primeira terra que avistaram foi provavelmente a ilha de Rota, mas os navios não conseguiram atracar lá e, em vez disso, ancoraram trinta horas depois em Guam. Eles foram recebidos por nativos Chamorro em proas, um tipo de canoa até então desconhecida dos europeus. Dezenas de chamorros subiram a bordo e começaram a retirar itens do navio, incluindo cordames, facas e quaisquer itens feitos de ferro. Em algum momento, houve um confronto físico entre a tripulação e os nativos, e pelo menos um Chamorro foi morto. Os nativos restantes fugiram com os bens que haviam obtido, levando também a bergantina [es] de Magalhães (o barco do navio mantido no Trinidad) enquanto se retiravam. Para este ato, Magalhães chamou a ilha de Isla de los Ladrones (Ilha dos Ladrões). No dia seguinte, Magalhães retaliou, enviando um grupo de ataque por terra que saqueou e queimou quarenta ou cinquenta casas Chamorro e matou sete homens. Eles recuperaram a bergantina e deixaram Guam no dia seguinte, 9 de março, continuando para o oeste.

Filipinas

A frota chegou às Filipinas em 16 de março e lá permaneceu até 1 de maio. A expedição representou o primeiro contato europeu documentado com as Filipinas. Embora o objetivo declarado da expedição de Magalhães fosse encontrar uma passagem pela América do Sul para as Molucas e retornar à Espanha carregado de especiarias, neste ponto da jornada, Magalhães parecia adquirir um zelo por converter as tribos locais ao cristianismo. Ao fazer isso, Magalhães acabou se envolvendo em uma disputa política local e morreu nas Filipinas, junto com dezenas de outros oficiais e tripulantes. Em 16 de março, uma semana após deixar Guam, a frota avistou pela primeira vez a ilha de Samar, depois, desembarcou na ilha de Homonhon, então desabitada. Eles encontraram habitantes amigáveis da ilha vizinha de Suluan e trocaram suprimentos com eles. Eles passaram quase duas semanas em Homonhon, descansando e reunindo comida fresca e água, antes de partirem em 27 de março. Na manhã de 28 de março, eles se aproximaram da ilha de Limasawa e encontraram alguns nativos em canoas que então alertaram os navios de guerra balangay [en] de dois governantes locais de Mindanau que estavam em uma expedição de caça em Limasawa. Pela primeira vez na viagem, o escravo de Magalhães, Enrique de Malaca, descobriu que era capaz de se comunicar com os nativos em malaio (uma indicação de que eles haviam de fato completado uma circum-navegação e estavam se aproximando de terras familiares). Eles trocaram presentes com os nativos (recebendo jarros de porcelana pintados com desenhos chineses), e mais tarde naquele dia foram apresentados a seus líderes, Rajah Kolambu[d] e Rajah Siawi. Magalhães se tornaria um "irmão de sangue" para Kolambu, passando pelo ritual local de pacto de sangue [en] com ele.

Cebu

Em 2 de abril, Magalhães realizou uma conferência para decidir o próximo curso de ação da frota. Seus oficiais o instaram a seguir para o sudoeste em direção às Molucas, mas, em vez disso, ele decidiu avançar ainda mais nas Filipinas. Em 3 de abril, a frota navegou para noroeste de Limasawa em direção à ilha de Cebu, que Magalhães soube por Kolambu. A frota foi guiada para Cebu por alguns dos homens de Kolambu. Eles avistaram Cebu em 6 de abril e atingiram a costa no dia seguinte. Cebu tinha contato regular com comerciantes chineses e árabes e normalmente exigia que os visitantes pagassem tributos para negociar. Magalhães convenceu o líder da ilha, Rajá Humabon [en], a abrir mão dessa exigência.

Batalha de Mactán

Magalhães reuniu uma força de 60 homens armados de sua tripulação para se opor às forças de Lapu-Lapu. Alguns homens cebuanos seguiram Magalhães para Mactán, mas foram instruídos por ele a não se juntar à luta, mas apenas assistir. Ele primeiro enviou um enviado a Lapu-Lapu, oferecendo-lhe uma última chance de aceitar o rei da Espanha como seu governante e evitar derramamento de sangue. Lapu-Lapu recusou. Magalhães levou 49 homens para a costa enquanto 11 permaneceram para proteger os barcos. Embora tivessem o benefício de armaduras e armamentos relativamente avançados, as forças de Magalhães estavam em grande desvantagem numérica. Pigafetta (que estava presente no campo de batalha) estimou o número do inimigo em 1.500. As forças de Magalhães foram rechaçadas e derrotadas de forma decisiva. Magalhães morreu em batalha, juntamente com vários companheiros, incluindo Cristóvão Rebelo, filho ilegítimo de Magalhães.

Massacre de 1 de maio

Após a morte de Magalhães, os homens restantes realizaram uma eleição para selecionar um novo líder para a expedição. Escolheram dois cocomandantes: Duarte Barbosa, cunhado de Magalhães, e João Serrão. O testamento de Magalhães pedia a libertação de seu escravo, Henrique, mas Barbosa e Serrano exigiam que ele continuasse suas funções de intérprete para eles e seguisse suas ordens. Henrique teve alguma comunicação secreta com Humabon que o levou a trair os espanhóis. Em 1 de maio, Humabon convidou os homens a desembarcar para um grande banquete. Contou com a presença de cerca de trinta homens, em sua maioria oficiais, entre eles Serrão e Barbosa. No final da refeição, cebuanos armados entraram no salão e assassinaram os europeus. Vinte e sete homens foram mortos. João Serrão, um dos cocomandantes recém-eleitos, foi deixado vivo e levado para a costa enfrentando os navios espanhóis. Serrão implorou aos homens a bordo que pagassem um resgate aos cebuanos. Os navios espanhóis deixaram o porto e Serrano foi presumivelmente morto. Em seu relato, Pigafetta especula que João Carvalho, que assumiu o comando na ausência de Barbosa e Serrão, abandonou Serrão (seu ex-amigo) para permanecer no comando da frota.

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Molucas

Com apenas 115 homens sobreviventes dos 277 que partiram de Sevilha, decidiu-se que a frota não tinha homens suficientes para continuar operando três navios. Em 2 de maio, o Concepción foi esvaziado e incendiado. Com Carvalho como o novo capitão-geral, os dois navios restantes, o Trinidad e o Victoria, passaram os seis meses seguintes vagando pelo sudeste da Ásia em busca das Molucas. No caminho, eles pararam em várias ilhas, incluindo Mindanau e Brunei. Durante esse tempo, eles se envolveram em atos de pirataria, incluindo o roubo de um junco das Molucas com destino à China. Em 21 de setembro, Carvalho foi obrigado a renunciar ao cargo de capitão-general. Ele foi substituído por Martin Mendez, com Gonzalo de Espinosa e Juan Sebastián Elcano como capitães do Trinidad e Victoria, respectivamente. O relato de Aganduru Moriz sobre a expedição descreve como a tripulação de Elcano foi atacada em algum lugar na ponta sudeste de Bornéu por uma frota bruneiana comandada por um dos luções [en]. Historiadores como William Henry Scott e Luis Camara Dery afirmam que este comandante da frota de Brunei era na verdade o jovem príncipe Ache de Maynila (Manila), neto do sultão de Brunei que mais tarde se tornaria o rajá Matanda de Maynila [en].

08

Retorno à Espanha

Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL · BY-SA · Openverse

O Victoria partiu pela rota do Oceano Índico para casa em 21 de dezembro de 1521, comandado por Juan Sebastián Elcano. Em 6 de maio de 1522, o Victoria contornou o Cabo da Boa Esperança, com apenas arroz para rações. Vinte tripulantes morreram de fome até 9 de julho de 1522, quando Elcano atracou em Cabo Verde para provisões. A tripulação ficou surpresa ao saber que a data era na verdade 10 de julho de 1522, um dia após a indicação de seus próprios registros meticulosos. No início, eles não tiveram problemas para fazer compras, usando a história de que estavam voltando das Américas para a Espanha. No entanto, os portugueses detiveram 13 tripulantes depois de descobrirem que Victoria transportava especiarias das Índias Orientais. O Victoria conseguiu escapar com sua carga de 26 toneladas de especiarias (cravo e canela). Em 6 de setembro de 1522, Elcano e a tripulação restante da viagem de Magalhães chegaram a Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, a bordo do Victoria, quase exatamente três anos após a partida. Eles então navegaram rio acima até Sevilha, e de lá por terra até Valladolid, onde compareceram perante o Imperador. A carga de especiarias que o Victoria trouxe cobriu o custo de toda a expedição.

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