Rusga
A chamada Rusga foi um movimento de revolta que ocorreu no contexto do Período Regencial brasileiro, na então Província de Mato Grosso, atuais Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Constitui-se num reflexo da então crescente rivalidade entre portugueses e brasileiros o que na verdade ocorreu em Cuiabá.
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Antecedentes
Diante da crise que culminou com a abdicação de D. Pedro I e o seu retorno para a Europa onde desempenhou papel decisivo na Guerra Civil Portuguesa, em diversas localidades do Brasil acirraram-se os ânimos entre os partidários adeptos do retorno do Imperador ao Brasil e, até mesmo, da união a Portugal, em contrapartida aos naturais do Brasil, partidários da manutenção da autonomia, que foi importante ao Brasil. Neste contexto, descontentes com as medidas da Regência, o governo central no Rio de Janeiro, as elites locais das Províncias uniram-se a elementos do povo e às camadas médias, compostas por profissionais liberais, soldados, funcionários públicos, e outros. Os protestos regionais cresceram, a ponto de se tornarem rebeliões, que agitaram todo o período.
O conflito
Diante da escalada das tensões, o estopim do conflito foi o surgimento e propagação de um boato, segundo o qual os brasileiros seriam eliminados. Outro boato que circulou na província foi a de que não seria crime matar e roubar por dois meses, segundo ordem regencial.Na noite do dia 30 de maio a revolta eclodiu: Bento Franco de Camargo, à frente da Guarda Nacional capturou o quartel dos Municipais Permanentes, enquanto nas ruas um toque de clarim convocava o povo às ruas. Com a generalização dos tumultos, registraram-se saques e depredações nas lojas, uma vez que a alta dos preços colocara a população muitas vezes em estado de necessidade. Estrategicamente, Poupino procurou ganhar tempo, solicitando aos revoltosos um prazo de um mês para deixar o governo, tendo lhe sido concedido um dia. Mais tarde, ele e os seus conselheiros foram acusados de serem cúmplices do movimento, mas o fato foi que eles efetivamente não conseguiram deter as desordens.
Reação e controle
Alencastro efetuou uma feroz repressão. Os líderes do movimento foram detidos e condenados em 24 de junho de 1835: Também extinguiu a "Guarda Municipal", corpo composto 60 homens criado em 1831 pelo presidente Antônio Correia da Costa para evitar que fosse derrubado do governo, porém, a guarda não apenas não evitou os tumultos como alguns dos seus membros participaram dela. O novo presidente, Alencastro dissolveu essa guarda e criou outra corporação chamada de "Homens do Mato", embrião da atual Polícia Militar do Estado de Mato Grosso.


