A Noiva de Frankenstein
Bride of Frankenstein é um filme de terror de monstro gótico americano de 1935, e a primeira sequência da franquia Frankenstein (1931) da Universal Pictures pertencente ao Universo cinematográfico de monstros do estúdio. Assim como o primeiro longa-metragem, A Noiva de Frankenstein teve a direção de James Whale com Boris Karloff como o Monstro e Colin Clive como Dr. Frankenstein. Além disso, conta com Elsa Lanchester no papel duplo de Mary Shelley e da noiva, Ernest Thesiger como o Dr. Septimus Pretorius e Oliver Peters Heggie como o eremita cego.
Em um castelo numa noite de tempestade, Percy Bysshe Shelley (Douglas Walton) e Lord Byron (Gavin Gordon) elogiam Mary Shelley (Elsa Lanchester) por sua história de Henry Frankenstein (Colin Clive) e seu Monstro (Boris Karloff). Ela os relembra de que sua intenção ao escrever o romance era transmitir uma lição moral sobre as consequências de um mortal que tenta desempenhar o papel de Deus. Mary afirma que ainda há mais da história a ser contada. Após os eventos de Frankenstein (1931), aldeões se reúnem ao redor do moinho incendiado para comemorar a aparente morte do Monstro. Hans (Reginald Barlow), o pai da menina afogada pelo Monstro, deseja ver os ossos da criatura. Ele cai em uma cova alagada sob o moinho, onde o Monstro — tendo sobrevivido ao fogo — o estrangula. Saindo da cova, o Monstro também atira a esposa de Hans para a morte. Em seguida, encontra Minnie (Una O'Connor), a criada de Frankenstein, que foge aterrorizada.
A Universal Pictures considerou fazer uma sequência de Frankenstein ainda nas exibições de pré-estreia de 1931, após as quais o final original do filme foi alterado para permitir a sobrevivência de Henry Frankenstein. James Whale inicialmente recusou-se a dirigir A Noiva de Frankenstein acreditando que havia "esgotado a ideia completamente". Kurt Neumann foi originalmente escalado para substituir Whale, mas decidiu filmar The Black Cat (1934). Após o sucesso de O Homem Invisível (1933), o produtor Carl Laemmle Jr. percebeu que Whale era o único cineasta possível para o longa-metragem; Whale aproveitou a situação persuadindo a Universal a deixá-lo encenar One More River (1934). Whale acreditava que a sequência não superaria o original, então decidiu torná-la uma comédia memorável. De acordo com um publicitário do estúdio, Whale e o psiquiatra da Universal decidiram que "o Monstro teria a idade mental de um menino de dez anos e a idade emocional de um rapaz de quinze".
A Noiva de Frankenstein foi submetida à censura, tanto durante a produção pelo Código Hays quanto após seu lançamento por órgãos de censura locais e nacionais. Joseph Breen, censor-chefe do Departamento Hays, opôs-se a trechos de diálogo no roteiro original submetido, nos quais Henry Frankenstein e sua obra eram comparados aos de Deus e a uma cena planejada do Monstro correndo por um cemitério em direção a uma estátua de Jesus crucificado e tentando o resgatar da cruz. Breen também se opôs ao número de assassinatos, tanto as cenas explícitas quanto os acontecimentos implícitos no roteiro, e aconselhou o cineasta a reduzi-los. Após revisar o filme em março de 1935, o departamento exigiu uma série de cortes. Whale concordou em excluir uma sequência em que o "Sobrinho Glutz" de Dwight Frye mata seu tio e culpa o Monstro e cenas de Elsa Lanchester como Mary Shelley nas quais o censurador achou que seus seios estavam muito visíveis. Apesar de sua objeção anterior, Breen não apresentou objeções às imagens cruciformes ao longo do filme – incluindo uma cena com o Monstro amarrado como Cristo a um poste – nem à apresentação de Pretorius como um gay-code. A Noiva de Frankenstein foi aprovada pelo escritório do Código de Produção em 15 de abril.
