A Primeira Tentação de Cristo
A Primeira Tentação de Cristo é um filme de comédia brasileiro do diretor Rodrigo Van Der Put em parceira com o grupo Porta dos Fundos e a empresa americana de streaming Netflix. Conta com as atuações de Gregório Duvivier, Fábio Porchat e Antônio Tablet, nos papéis principais.
Ao regressar de uma viagem de 40 dias pelo deserto, Jesus é surpreendido com uma festa de aniversário para celebrar seus 30 anos. A certa altura, Maria e José, os pais do aniversariante, fazem uma revelação: ele foi adotado por José e seu verdadeiro pai é Deus.
Aléxis Perri, do portal UOL, anotou que: "Tudo isso para dizer que o Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo da Netflix é uma produção de acertos e erros. Algumas coisas são engraçadas – e bem pensadas – , já outras nem tanto ou nada. Felizmente, existem mais momentos certeiros ao longo dos 46 minutos de duração deste especial, do que deslizes".
Em poucos dias de exibição, teve diversas repercussões negativas, levando à publicação de uma nota de repúdio ao filme pela Associação Nacional de Juristas Islâmicos (ANAJI). Um juiz federal anunciou que iria processar a produtora pela distribuição do filme. Um abaixo assinado requerendo a retirada do conteúdo do catálogo da plataforma e uma retratação pública foi realizada no site Change.org foi criada e registrou a marca de 2,3 milhões de assinaturas. Diversos grupos de religiosos, tanto cristãos quanto islâmicos, pregaram boicote ao filme e à Netflix. O bispo católico alagoano, Dom Henrique Soares da Costa recomendou o cancelamento de contas. No dia 8 de janeiro de 2020, houve a emissão de uma liminar por parte da Justiça do Rio de Janeiro determinando a retirada do filme do ar. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em nota, afirmou que o vídeo "agride profundamente a fé cristã". Além de evangélicos e católicos, também se manifestaram contra o vídeo representantes de outros movimentos de inspiração cristã, espíritas, humanistas, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o Instituto Brasileiro de Direito e Religião e a Federação Islâmica Brasileira (Fambras). Em setembro de 2020 o Pai de Santo Babalorixá Alexandre Montecrrath conseguiu a primeira vitória no processo que moveu contra a produtora Porta dos Fundos e a Netflix, por causa do especial de Natal. A Justiça determinou a isenção de custas processuais para o centro de umbanda Ilê Asé Ofá de Prata em favor de seu representante - no caso, Alexandre Montecrrath. O processo é de R$ 1 bilhão por causa da produção que, de acordo com a ação, é “infame e satiriza símbolos sagrados do cristianismo”. Ele também exige que o programa seja retirado do ar.
Em 24 de dezembro de 2019, na véspera de Natal, a sede da produtora Porta dos Fundos foi alvo de um ataque com coquetéis molotov. O ataque ocorreu em Humaitá, na Zona Sul do Rio de Janeiro, às 4 horas da manhã, dias depois do lançamento do filme. Dois coquetéis molotov foram lançados contra a fachada da sede, o fogo foi contido por um segurança que estava no prédio. O caso foi registrado como crime de explosão. Em uma entrevista para o Globo, Fábio Porchat, um dos sócios da produtora e ator/roteirista do filme, disse que o caso foi de "homofobia nítida" uma vez que o ataque ocorreu após o Porta dos Fundos retratar Jesus Cristo como gay. Um dia depois do atentado, um vídeo com integrantes mascarados foi divulgado no YouTube por um suposto grupo integralista que se identificou como "Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira", assumindo a autoria do ataque com um manifesto enquanto imagens do ataque eram exibidas. O grupo também criticou a Netflix e rotulou A Primeira Tentação de Cristo como blasfêmia.
O desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu aceitar um pedido feito pelo grupo católico Centro Dom Bosco de Fé e Cultura que pedia a proibição do filme pela Netflix. A Netflix recorreu no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão. Por liminar, o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, deicidiu por liminar derrubar a decisão de Abicair e escreveu em nota, "Não se descuida da relevância do respeito à fé cristã (assim como de todas as demais crenças religiosas ou a ausência dela). Não é de se supor, contudo, que uma sátira humorística tenha o condão de abalar valores da fé cristã, cuja existência retrocede há mais de 2 (dois) mil anos, estando insculpida na crença da maioria dos cidadãos brasileiros". O ministro também ressaltou que, em decisões anteriores, considerou a liberdade de expressão como "condição inerente à racionalidade humana, como direito fundamental do indivíduo e corolário do regime democrático".


