A Filha de Ryan
Ryan's Daughter é um filme britânico de drama romântico épico de 1970 dirigido por David Lean, escrito por Robert Bolt e estrelado por Robert Mitchum e Sarah Miles. Ambientado entre agosto de 1917 e janeiro de 1918, conta a história de uma irlandesa casada que tem um caso com um oficial britânico durante a Primeira Guerra Mundial, apesar da oposição moral e política de seus vizinhos nacionalistas. O elenco de apoio inclui John Mills, Christopher Jones, Trevor Howard e Leo McKern. O roteiro é livremente inspirado no romance Madame Bovary (1857) de Gustave Flaubert.
Em agosto de 1917, Rosy Ryan (Sarah Miles), filha única do dono do bar local, o viúvo Thomas Ryan (Leo McKern), está entediada com a vida em Kirrary, uma vila isolada na Península de Dingle, no Condado de Kerry, sudoeste da Irlanda. Os moradores são nacionalistas irlandeses e provocam os soldados britânicos de um acampamento militar próximo. Tom Ryan apoia publicamente a recém-reprimida Revolta da Páscoa mas secretamente serve aos britânicos como informante. Rosy se apaixona pelo professor da escola da vila, o viúvo Charles Shaughnessy (Robert Mitchum). Ela imagina, embora o tente convencê-la do contrário, que ele de alguma forma trará mais emoção à sua vida. Eles se casam e se estabelecem na escola, mas ele é um homem quieto e desinteressado em sexo. O major Randolph Doryan (Christopher Jones) chega em outubro de 1917 para assumir o comando do acampamento militar. Após ganhar a Cruz Vitória na Frente Ocidental, ele tem uma perna aleijada e sofre de neurose de guerra. Quando visita o pub onde Rosy está servindo sozinha, ele desaba em um flashback das trincheiras e é consolado por ela. Os dois se beijam apaixonadamente até serem interrompidos pela chegada de Ryan e outros. No dia seguinte, os dois cavalgam até uma floresta para um encontro apaixonado e fazem amor pela primeira vez. Charles começa a suspeitar de Rosy, mas guarda seus pensamentos para si.
Inicialmente, o roteirista Robert Bolt pretendia uma adaptação mais direta e fiel a Madame Bovary (1857) de Gustave Flaubert estrelado por Miles Lean. Porém, David Lean desaprovou o roteiro embora sugeriu a Bolt que gostaria de retrabalhá-lo em outro cenário, com a história sendo transferida pra Irlanda e abordando os conflitos entre colonialistas britânicos e nacionalistas irlandeses durante a Primeira guerra mundial. O filme ainda mantém paralelos com o romance de Flaubert – Rosy é um paralelo com Emma Bovary, Charles é seu marido, e o Major Doryan é análogo a Rodolphe e Leon, os amantes de Emma.
Escolha de elenco
O papel do Padre Collins foi oferecido ao ator Alec Guinness mas ele recusou por ser católico e ter entrado em conflito com David Lean durante as filmagens de Doutor Jivago (1965). Paul Scofield era a primeira escolha de Lean para o papel de Shaughnessy, mas não pôde se desvincular de um compromisso teatral. George C. Scott, Anthony Hopkins e Patrick McGoohan foram considerados, mas não foram contatados, e Gregory Peck fez lobby para o papel, mas desistiu depois que Robert Mitchum foi convidado. Segundo consta, Mitchum inicialmente estava relutante em aceitar o papel. Embora admirasse o roteiro, o ator estava passando por uma crise pessoal na época e, quando pressionado pelo cineasta sobre o motivo de não estar disponível para as filmagens, disse: "Na verdade, eu estava planejando cometer suicídio". Ao ouvir isso, o roteirista Bolt retrucou: "Bem, se você terminar de trabalhar neste filmezinho deplorável e depois se matar, terei prazer em arcar com as despesas do seu enterro".
Filmagens
A Filha de Ryan foi filmada em grande parte na Península de Dingle, no Condado de Kerry, Irlanda, na primavera e no verão de 1969. No entanto, devido ao mau tempo, muitas das cenas de praia foram filmadas em Arniston, na África do Sul facilmente identificável pela areia branca da praia próxima. O naufrágio onde Doryan detona os explosivos é o do SS Kakapo, que pode ser encontrado ao sul da Cidade do Cabo. O comportamento promíscuo de Robert Mitchum gerou indignação nos moradores locais. O cineasta teve que esperar um ano até que uma tempestade suficientemente dramática aparecesse. A imagem foi mantida livre de respingos por um disco de vidro girando na frente de uma lente de visualização clara. Mitchum entrou em conflito com Lean, dizendo que "Trabalhar com David Lean é como construir o Taj Mahal com palitos de dente"; apesar disso, o ator confidenciou a amigos e familiares que considerava A Filha de Ryan um de seus melhores papéis e lamentava a recepção negativa que o filme recebeu. Em uma entrevista de rádio, o intérprete confessou que, apesar da produção difícil, ele foi um dos melhores diretores com quem já trabalhou.
Classificação indicativa
A Motion Picture Association of America inicialmente classificou A Filha de Ryan como "R". Uma cena de nudez entre Miles e Jones, bem como seus temas envolvendo infidelidade, foram os principais motivos para a decisão. Na época, a MGM estava com dificuldades financeiras e recorreu da classificação. Na audiência de apelação no Congresso dos Estados Unidos, os executivos da MGM explicaram que precisavam da classificação menos restritiva para permitir que mais público entrasse nos cinemas; caso contrário, a empresa não conseguiria sobreviver financeiramente. A apelação foi concedida e o filme recebeu a classificação "GP", que mais tarde se tornou "PG". O conselheiro político americano Jack Valenti considerou isso uma das manchas na história da MPAA. Quando a MGM submeteu A Filha de Ryan novamente à MPAA em 1996, ele foi reclassificado como "R".
Mídia doméstica
A Filha de Ryan foi relançado numa coletânea de filmes estrelado por Robert Mitchum intitulada de "Robert Mitchum: Playing It Cool" lançada em novembro de 2021 pela Criterion Collection.
Bilheteria
A Filha de Ryan estreou no Ziegfeld Theatre na cidade de Nova York em 9 de novembro de 1970 e arrecadou US$ 50.050 em sua semana de estreia. Após dois meses de lançamento, arrecadou mais de 2 milhões de dólares em todo o mundo.
Resposta crítica
Após seu lançamento inicial, A Filha de Ryan recebeu uma recepção hostil de muitos críticos de cinema. Roger Ebert deu-lhe duas estrelas em quatro e escreveu que "os personagens de Lean, bem escritos e bem interpretados, são finalmente ofuscados pela sua escala excessiva". Vincent Canby para o The New York Times, afirmou que o roteiro de "o tipo de ficção de clube do livro que deveria ser lida sob um secador de cabelo, um fato que não pode ser disfarçado pela produção elaborada (o Sr. Lean construiu sua própria vila irlandesa novinha em folha para o filme) e pelo estilo quase metafísico". Arthur D. Murphy, da Variety, chamou o filme de "um enigma brilhante, brilhante porque David Lean alcançou, em grande medida, o objetivo ousado e óbvio de uma tragédia romântica íntima ao longo da paisagem geográfica e política acidentada da Irlanda de 1916; um enigma porque a duração excessiva de talvez 30 minutos serve para ampliar algumas fraquezas do roteiro original de Robert Bolt, dissipar o impacto das atuações e ofuscar a fotografia e a produção excepcionais". Gene Siskel do Chicago Tribune, deu ao filme uma estrela e meia de quatro e escreveu: "Elenco ruim, direção pesada que se torna cômica durante a grande cena de amor e personagens vazios fazem de 'A Filha de Ryan', de David Lean, uma decepção épica". Charles Champlin do Los Angeles Times, escreveu: "A história de amor original que Robert Bolt ambientou nessas paisagens marítimas desoladas parece frágil e banal demais para suportar o peso esmagador de 3 horas e 18 minutos de Super Panavision. Pauline Kael, do The New Yorker, escreveu: "Não há justificativa artística ou moral para este filme — apenas conveniência... O vazio de 'A Filha de Ryan' transparece em praticamente cada fotograma". De acordo com James Wolcott, em uma reunião da Sociedade Nacional de Críticos de Cinema, o crítico da Time, Richard Schickel, perguntou a Lean "como alguém que fez Brief Encounter poderia fazer uma porcaria como A Filha de Ryan". A reação extremamente negativa da crítica especializada fez com que a carreira do cineasta David Lean estagnasse e o ator Christopher Jones decidir se aposentar.
A vitória de John Mills vem sendo citada como uma das piores decisões da Óscar devido ao tom caricato de seu personagem que representa uma pessoa com deficiência intelectual. O filme é reconhecido pelo American Film Institute nas seguintes listas:


