Soneto 141
Soneto 141 é um dos 154 poemas reunidos como os Sonetos de Shakespeare. Faz parte da sequência de sonetos para a Dama Negra.
O Soneto 141 é estruturalmente um soneto inglês (14 versos distribuídos em 3 quartetos e 1 dístico), com esquema rímico característico desse tipo de poema: ABAB CDCD EFEF GG. Apresenta versos decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico.
O Soneto 141 apresenta algumas semelhanças com o Soneto 130, onde o eu lírico critica uma mulher que afirma amar, enfatizando a falta de beleza e charme convencionais nela, enquanto insiste que seu "coração" pertence a ela de qualquer maneira. Neste ele afirma que seu coração ama o que seus sentidos desprezam e se apresenta como irremediavelmente subjugado por ela, apesar de seus gostos habituais e bom senso. O poeta diz que ama a mulher, apesar de supostamente não se sentir atraído por ela. Na verdade, ele a acha um tanto repulsiva, mas mesmo assim não consegue impedir seu coração insensato de servi-la. Não há nenhuma parte do narrador que, racional ou logicamente, goste dessa mulher, e o fato de se sentir atraído por ela o atormenta. O poeta tende a pecar pelos comentários cáusticos, em vez de fazer versos belamente românticos.[nota 1]
A tradução de Thereza Christina Rocque da Motta tende à literalidade, apresentando um quatorzain, ou soneto monostrófico sem métrica, ritmo ou rima. Por crer, não te amo com meus olhos, Pois eles em ti veem mil defeitos; Mas é meu coração que ama aquilo que desprezam, Que, apesar de ver, se comprazem com o que sentem. Nem se alegram meus ouvidos ao som de tua língua; Nem sentimentos doces nascem de teu toque, Nem sabor ou perfume são bem-vindos A qualquer festim sensual a que me convides: Mas meus cinco sentidos não podem Dissuadir um coração tolo de servir-te Que deixas imperturbado como um homem, Escravo e vassalo de teu coração altivo: Somente em desgraças conto os meus ganhos, Pois aquela que me faz pecar, também me faz sofrer. José Arantes Júnior já lhe dá outra versão, plástica, utilizando 36 caracteres por verso, que, com o uso de fonte monoespaçada, lhe dão um formato geométrico simétrico. Usa a forma do soneto inglês e o esquema rímico característico dessa forma, utilizado pelo autor. Em acréscimo, dá-lhe um título.


