Terra Média
Terra-média é a terra antiga e fictícia de J. R. R. Tolkien, onde a maioria dos contos do seu imaginário ocorrem. Terra-média é a tradução literal do termo anglo-saxão middangeard, referindo-se a este mundo, o reino dos humanos. Tolkien traduziu "Terra-média" como Endor e Ennor nas línguas élficas quenya e sindarin.
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O termo "Terra-média" ("Middle-earth" em inglês) não foi inventado por Tolkien. Ele já existia no anglo-saxão como middanġeard e no inglês médio como midden-erd ou middel-erd e em norueguês antigo como Midgard. É em inglês aquilo que os Gregos chamaram o οικουμένη (oikoumenē) ou "o local permanente dos homens", o mundo físico como oposto dos mundos invisíveis (As Cartas de J. R. R. Tolkien, 151). A palavra Mediterrâneo provém de duas raízes latinas, medi, meio, e terra. Middangeard é citada meia-dúzia de vezes em Beowulf, o qual Tolkien traduziu e sobre cujo estudo ele era possivelmente a maior autoridade mundial. (Ver também J. R. R. Tolkien para discussão das suas inspirações e fontes). Ver Midgard e Mitologia Nórdica para o uso mais antigo. Tolkien também foi inspirado por este fragmento: do poema Crist de Cynewulf. O nome earendel (que pode significar a 'estrela da manhã' mas em alguns contextos era um nome para Cristo) foi a inspiração para personagem o marinheiro de Tolkien, Eärendil.
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J. R. R. Tolkien nunca finalizou a geografia de todo o mundo associado a O Hobbit e a O Senhor dos Anéis. Em The Shaping of Middle-earth, volume IV da História da Terra Média, Christopher Tolkien publicou vários mapas de referência, tanto da original terra plana como do mundo redondo, que seu pai tinha criado no final dos anos 30. Karen Wynn Fonstad partiu desses mapas para desenvolver detalhados "mapas do mundo inteiro", apesar de não-canônicos, que refletiam um mundo consistente com as eras históricas retratadas em O Silmarillion, O Hobbit, e O Senhor dos Anéis. Endor, o termo "quenya" para Terra-média, foi concebido originalmente como se ajustando a um esquema grandemente simétrico, desfigurado pela ambição de Melkor de ser o único criador. A simetria era definida por dois grandes sub-continentes, um no norte e outro no sul, com cada um deles com duas longas cadeias de montanhas nas regiões a este e a oeste. Foram dados às cadeias montanhosas nomes baseados nas cores (Montanhas Brancas, Montanhas Azuis, Montanhas Cinzentas e Montanhas Vermelhas).
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Eä é o nome do Universo, enquanto arda, (significa o Reino, vindo do élfico primitivo gardā, adaptada do valarin Aþāraphelūn) é, a princípio, o nome usado para designar o Sistema Solar, mas também pode ser usado especificamente como nome para o Planeta Terra. Segundo a mitologia de Tolkien, Arda foi criada através da composição de uma música magnífica, Ainulindalë, quando Ilúvatar solicitou aos Ainur, espécie de anjos, que criassem juntos uma grandiosa melodia, com a inspiração da Chama Imperecível. Sempre foi alvo da cobiça de Melkor, cujo objetivo era governá-la. Porém, Manwë foi designado para ser o senhor do reino de Arda. Este chamou a si muitos espíritos superiores e inferiores, que desceram aos campos de Arda e ajudaram na concretização do projeto vislumbrado na Grande Música, preparando Arda para a chegada dos Filhos de Ilúvatar. Apesar de 'Terra-média' referir-se estritamente a um continente específico (chamado Endor na língua élfica quenya e Ennor em Sindarin, ambos designando "terra do meio"), representando aquilo que nós conhecemos como Eurásia e África, o termo é muitas vezes usado para significa toda a 'terra' (correctamente chamada Arda), ou até todo o universo no qual os contos tomam lugar.
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A suprema divindade do universo de Tolkien é chamada Eru Ilúvatar. No princípio, Ilúvatar criou espíritos chamados Ainur, e conduziu-os com música divina. O Ainu Melkor, equivalente de Tolkien para Satanás, quebrou a harmonia, e em resposta Ilúvatar introduziu novos temas que intensificaram a música para além da compreensão dos Ainur. A essência da sua canção estabelecia a história do universo ainda por criar e das pessoas que aí iriam habitar. Então Ilúvatar criou Eä, o próprio universo, e os Ainur formaram nele Arda, a Terra, "englobada dentro do vazio": o mundo, juntamente com o ar é separada de Kuma, o "vazio" sem vida. Os quinze Ainur mais poderosos que apareceram inicialmente no mundo para moldar e governar Arda são chamados os valares, sendo um dos quais Melkor, o mais poderoso. Antes da segunda metade da Primeira Era, a Terra era radicalmente diferente do mundo da Terceira Era e das Eras posteriores: Arda foi criada como um mundo plano, representada como um navio ou uma ilha a flutuar no oceano circundante (Vaiya), que forma água por baixo de Arda e ar por cima. O Sol e a Lua, bem como algumas estrelas (incluindo as estrelas da Ursa Maior) seguiram o seu caminho dentro de Vaiya, e como tal são parte de Arda, separados do Vazio.
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A Terra-média é o lar de várias espécies inteligentes. Primeiro estão os Ainur, seres angelicais criados por Ilúvatar. Os Ainur ajudaram Ilúvatar a criar Arda no mito cosmológico chamado "Ainulindalë", ou "Música dos Ainur". Alguns dos Ainur entraram posteriormente em Arda, e os maiores destes são chamados de Valar. Melkor (posteriormente chamado "Morgoth"), a representação do mal na Terra-média, era inicialmente um deles. Os Ainur inferiores que entraram em Arda são chamados de Maiar. Na Primeira Era, o principal exemplo é Melian, esposa do Rei Élfico Thingol; na Terceira Era, os Maiar estão representados pelos Istari (a quem os Homens chamam Magos), incluindo Gandalf, Saruman e Radagast. Também havia Maiar maléficos, incluindo os Balrogs e o Senhor das Trevas Sauron. Mais tarde vieram os filhos de Ilúvatar: Elfos e Homens, seres inteligentes criados unicamente por Ilúvatar. Em O Silmarillion, passado na Primeira Era e mesmo antes, muito é dito acerca dos Elfos, os Primogênitos, em sua glória, mas os Homens aparecem perto do fim.
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Originalmente, Tolkien começou a escrever O Silmarillion como uma derivação dos seus projectos de construção de linguagens. Delineou duas línguas élficas principais, que mais tarde ficariam conhecidas por Quenya, falada pelos Vanyar, pelos Noldor e alguns Teleri, e o Sindarin, falada pelos Elfos que permaneceram em Beleriand (ver abaixo). Estas línguas estavam relacionadas, e considera-se que sejam um postulado da forma ancestral de ambas, o eldarin comum.
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A história da Terra-média está dividia em três períodos de tempo, conhecidos como os Anos das Lâmpadas, os Anos das Árvores e os Anos do Sol. Os Anos do Sol são posteriormente subdivididos em Eras. A maior parte das histórias da Terra-média ocorre nas primeiras três Eras do Sol. Os Anos das Lâmpadas começaram pouco após a criação de Arda pelos valares. Os Valar criaram duas lâmpadas para iluminar o mundo, e o Vala Aulë construiu duas grandes torres, uma no norte longínquo, e outra no sul mais profundo. Os Valar viviam no meio, na ilha de Almaren. A destruição das duas lâmpadas por Melkor marcou o final dos Anos das Lâmpadas. Então, Yavanna criou as Duas Árvores, chamadas Telperion e Laurelin na terra de Aman. As Árvores iluminavam Aman, deixando a Terra Média no crepúsculo. Os Elfos acordaram perto do Lago Cuiviénen, a leste da Terra-média, e foram rapidamente abordados pelos Valar. Muitos dos Elfos foram persuadidos a continuar a Grande Viagem em direcção ao Ocidente para Aman, mas nem todos eles terminaram a viagem (ver a Cisão dos Elfos). Os Valar tinham capturado Melkor, mas ele parecia arrependido e foi libertado. Semeou grande discórdia entre os Elfos, e provocou rivalidades entre os príncipes Elfos Fëanor e Fingolfin. Depois, assassinou o pai de ambos, o rei Finwë, e roubou os Silmarils, três gemas forjadas por Fëanor que continham a luz das Duas Árvores, do seu cofre, e destruiu ele próprio as Árvores.
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Filmes e Série
Em carta a Christopher Tolkien, J. R. R. Tolkien desistiu de sua política de não adaptação de seus trabalhos para o cinema: "Dinheiro ou arte". Ele vendeu os direitos de O Hobbit e O Senhor dos Anéis para a United Artists em 1969 depois de ser surpreendido por um inesperado imposto. Estes direitos estão atualmente nas mãos de Tolkien Enterprises, que não tem relação com a Tolkien Estate, a qual mantém os direitos de O Silmarillion e de outras obras. A primeira adaptação para cinema foi O Hobbit em 1977, criada nos estúdios Rankin-Bass. Foi inicialmente exibido na televisão dos EUA. No ano seguinte (1978), um filme intitulado O Senhor dos Anéis foi lançado, produzido e dirigido por Ralph Bakshi; foi uma adapatação da primeira metade da história, usando animação de rotoscopia. Apesar de relativamente fiel a história, foi mais um sucesso comercial que crítico, e acabou não tendo uma continuação.
Jogos
As obras de Tolkien têm sido uma grande influência nos jogos de RPG juntamente com outros como Robert E. Howard, Fritz Leiber, H. P. Lovecraft, e Michael Moorcock. Entretanto, o jogo mais famoso inspirado nas ideias de Tolkien foi Dungeons & Dragons. Existem apenas dois jogos especificamente baseados na Terra-média, que são: Lord of the Rings Roleplaying Game da Decipher Inc., e o Middle-Earth Role Playing da Iron Crown Enterprises. A Simulations Publications criou três war games baseados nas obras de Tolkien. War of the Ring envolve muitos dos eventos da trilogia de O Senhor dos Anéis. Gondor focado na batalha nos Campos de Pelennor, e Sauron envolvido nas batalhas da Segunda Era (?) diante os portões de Mordor. um jogo de guerra baseado na série de filmes O Senhor dos Anéis está começando a ser produzido por Games Workshop.


