Pesquisa · Mapa mental

A Revolta dos Dândis

A Revolta dos Dândis é o segundo álbum de estúdio da banda de rock brasileira Engenheiros do Hawaii. O disco foi gravado em julho de 1987, nos estúdios da RCA, em São Paulo, e lançado em 15 de outubro do mesmo ano pela gravadora RCA através do selo Plug. O álbum marca uma inflexão no som da banda, afastando-se do reggae e do ska do primeiro disco e aproximando-se de um som mais setentista, mais próximo do folk rock. A principal razão para isto foi a saída de Marcelo Pitz e a entrada de Augusto Licks, com Gessinger assumindo o baixo, o que trouxe novas influências ao som da banda.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
01

Antecedentes

A banda estava em turnê nacional em maio de 1987 (denominada Toda Forma de Tour) e o relacionamento entre Humberto e Carlos, de um lado, com Marcelo, de outro, não era dos melhores. Com isso, já havia ficado decidido em abril que Marcelo deixaria a banda após o fim da turnê, em 20 de junho. Assim, após um show em Belém, em 9 de maio, o grupo voou para o Rio de Janeiro, onde Nei Lisboa gravava um disco (Carecas da Jamaica) no qual eles fariam uma participação especial, retribuindo o favor de Nei que participou dos vocais da faixa "Toda Forma de Poder", do primeiro disco da banda. Nei havia ajudado bastante a banda: não só dividira os vocais naquela canção como a regravaria neste disco - em arranjo mais lento e intimista - e havia incluído "Segurança" dos Engenheiros em seus shows - em arranjo de Augusto. Assim, no dia 11, os três foram aos estúdios da EMI-Odeon e gravaram a faixa título, juntamente com Nei e Augusto.

02

Gravação e produção

As gravações deram-se durante o mês de julho, enquanto a mixagem deu-se no mês seguinte. Ambos os processos foram feitos nos Estúdios RCA, em São Paulo. Devido aos ensaios em Porto Alegre, Augusto acreditava que precisava gravar no álbum um som que pudesse reproduzir nos shows ao vivo. Assim, decidiu fazer o mínimo de overdubs que fosse possível. As gravações foram cheias de desafios. Não só Augusto era novo na banda como Humberto estava ainda se acostumando a ser baixista. Assim, ele tocava com palheta e afinava o seu baixo uma oitava acima do que deveria. Ao tentar reduzir o volume do baixo na mesa, o produtor percebeu que isto tornava o som do instrumento muito ruim, muito fino. Assim, isto contribuiu para deixar o baixo muito presente nas gravações, em primeiro plano. Como Humberto e Carlos faziam as bases juntos e Augusto gravava suas partes depois, o guitarrista tinha que se virar para encaixar o seu instrumento. Tudo isto contribuiu para a sonoridade única do disco, bem diferente daquela de outros lançamentos do rock nacional da época e mesmo da própria banda nos anos seguintes: uma sonoridade que remetia ao rock dos anos 1970 e, também, à influência de Bob Dylan, que Humberto estava ouvindo na época.

03

Resenha musical

As gravações iniciaram-se no dia 10 de julho, com a música "A Revolta dos Dândis I". Nesta canção, Humberto e Carlos tocaram baixo e bateria, respectivamente. Já Augusto tocou um violão Martin com cutaway e, também, uma gaita marca Hohner, modelo Marine Band 1896/20, afinada em Mi maior. Na hora de tocar o instrumento, Augusto molhou a gaita em um copo com água, técnica que havia aprendido nos Estados Unidos e que destacava os vibratos - embora diminuísse a vida útil do instrumento. Em "Terra de Gigantes" foram utilizadas duas guitarras, a Roland G-505 de Licks e a de Humberto, cada uma mixada em um lado: a primeira na saída da direita e a segunda na esquerda. A pequena frase de baixo que existe junto com a virada de bateria foi tocada pelo próprio produtor. Ao final da música, quando Humberto canta o último "Hey, mãe", era para ter sido utilizado um efeito de eco, mas, erroneamente, acabou sendo utilizado um delay que, mesmo assim, terminou agradando a banda e a produção e, por esse motivo, ficou. A gravadora pressionou o produtor e a banda a colocarem bateria na canção, mas Carlos acabou fazendo apenas uma virada.

