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A Mulher sem Pecado

A Mulher sem Pecado, de 1941, foi a primeira peça teatral escrita por Nelson Rodrigues.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Sinopse

A história gira em torno do excessivo ciúme que Olegário sente pela segunda esposa, Lídia, e como isso atrapalha a vida do casal. A situação piora ainda mais quando Olegário fica paralítico, pois a todo instante ele atormenta a esposa, com acusações ofensivas. Olegário então contrata pessoas para vigiar Lídia a todo instante, desde a ida à modista até à padaria perto de casa. A obsessão do marido é tanta que até o mendigo louco que mora nas ruas é visto como um amante de Lídia. Na casa ainda moram o chofer Umberto; a mãe de Dr. Olegário, D. Aninha, que é tida como insana mas, nenhum mal faz; Maurício, irmão de criação de Lídia; assim como a criada Inézia e a mãe de Lídia, Dona Márcia. Todo o desenrolar da trama acontece em um único ambiente: a sala da casa de Olegário.

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Características relevantes

Imagem: midianinja · BY-NC-SA · Openverse

A tragédia A Mulher sem Pecado é de fundo absolutamente psicológico: Olegário consegue poluir a cabeça da mulher com fantasias sexuais e luxúria, Lídia é acusada, pelos muitos que a vigiam, de ter sido namoradeira na época em que não era casada. Ela é a segunda esposa de Olegário. A primeira esposa morreu em uma época que não se sabe exatamente quando foi. Olegário é um homem atormentado pelos seus sentimentos, ele acusa o destino de ter sido cruel com ele, e de ter "amaldiçoado" sua vida, pois os parentes de sua mulher o incomodam, em especial Maurício, irmão de criação de Lídia, o qual Olegário acusa ter um caso incestuoso com a mulher. Caracteriza-se essa peça como tragédia, mas poderia ser inserida no ramo do tragicômico, que responde a quatro critérios:

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Unidade de ação

Imagem: M.J.Ambriola · BY-SA · Openverse

A unidade de ação da peça gira em torno do único núcleo mais importante da peça, a tensão das atitudes de Olegário em relação à Lígia. O fator surpresa chega ao ápice quando se descobre que Olegário tem fingido a paralisia durante sete meses. O clímax da ação se manifesta ao descobrir-se o romance que existe entre Lídia e Umberto, que fogem no final, Lídia exausta com o casamento, e Umberto, talvez, apenas atrás de mais uma aventura. Esse final um tanto quanto inesperado é fruto do destino; no momento em que Olegário convence-se de uma vez por todas que sua mulher é fiel, ela foge com Umberto, depois de tanta luta pra provar a sua fidelidade, Lídia e todos, acabam sendo tragados pelo destino. A unidade de lugar é a casa do casal principal, mais especificamente a sala. A unidade de tempo nesta peça não é explícita, o que garante a universalidade do tema, que pode ser encenado em qualquer época e lugar.

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Conclusão

Imagem: Leonardo X · BY-NC · Openverse

É importante salientar a questão: se Olegário não tivesse mentido sobre uma doença que nunca existiu, ele teria conseguido manter seu casamento com Lídia? Não há como saber, e o público só tem conhecimento que o casamento já foi estável algum dia graças às lembranças de Lídia. O destino foi o fator primordial desta tragédia: o final, além da punição de Olegário pelas mentiras e pelas desconfianças, há também a punição moral, pois se ele não tivesse implantado na cabeça da esposa tantos pensamentos pecaminosos, talvez ela jamais teria abandonado o conforto da casa do marido e fugido com o empregado (rebaixamento de classe), causando humilhação para Olegário.

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