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A Vida É Mesmo Assim

A Vida é Mesmo Assim é o quinto álbum de estúdio da cantora e compositora brasileira Angela Ro Ro, lançado em 1984 pela PolyGram, dentro do selo Polydor Records. O disco surgiu em meio a um processo de gravação marcado por forte carga emocional e episódios de censura que atingiram diretamente parte de seu repertório. A produção também se destacou pela estratégia promocional incomum, que incluiu o envio à imprensa de uma fita cassete contendo uma longa entrevista concedida pela artista, além de um lançamento realizado no Teatro Ipanema, local associado ao início de sua trajetória musical.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/10/2026
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Bastidores e lançamento

Imagem: Bruno Leonardo Mendes · BY-NC-SA · Openverse

A gravação do álbum foi um processo tão intenso para a cantora, que ela o comparou a um parto, chegando a sofrer sintomas físicos como braço dormente e palpitações. Os bastidores foram turbulentos devido à intervenção censória. A faixa "Isso É Para a Dor" foi vetada por conter a expressão "galinha", levando Ro Ro a questionar ironicamente a seletividade dos censores. Já "Sucesso Sexual", um funk com apelo popular, foi barrada pela menção à expressão "deixa o pau comer", um veto que a artista atribuiu mais ao autor, Léo Jaime, do que a si própria, "porque esse tipo de revolucionário pão com queijo, bem simples, bem diário, eles temem que faça sucesso", disse. O disco chegou ao mercado literalmente lacrado, carimbado com a indicação de "execução pública proibida" para as duas faixas censuradas. A estratégia promocional incluiu um material exclusivo para a imprensa: uma fita cassete de 40 minutos contendo "Pensamento Livre de Angela Ro Ro", uma entrevista concedida por ela à jornalista Ana Lúcia Novaes. O lançamento ocorreu no Teatro Ipanema, onde a artista iniciou sua carreira musical, na ocasião ela cantou a maior parte das canções do disco.

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Detalhes do álbum

Imagem: Alexandre Van de Sande · BY-SA · Openverse

A dualidade que marca o período da artista foi imediatamente expressa na arte do disco. A capa apresenta uma imagem "santa" de Angela, com a cabeça coberta e um "meio riso angelical", enquanto a contracapa mostra uma figura "satânica" e provocante, com decote, sorridente e com a língua para fora. O título do álbum foi extraído da canção de mesmo nome, o carro-chefe do disco e um dos sucessos de sua carreira. "Fogueira", faixa que Angela entregou a Maria Bethânia no ano anterior, foi lançada no álbum Ciclo, um disco intimista e nada comercial, que não recebeu divulgação e que seu maior sucesso foi essa mesma canção, pois foi incorporada a trilha sonora da novela de Lauro Cezar Muniz, Transas e Caretas, da TV Globo, sendo tema da personagem Sofia, interpretada por Renata Sorrah. O álbum contém regravações de canções antigas também. "Você Não Sabe Amar" é uma canção lançada em 1950 por Francisco Carlos, sendo também regravada por Luis Eça, Marisa Gata Mansa, Sílvia Telles, Chico Buarque, entre outros. "Hot Dog" é uma versão escrita por Leo Jaime para "Hound Dog", canção de estilo Jazz blues, lançada em 1952 por Big Mama Thornton e um dos sucessos de Elvis Presley em 1956.

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Recepção crítica

Imagem: JR Celso · BY-NC-SA · Openverse

Sérgio Nona do Diario de Pernambuco, em sua avaliação escreveu: "Repertório bom, arranjos de primeira ordem e a interpretação sempre admirável de Angela. Talvez seu melhor trabalho". Ana Maria Bahiana, do Jornal do Dia, escreveu que o álbum traz as composições mais bonitas e bem-acabadas de Ro Ro em anos, como ("a bela") "Fogueira", e a faixa título. Ela ainda notou a ("emocionante") canção de Tite de Lemos, "Nenhum lugar", pela voltagem de interpretação à altura da música e letra, e a "mística", "Hino". Tárik de Souza, do Jornal do Brasil, elogiou a versatilidade musical do álbum, que transita com fluência "do samba-canção mais plácido ("Você Não Sabe Amar") ao rock mais carnívoro ("Hot Dog")". Ele destacou como pontos altos a faixa-título e "Nenhum Lugar", esta notada por ter um "lindo solo de Paulo Moura", em meio a uma seleção que conta com "sopros de alto nível" em cada faixa. No entanto, ele criticou a inclusão da "célebre" "Você Abusou", que considerou um ponto de desaba. Apesar disso, reconheceu o "impeto vital" de Ro Ro e a qualidade de faixas como "Hino" (com seu "pesado coral") e "Liberar" (um "neologismo astrológico" com embalo de boogie-woogie), concluindo que o disco, mesmo assimétrico, tem a "cara dos pais".

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Desempenho comercial

Imagem: Stella Dauer · BY-SA · Openverse

De acordo com reportagem da revista Manchete, datada de 2 de junho de 1984, o álbum já era um recordista de vendas pouco após o seu lançamento.

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Créditos

Imagem: Cinzia A. Rizzo / fataetoile · BY-NC-ND · Openverse

Créditos adaptados do encarte do LP A Vida É Mesmo Assim, de 1984.

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Fontes consultadas

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