04

Projeto gráfico

A capa do disco, a contracapa e os detalhes internos do encarte ficaram a cargo, novamente, de Carlos Maltz só que, desta vez, com muito mais liberdade e autonomia. Para a capa, Maltz escolheu utilizar uma cor primária, bem simples, por ser aficionado pela linguagem simples e direta das placas de trânsito e de outros clichês da comunicação de massa. Além disso, optou por utilizar o logotipo da Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (uma engrenagem circunscrevendo o planeta Terra com as linhas do Equador e dos paralelos principais ressaltadas) na capa, apenas substituindo a Terra pela Lua. Este era um procedimento que a Carlos e Humberto gostavam de fazer: ressignificar palavras através da descontextualização e da mistura de palavras que não combinam, como o próprio nome da banda atesta. Na contracapa, Maltz inspirou-se na capa da coletânea A Nice Pair, do Pink Floyd - que reunia os dois primeiros álbuns de estúdio da banda inglesa reunidos em um lançamento só - para dividir o espaço em 9 quadrados. As fotos da banda ali utilizadas remetem ao disco anterior por terem sido tiradas na mesma localidade, um sítio em Gravataí. No encarte, há dois róis de personalidades: de um lado, artistas (Noel Rosa, Roberto Carlos, Martha Rocha, Gino Meneghetti, Fernando Gabeira, Garrincha e Vicente Celestino); de outro, presidentes do Brasil (Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart, Humberto Castelo Branco, Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel, João Figueiredo, Tancredo Neves e José Sarney). Ao centro, duas figuras dividem: o mascote da banda Iron Maiden, Eddie; e Leonel Brizola, a quem o grupo apoiaria na eleição de 1989. Outro personagem presente era um homem com uma capa da TFP, uma provocação a quem havia chamado o grupo de direitista por ocasião do lançamento de "Toda Forma de Poder".

05

Recepção

Lançamento

O álbum foi lançado em LP e K7 no dia 15 de outubro de 1987 e, bem divulgado e distribuído, vendeu mais de 50 mil cópias no primeiro ano de seu lançamento. Foram lançados 3 compactos do disco (para as canções "A Revolta dos Dândis I", "Terra de Gigantes" e "Infinita Highway"): o primeiro no dia 28 de setembro e os outros dois mais tarde naquele ano.

Fortuna crítica

Foi neste disco que começaram as primeiras rusgas da banda com a crítica especializada. Os Engenheiros, que já eram chamados de direitistas pela letra de "Toda Forma de Poder" que igualava Fidel Castro e Augusto Pinochet, passaram a ser acusados de elitistas e até de fascistas. Estas acusações eram causadas pelas citações presentes nas letras de Humberto que iam de Albert Camus (em "A Revolta dos Dândis I") a Jean-Paul Sartre (em "Infinita Highway" e "Guardas da Fronteira"). Além disso, o disco tinha um tom autoirônico e, com isso, crítico de todo o movimento de rock brasileiro daquela década: a banda assumia que a rebeldia e as canções de protesto não iam mudar nada. No fundo, todas aquelas bandas só queriam vender o seu produto e ganhar dinheiro ("a juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes"). Assim como os Engenheiros. O próprio título do disco podia ser lido como uma crítica àquelas bandas da época que se diziam radicais e punks, mas eram formadas por garotos de classe média e filhos de embaixadores que se identificavam pela forma de se vestir - tal qual um dândi. Humberto e Carlos responderam às acusações:

06

Legado

Em 26 de junho de 2008, o álbum foi tema de um programa Discoteca MTV, que abordava os discos de maior importância para o rock nacional. Foi também incluído em uma lista da Superinteressante dos principais álbuns do rock brasileiro da década de 1980. Em 2017, Humberto saiu em turnê comemorando os 30 anos do lançamento do álbum. No mesmo ano, o trio clássico foi reunido virtualmente em entrevista para o podcast Rock Brasil 3.0, da rádio Unisinos FM, do Rio Grande do Sul.

07

Faixas

Lista de faixas dadas pelo Spotify e pela obra citada. Todas as faixas escritas por Humberto Gessinger, exceto onde indicado

08

Créditos

Créditos dados pelos livros referenciados.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando