História da Inglaterra
A Inglaterra é o território mais extenso e mais povoado do Reino Unido. Habitada por povos celtas desde o século X a.C., a Inglaterra foi colonizada pelos Romanos entre 43 d.C. e princípios do século V. A partir de então começou a invasão de uma série de povos germânicos que foram expulsando os celtas, parcialmente romanizados, até Gales, Escócia, Cornualha e a Bretanha francesa. No século X, depois de resistir a uma série de ataques viquingues, unificou-se politicamente. Depois da ascensão de Jaime VI da Escócia ao trono da Inglaterra, em 1603, e a anexação da Escócia pela Inglaterra em 1707, é mais apropriado diferenciar a história da Inglaterra da do resto da Grã-Bretanha.
Indícios arqueológicos demonstram que a área hoje conhecida como o sul da Inglaterra foi povoada bem antes do restante das Ilhas Britânicas, devido ao clima ameno entre e durante as diversas idades do gelo. Os habitantes pré-romanos da Grã-Bretanha não deixaram documentos escritos e suas história e cultura são estudadas por meio de achados arqueológicos. Conservam-se poucos indícios da civilização dos primeiros habitantes da ilha, como o monumento megalítico de Stonehenge, que data da Idade do Bronze (até 2 300 a.C.). As técnicas de trabalho em ferro chegaram à Grã-Bretanha em cerca de 750 a.C., provenientes do sul da Europa, dando início à Idade do Ferro. Por volta de 500 a.C., a chamada cultura celta havia alcançado quase todas as Ilhas Britânicas. Os bretões da Idade do Ferro viviam em grupos tribais organizados, governados por um chefe. A primeira menção histórica à região é do Périplo massaliota (Massaliote Periplus), um manual de navegação para comerciantes provavelmente datado do século VI a.C. Píteas de Massília nele escreveu sobre sua viagem de negócios à ilha em cerca de 325 a.C. Mais tarde, outros autores, tais como Plínio, o Velho, e Diodoro Sículo, mencionam o comércio de estanho proveniente do sul da ilha.
Em duas ocasiões, em 55 e 54 a.C., Júlio César invadiu a Britânia, mas não logrou conquistar território, limitando-se a estabelecer Estados-clientes. Em 43, Cláudio foi bem-sucedido em nova tentativa de invasão, dando início à província romana da Britânia. Os britânicos defenderam sua terra, mas os romanos, militarmente superiores, conseguiram dominar a ilha. Iniciaram uma forte opressão contra o druidismo, religião mais popular no local na época. Os romanos fundaram cidades, como Londres, e fortalezas, utilizando engenharia e arquitetura nunca antes vistas na Britânia. Também ergueram muralhas (como a de Adriano) que cruzavam a Grã-Bretanha de oeste para leste, cujo propósito era impedir incursões militares de tribos ao norte (no que é a atual Escócia) contra o território da província romana. A influência romana também foi muito forte na cultura religiosa britânica. Primeiro, a própria história de deuses celtas foi desaparecendo, transformando-os apenas em deuses romanos com nomes celtas (uma relação mais ou menos parecida com a da mitologia grega com a romana). Os romanos também levaram para a ilha o cristianismo que, quando da retirada das forças romanas no século V, já tinha força considerável na Grã-Bretanha. Depois, as próprias disputas internas aumentaram a influência do cristianismo, fazendo o druidismo desaparecer gradativamente e sem deixar muitos registros históricos, pois os druidas recusavam-se a escrever sobre seus dogmas e rituais. E no próprio povo britânico, até mesmo entre os nobres, era raríssima a prática da escrita.
Na esteira do colapso do governo romano em cerca de 410 na Grã-Bretanha, a atual Inglaterra foi progressivamente ocupada por povos germânicos. Conhecidos coletivamente como anglo-saxões, estes grupos incluíam jutos da Jutlândia, juntamente com um maior número de saxões, provenientes do noroeste da Alemanha, e anglos, provenientes do atual estado alemão de Eslésvico-Holsácia. Antes desses assentamentos, alguns frísios invadiram o leste da Grã-Bretanha durante os anos de 250. Além dos povos já citados(anglos,saxões,frísios)outros povo também teriam feito parte da invasão anglo-saxã,como os jutos e francos,porém em números bem inferiores. Inicialmente, eles invadiram a Grã-Bretanha em meados do século V, continuando a fazê-lo por várias décadas. Os jutos parecem ter sido o principal grupo de colonizadores em Kent, na Ilha de Wight e partes da costa de Hampshire, enquanto os saxões predominaram em todas as outras áreas ao sul do Tâmisa e em Essex e Middlesex, e os anglos em Norfolk, Suffolk, Midlands e ao norte.
Próximo ao ano de 495, na Batalha do Monte Badon, os britânicos infligiram uma severa derrota a um exército invasor anglo-saxão que interrompeu o avanço bárbaro para oeste por algumas décadas. Evidências arqueológicas recolhidas de cemitérios pagãos anglo-saxões sugerem que alguns dos seus assentamentos foram abandonados e a fronteira entre os invasores e os habitantes nativos foi recuada por algum tempo por volta do ano 500. A expansão anglo-saxã foi retomada no século VI, embora a cronologia de sua evolução não seja clara. Um dos poucos eventos individuais que emerge com alguma clareza antes do século VII é a Batalha de Deorham, em 577, na qual uma vitória dos saxões ocidentais levou à captura de Cirencester, Gloucester e Bath, trazendo o avanço anglo-saxão para o Canal de Bristol e separando os britânicos do West Country dos de Gales. A vitória do Reino da Nortúmbria na Batalha de Chester, em torno de 616, pode ter tido um efeito semelhante separando os britânicos de Gales dos britânicos da Cúmbria.
A cristianização da Inglaterra anglo-saxã começou por volta do ano 600, influenciada pelo cristianismo céltico a partir do noroeste e da Igreja Católica a partir do sudeste. Agostinho, o primeiro Arcebispo de Cantuária, assumiu o cargo em 597. No ano de 601, ele batizou o primeiro rei anglo-saxão cristão, Etelberto de Kent. O último rei anglo-saxão pagão, Penda de Mércia, morreu em 655. O último rei juto pagão, Arvaldo da Ilha de Wight, foi assassinado em 686. A missão anglo-saxã no continente decolou no século VIII, levando à cristianização de praticamente todo o Reino Franco por volta do ano 800. Durante os séculos VII e VIII o poder oscilou entre os maiores reinos. Beda cita Etelberto de Kent como sendo dominante no final do século VI, mas o poder parece ter se deslocado em direção ao norte para o reino da Nortúmbria, que foi formada a partir da junção de Bernícia e Deira. Eduíno da Nortúmbria provavelmente manteve o domínio sobre grande parte da Grã-Bretanha, embora a influência de Beda na Nortúmbria deva ser considerada. Crises sucessórias significavam que a hegemonia nortumbriana não era constante e Mércia mantinha-se como um reino muito poderoso, especialmente no reinado de Penda. Duas derrotas essenciais terminaram com o domínio nortumbriano: a Batalha do Trent, em 679, contra Mércia, e a Batalha de Dunnichen, em 685, contra os pictos.
A Crônica Anglo-Saxônica registra a incursão de 793 contra o mosteiro de Lindisfarne como ponto de partida na longa história de ataques viquingues contra a Grã-Bretanha. Após um período de saques e incursões, os viquingues começaram a colonizar a Inglaterra e ali comercializar. Chegaram em barcos com bons exércitos, em sua maioria dinamarqueses, e tomaram para si praticamente todos os reinos ingleses, que eram independentes. A partir do fim do século IX, governavam parte considerável do território inglês, no que era conhecido como o Danelaw. Alfredo, o Grande impediu a invasão dos viquingues em seu reino, Wessex, por meio da construção de diversas fortalezas. Seu sucesso contra as incursões viquingues e a reorganização do reino por ele empreendida fizeram com que a história lhe outorgasse o epíteto "O Grande".
De acordo com as Crônicas Anglo-Saxãs, o primeiro ataque viking na Grã-Bretanha ocorreu em 793 no mosteiro de Lindisfarne. Entretanto, nesta época, os vikings já se encontravam, quase com certeza, bem estabelecidos em Orkney e Shetland, desta forma, é provável que muitos outros ataques (não registrados) tenham ocorrido antes. Registros mostram que o primeiro ataque viking em Iona ocorreu em 794. A chegada dos vikings, em especial do grande exército dinamarquês, desorganizou a geografia política e social da Grã-Bretanha e da Irlanda. A vitória de Alfredo, o Grande na Batalha de Ethandun, em 878, estancou o ataque dinamarquês, entretanto, naquela altura Nortúmbria tinha se transformado em Bernícia e um reino viking, Mércia tinha sido dividida ao meio e Ânglia Oriental tinha deixado de existir como uma organização política anglo-saxônica. Os vikings tiveram efeitos semelhantes sobre os vários reinos escoceses, pictos e, em menor grau, galeses. Certamente, no norte da Grã-Bretanha os vikings foram uma das razões por trás da formação do Reino de Alba, que viria a originar a Escócia.
Alfredo de Wessex morreu em 899 e foi sucedido por seu filho Eduardo, o Velho. Eduardo, e seu cunhado Etelredo, a partir do que sobrou da Mércia, iniciou um programa de expansão, construção de fortalezas e cidades em um modelo Alfrediano. Com a morte de Etelredo, sua esposa Etelfleda, irmã de Eduardo, governou como "Senhora dos Mercianos" e continuou com a expansão. Parece que Eduardo teve seu filho Etelstano criado na corte da Mércia, e com a morte de Eduardo, Etelstano o sucedeu no reino de Mércia e, depois de algumas incertezas, em Wessex. Etelstano continuou a expansão de seu pai e sua tia e foi o primeiro rei a alcançar regência direta do que nós consideramos hoje a Inglaterra. Os títulos atribuídos a ele em documentos e moedas sugerem um domínio ainda mais amplo. Sua expansão despertou mal-estar entre os outros reinos da Grã-Bretanha, em função disto, Etelstano derrotou um exército combinado escocês-viquingue na Batalha de Brunanburh. No entanto, a unificação da Inglaterra não era uma certeza. Sob governo dos sucessores de Etelstano, Edmundo e Edredo, os reis ingleses repetidamente perderam e reconquistaram o controle da Nortúmbria. No entanto, Edgar, que governou o mesmo território de Etelstano, consolidou o reino, que se manteve unido posteriormente.
Houve novos ataques escandinavos na Inglaterra no final do século X. Etelredo teve um longo reinado, mas por fim acabou perdendo seu reino para Sueno I da Dinamarca, recuperado após a morte deste último. No entanto, o filho de Etelberto, Edmundo II, morreu pouco depois, permitindo a Canuto, o Grande, filho de Sueno, tornar-se o rei de Inglaterra. Sob seu governo o reino se tornou o centro do governo de um império que também incluía a Dinamarca e a Noruega. Canuto foi sucedido por seus filhos, mas, em 1042, a dinastia nativa foi restaurada com a ascensão de Eduardo, o Confessor. A falha de Eduardo em produzir um herdeiro gerou um conflito violento pela sucessão do reinado após sua morte em 1066. Suas lutas por poder contra Goduíno de Wessex, as reivindicações dos sucessores escandinavos de Canuto e as ambições dos normandos a quem Eduardo introduziu às questões políticas inglesas para reforçar sua própria posição, motivaram todos a competir pelo controle do reinado de Eduardo.
