A Farsa da Boa Preguiça
A Farsa da Boa Preguiça é uma peça teatral em três atos, escrita por Ariano Suassuna no ano de 1960. Foi encenada pela primeira vez pelo Teatro Popular do Nordeste (TPN), com direção de Marcony Portugal, em 1961. A peça foi considerada a obra preferida de Ariano Suassuna.
Imagem: Vitor Malheiros · BY-NC-SA · Openverse
Logo depois do sucesso obtido do Auto da Compadecida, em 1957, Suassuna manteve a estética daquela peça, aproximando elementos da cultura nordestina com a Florença e Roma medievais. Com A Farsa da Boa Preguiça o autor aprofundou sua proposta de buscar na cultura popular a fonte para um teatro erudito brasileiro, ao mesmo tempo que retomava a crítica social. A estreia aconteceu em 24 de janeiro de 1961, no Teatro de Arena do Recife, com elenco sendo liderado por Clênio Wanderley, Germano Haiut e José Pimentel. Francisco Brennand assinou os cenários e figurinos, e a trilha sonora foi composta por Capiba. Em 1969, o Teatro Popular do Nordeste voltou a apresentar o texto, desta vez com direção de Guita Charifker. No Rio de Janeiro, o ator Milton Gonçalves estrelou uma produção em 1975, com o Grupo Chegança. Em 1995, a obra foi adaptada para a televisão, num especial da Rede Globo estrelado por Marieta Severo, Ary Fontoura, Antônio Nóbrega, Patrícia França, Ilya São Paulo e Laura Cardoso.
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A farsa conta a história do poeta popular Joaquim Simão e sua mulher, Nevinha. O rico Aderaldo, apaixonado por Nevinha, tenta conquistá-la com a ajuda da diaba Andreza. Clarabela, socialite mulher de Aderaldo, está por sua vez apaixonada por Simão, que acaba cedendo à tentação e inicia um caso com ela. Nevinha, fiel ao marido, pede que ele procure um emprego. Mas Simão se nega a abandonar o "ócio artístico" e a poesia. Aderaldo é enganado pelo demônio Fedegoso, o Cão Caolho, e perde quase todo o seu dinheiro. Com muito trabalho, volta a enriquecer. Aposta então sua fortuna com Joaquim Simão que, se perder, terá de lhe entregar a mulher. O poeta ganha a aposta e enriquece, mas depois perde tudo. No fim da peça Aderaldo e Clarabela são levados para o Inferno. Simão e Nevinha tentam salvá-los rezando um pai-nosso e uma ave-maria. São Pedro, São Miguel e Manuel Carpinteiro (Jesus) aparecem e falam sobre a importância da humildade e da arte para a vida de qualquer pessoa.