A Noiva de Frankenstein estreou em 19 de abril de 1935 no Orpheum Theater em São Francisco,[a] e entrou em lançamento geral no dia seguinte. O filme foi lucrativo para a Universal, com um relatório de 1943 mostrando que havia arrecadado aproximadamente US$ 2 milhões, um lucro de cerca de US$ 950.000. O longa-metragem foi aclamado pela crítica após seu lançamento, embora alguns críticos tenham qualificado suas opiniões com base no fato de a produção pertencer ao gênero terror. O New York World-Telegram o chamou de "bom entretenimento em seu gênero". Enquanto o New York Post o descreveu como "um conto grotesco e horripilante que, em seu gênero, é ótimo". O tablóide Hollywood Reporter, de forma semelhante, classificou o longa-metragem de "uma alegria para aqueles que conseguem apreciá-lo". A revista Variety não qualificou sua crítica dessa forma: "[É] um daqueles raros casos em que ninguém pode criticá-lo ou falar sobre ele sem mencionar o cinegrafista, o diretor de arte e o compositor da trilha sonora na mesma frase que os atores e o diretor". A revista também elogiou o elenco, escrevendo que "Karloff consegue investir o personagem com algumas sutilezas de emoção que são surpreendentemente reais e tocantes... Thesiger como Dr. Pretorious [é] uma caracterização diabólica, se é que já houve alguma... Lanchester desempenha dois papéis, primeiro em um preâmbulo como a autora Mary Shelley e depois como a mulher criada. Neste último papel, ela impressiona bastante".
Legado
Em 2008, A Noiva de Frankenstein foi selecionado pela revista Empire como um dos 500 Maiores Filmes de Todos os Tempos. Também naquele ano, o Boston Herald o nomeou o segundo melhor longa-metragem de terror depois de Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens (1922). Em 2016, James Charisma para a Playboy, o classificou em 7º lugar em uma lista sobre "15 Sequências Muito Melhores que os Originais". A Noiva de Frankenstein é frequentemente apontado como um marco do cinema de horror e um dos maiores clássicos do gênero. A caracterização da Noiva, interpretada por Elsa Lanchester, com seu cabelo ao estilizado e mechas brancas, maquiagem e figurino envolto em faixas, tornou-se uma das imagens mais reconhecíveis da cultura popular do terror audiovisual. Ela junto com demais personagens da franquia são parodiados e referenciados na mídia: The Munsters, Young Frankenstein (1974), Frankenweenie (2012) e Penny Dreadful. Filmes focando na Noiva são feitos desde então: Frankenstein Created Woman, A Prometida (1985) e Mary Shelley's Frankenstein (1994). A estética de horror e “experimento de cientista louco” de A Noiva de Frankenstein influencia o figurino e atmosfera do musical The Rocky Horror Picture Show (1975) em particular, o figurino da personagem Magenta (Patricia Quinn) já foi apontado como referência visual ao longa-metragem. O videoclipe da música "Brennende Liebe" da banda alemã de Heavy metal Oomph! com L'Âme Immortelle fez uma paródia do filme, o enredo do video conta a história de uma mulher que é criada para ser a companheira do cantor Dero Goi.
Indicação
A Noiva de Frankenstein foi indicada ao Oscar por Gravação de Som (Gilbert Kurland) mas perdeu para Naughty Marietta (Douglas Shearer).
A iconografia cristã aparece ao longo do filme. Além das cenas do Monstro amarrado em forma de cruz e da figura crucificada de Jesus no cemitério, o eremita tem um crucifixo na parede de sua cabana – que, para consternação de Whale, o editor Ted Kent fez brilhar durante um fade-out – e o Monstro consome os sacramentos cristãos do pão e do vinho em sua "última ceia" com o eremita. O historiador de terror David J. Skal sugere que a intenção de Whale era fazer uma "comparação direta do monstro de Frankenstein com Cristo". O escritor Scott MacQueen, observando a falta de convicções religiosas de Whale, contesta a noção de que o Monstro seja uma figura de Cristo. Em vez disso, o Monstro é uma "zombaria do divino", já que, tendo sido criado pelo Homem e não por Deus, "carece da centelha divina". Ao crucificar o Monstro, diz ele, Whale "mexe com os botões do público" ao inverter a crença cristã central da morte de Cristo seguida da ressurreição. O Monstro é ressuscitado primeiro e depois crucificado.
