Vercingetórix
Vercingetórix ou Vercingétorix foi o chefe gaulês do povo dos arvernos que liderou a grande revolta gaulesa contra os romanos entre 53 a.C. — 52 a.C. Seu nome em gaulês é composto por ver, cingéto ("guerreiro") e rix. Caso se considere que o ver se aplique a rei ou a guerreiros, seu nome significaria "chefe supremo dos guerreiros" ou "o chefe dos grandes guerreiros".
Filho de Celtilo, Vercingetórix serviu como auxiliar no exército romano. Em 56 a.C., Júlio César protegeu seu pai, permitindo-lhe afirmar-se como chefe de todos os arvernos com pretensões de ser rei. Porém Celtilo foi assassinado, e César não interveio em seu favor.
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A Gália estava dividida em três partes, ao norte, a "Terra dos Celtas", habitada pelos belgas, no centro pelos gauleses propriamente ditos (Galia Comata), e, ao sul pelos aquitanos. Politicamente, a parte meridional encontrava-se nas mãos dos romanos entre 222 a.C.–121 a.C., que a denominavam de Gália Narbonense, tendo como principal centro o porto de Marselha. A Gália Comata estava habitada por tribos celtas. Dividiam-se, de um modo geral, em galos Heudos, Arvernos, Belgas e nos que compunham as tribos marítimas que habitavam nas margens do Atlântico (onde hoje se situam a Bretanha e a Normandia). Esses gauleses, rústicos e durões, que até então estavam fora da órbita romana, eram chamados de "galos cabeludos" (Gallo comata), para separá-los dos chamados "galos togados" (já totalmente romanizados). Caçadores e guerreiros, envolvidos em intermináveis desavenças tribais, os galos cabeludos desprezavam a atividade agrícola, apesar da grande fertilidade do solo. Dedicavam-se à criação de cavalos e de gado, havendo porém entre eles grandes artistas no trabalho com bronze, estanho e objetos de prata. O pouco comércio que conheciam era em geral praticado por comerciantes romanos.
Vercingetórix, de início, encontrou dificuldades pela frente. Foi expulso de Gergóvia, sua cidade natal, pelos dirigentes da comunidade que, por um lado, não queriam se lançar no que consideraram uma aventura e, por outro, viam com desconfiança o filho de Celtilo que podia também querer reivindicar a coroa de rei dos arvernos, como fizera o pai. Vercingetórix sabia-se popular e foi aos campos para recrutar vagabundos, conforme informado posteriormente por Júlio César, e certamente muitos camponeses ou mesmo lavradores que haviam sido privados de suas terras pela ocupação romana. Com esse primeiro exército, penetrou em Gergóvia, exortou os habitantes da cidade à resistência, acabou por convencê-los e por expulsar os covardes e os traidores. Consciente de que pode realizar na urgência uma espécie de unidade nacional, da qual talvez tenha ainda um sentimento confuso mas mesmo assim profético, ele enviou mensagens aos principais povos da Gália para convidá-los a se rebelarem e a se colocarem sob sua autoridade. Seus delegados foram bastante convincentes para obter a aliança de senenses, parísios, pictos, cadurcos, turões, aulercos, lemovices, andecavos e todos os povos que viviam às margens do oceano Atlântico, a oeste da Gália. Para estar seguro de sua lealdade, exigiu, segundo o costume, que lhe fossem entregues reféns que serviriam de garantia.
Júlio César foi voluntariamente lacônico sobre a rendição daquele que o enfrentou durante um ano e que conseguiu reunir os povos da Gália, o que era inimaginável para um romano. Ele não quis fazer de Vercingetórix um herói nem um mártir. Outros historiadores relataram a cena que forneceu o tema de muitos quadros de pintores de História, sobretudo no século XIX. Ela não engrandece César, menos irritado pela coragem desse inimigo que ele admira implicitamente do que pela perda de tempo que este lhe impôs, obrigando-o a desviar-se do essencial, isto é, a política que se faz em Roma, nesse meio tempo, sem ele e sobretudo contra ele. Essa cólera foi expressa numa atitude mesquinha que não era digna de César. Ele perdeu a serenidade. Foi Amédée Thierry, irmão esquecido de Augustin Thierry, que, levando em conta informações antigas sobre esse encontro último e trágico entre César e Vercingetórix, especialmente as de Dião Cássio e de Plutarco nos forneceu o melhor relato, em sua "História dos Gauleses":