A conquista normanda levou a uma mudança radical na história do estado Inglês. Guilherme ordenou a compilação do Domesday Book, uma pesquisa de toda a população e suas terras e propriedades para fins de tributação, o que revela que, dentro de 20 anos da conquista, a classe dominante inglesa tinha sido quase completamente desapossada e substituída por proprietários normandos, que também monopolizaram todos os altos cargos do governo e da igreja. Guilherme e seus nobres falavam e conduziam a corte em francês normando, na Inglaterra, bem como na Normandia. O uso da língua anglo-normanda pela aristocracia resistiu por séculos e deixou uma marca indelével no quadril do inglês moderno. A Idade Média inglesa foi caracterizada por guerras civis, guerras internacionais, insurreições ocasionais e intrigas políticas generalizadas entre a elite aristocrática e monárquica. A Inglaterra era mais do que auto-suficiente em cereais, produtos lácteos, carne bovina e de carneiro. A economia internacional do país era baseada no comércio de lã, onde a produção das pastagens de carneiros do norte da Inglaterra era exportada para as cidades têxteis de Flandres, onde era transformada em tecidos. A política externa medieval estava mais moldada pelas relações com a indústria têxtil flamenga do que pelas aventuras dinásticas no oeste da França. A indústria têxtil inglesa foi implantada no século XV, fornecendo a base para a rápida acumulação de capital inglesa.
Guerra dos Cem Anos (1337-1453)
Em fevereiro de 1328 morreu o rei Carlos IV. Eduardo III da Inglaterra tinha direitos ao reinado francês por ser sobrinho de Carlos, mas os nobres franceses preferiram Filipe de Valois, quem reinou com o nome de Felipe VI. Em 1337, Filipe VI confiscou o ducado da Aquitânia. Isto acabou por desencadear um conflito aberto entre Inglaterra e França que viria a chamar-se Guerra dos Cem Anos. As primeiras vitórias foram para os ingleses, superiores militarmente: em 1340, na batalha naval de Sluys, em 1346 em Crécy e em 1347 em Calais. Esta cidade permaneceria no poder dos ingleses até 1558. Em 1348, a Peste Negra atingiu a Inglaterra e matou possivelmente um terço da população.
Guerra das Rosas (1455-1487)
A Guerra das Rosas (1455-1485) foi o conjunto de conflitos intermitentes que enfrentou aos membros e partidários da Casa de Lencastre (ou Lancaster) contra os da Casa de York, pretendentes ao trono da Inglaterra. Ambas famílias reais tinham origem comum na Casa Real, como descendentes do rei Eduardo III. O nome "Guerra das Duas Rosas" ou "Guerra das Rosas" não foi utilizado na sua época, mas procede dos emblemas de ambas casas reais. Por um lado estava a rosa vermelha dos Lencastre e pelo outro a rosa branca de York. O antagonismo entre ambas casas começou quando o rei Ricardo II foi destronado por seu primo, Henrique Bolingbroke em 1399. Henrique era o quarto filho de João de Gante, quem por sua vez era o terceiro filho de Eduardo III. De acordo com a lei de sucessão inglesa, a coroa deveria recair nos descendentes masculinos de Leonel de Antuérpia. Com a morte de Bolingbroke, em 20 de março de 1413, assumiu a coroa seu filho Henrique V. Durante seu curto reinado, Henrique V teve que sufocar uma revolta liderada pelo neto de Henrique III, Ricardo de Conisburgh, Conde de Cambridge. A esposa de Ricardo de Conisburgh, Ana Mortimer, reclamou seus direitos sobre a coroa, já que era filha de Roger Mortimer e, portanto, descendente de Leonel de Antuérpia. Henrique V morreu em 1422, e Ricardo, duque de York e filho de Ana Mortimer, se propôs a desafiar ao novo rei, o frágil Henrique VI.