Leitura Gay
Nas décadas que se seguiram ao seu lançamento, estudiosos de cinema modernos têm notado as possíveis interpretações gays do filme. O diretor James Whale era assumidamente gay, e alguns dos atores do elenco, incluindo Ernest Thesiger e, segundo rumores, Colin Clive, eram respectivamente gays ou bissexuais. Embora James Curtis, biógrafo de Whale, rejeite a noção de que Whale se identificaria com o Monstro a partir de uma perspectiva homossexual, estudiosos perceberam um subtexto gay permeando o enredo, especialmente uma sensibilidade camp, particularmente incorporada no personagem de Pretorius e seu relacionamento com Henry. O historiador de cinema gay Vito Russo ao considerar Pretorius, não chega a identificar o personagem como gay, referindo-se a ele como "afeminado", sendo "afeminado" um código de Hollywood para "homossexual". Pretorius serve como um "Mefistófeles gay", uma figura de sedução e tentação, chegando ao ponto de afastar Frankenstein de sua noiva na noite de núpcias para se envolver no ato antinatural de criar vida. Uma novelização de A Noiva de Frankenstein publicada no Reino Unido deixou a implicação clara, com Pretorius dizendo a Frankenstein: "Sejam fecundos e multipliquem-se. Obedeçamos à injunção bíblica: você, é claro, tem a opção dos meios naturais; mas quanto a mim, receio que não haja outro caminho aberto senão o científico".
Em 1985, a MCA Home Video lançou A Noiva de Frankenstein em LaserDisc. Na década de 1990, a MCA/Universal Home Video lançou o filme em VHS como parte da "Universal Monsters Classic Collection", uma série de lançamentos dos filmes da franquia Universal Classic Monsters. Em 1999, a Universal lançou A Noiva de Frankenstein em VHS e DVD como parte da "Classic Monster Collection". Em abril de 2004, a Universal lançou Frankenstein: The Legacy Collection em DVD como parte da "Universal Legacy Collection". Esse lançamento, em dois discos, inclui A Noiva de Frankenstein, bem como original Frankenstein (1931), Son of Frankenstein (1939) e The House of Frankenstein (1944). Em 2012, A Noiva de Frankenstein foi lançado em Blu-ray como parte do box set Universal Classic Monsters: The Essential Collection, que também inclui um total de nove filmes da série Universal Classic Monsters. Em 2014, a Universal lançou Frankenstein: Complete Legacy Collection em DVD. Esse conjunto contém oito filmes: Frankenstein, A Noiva de Frankenstein, Son of Frankenstein, Ghost of Frankenstein, Frankenstein Meets the Wolf Man, The House of Frankenstein, House of Dracula e Abbott and Costello Meet Frankenstein. Em 2015, a coleção de seis filmes Universal Classic Monsters Collection foi lançada em DVD. Em 2016, o longa-metragem recebeu um lançamento exclusivo em Blu-ray pela Walmart, apresentando uma capa com efeito fosforescente. No mesmo ano, a Complete Legacy Collection foi lançada em Blu-ray. Em setembro de 2017, A Noiva de Frankenstein recebeu um lançamento exclusivo em Best Buy no formato SteelBook para Blu-ray, com arte de capa criada por Alex Ross.
Em 1939, a sequência Son of Frankenstein foi lançada, como todas as que se seguiram, sem Whale ou Clive (este último havia falecido em 1937). Este filme apresentou a última atuação completa de Boris Karloff como o Monstro. Son of Frankenstein contou com Basil Rathbone como Barão Wolf von Frankenstein, Bela Lugosi como o corcunda barbudo Ygor e Lionel Atwill como Inspetor Krogh. No ano de 1942, The Ghost of Frankenstein foi lançado nos cinemas. O filme apresenta Lon Chaney Jr. como o Monstro, substituindo Boris Karloff, que interpretou o papel nos três primeiros filmes da série, e Bela Lugosi em sua segunda aparição como Ygor. Recebeu análises negativas da crítica especializada por seu roteiro formulário, auto-cômico e pelas mudanças no elenco. Rubens Ewald Filho, para o UOL, aponta que a produção “já em decadência” sofre com um roteiro cheio de incongruências, maquiagem rígida e atuação inexpressiva de Chaney, embora ressalte que Lugosi traz nuances interessantes ao papel. O quinto filme da franquia, Frankenstein Meets the Wolf Man foi lançado em 1943, dirigido por Roy William Neill e estrelado por Bela Lugosi como o monstro de Frankenstein que enfrenta o personagem-título de The Wolf Man (Lon Chaney Jr.) sendo considerado um dos usos de crossover e de universo compartilhado da história do cinema. Na sequência, The House of Frankenstein (1944), Karloff retornou à série, mas não para reprisar seu papel como o monstro, e sim como o Doutor Louco; o monstro foi interpretado desta vez por Glenn Strange e Chaney Jr. retornou como o Lobisomem. Drácula também apareceu no filme, interpretado por John Carradine. A sua sequência, House of Dracula (1945), apresentou os mesmos três monstros — Drácula, o monstro de Frankenstein e o Lobisomem — com o mesmo elenco em suas interpretações.


