A Dama do Mar
A Dama do Mar é uma peça escrita pelo dramaturgo norueguês Henrik Ibsen em 1888. A peça foi lançada a 28 de Novembro de 1888 pela Editora Gyldendalske Boghandels Forlag, em Copenhage e Cristiânia, numa edição de 10000 exemplares. Em 27 de dezembro de 1887, o amigo e editor de Ibsen, Frederik Hegel, falecera, e seu filho Jacob Hegel passou a ser o editor do livro.
A trama representa a luta entre o determinismo, a sugestão passional, e o livre arbítrio, relatando o debate de Élida Wangel entre a resignação da vida doméstica, burguesa, ao lado de um obscuro médico de aldeia, e a aventura com um estrangeiro, desconhecido, que simboliza, provavelmente, a liberdade. No final, mediante a transformação da liberdade de escolha, Élida se decide pelo marido, com o triunfo do livre arbítrio sobre o determinismo. É considerada, pela crítica, como a primeira obra simbolista de Ibsen, e uma das mais poéticas. O escritor emprega nela o diálogo duplo: as palavras e frases têm um sentido realista e um sentido místico, misterioso. Uma das personagens, a filha adolescente Hilda Wangel, reaparecerá em outra peça sua, Solness, o Construtor.
Ato I
O primeiro ato se passa numa manhã de sol, ao lado da casa do Dr. Wangel. Apresenta primeiramente Bolette e Ballested, conversando sobre a chegada do professor Arnholm, que virá visita-los, e a chegada de Lyngstrand. Balletsted está içando a bandeira, em homenagem ao aniversário da falecida Sra. Wangel, e Lyngstrand, que ainda não o conhece, começa a conversar. Ballested, que é pintor, lhe fala dos planos de pintar uma sereia na paisagem do fiorde que acaba de fazer, e que o quadro há de se chamar “A morte da sereia”. Lyngstrand informa que deseja ser escultor, e que veio passar uns dias ali, para recuperar sua saúde, pois apresenta dificuldades para respirar.
Ato II
O segundo ato ocorre em um belvedere, atrás da cidade, numa tarde de verão. Apresenta inicialmente Ballested conduzindo um grupo de turistas estrangeiros, falando em várias línguas. Hilda e Bolette chegam, após uma rápida subida, e falam sobre Lyngstrand, que o pai o desenganou, por causa do pulmão; Lyngstrand chega e Hilda lhe pergunta sobre sua doença, oferecendo uma flor para a lapela. Lyngstrand sai, Hilda e Bolette conversam sobre ele. Bolette observa o fato de os dois estarem sempre juntos e Hilda confessa que as falsas esperanças de saúde e de felicidade que ela lhe incute a divertem. Bolette a acha má, ao que Hilda diz que gosta de ser assim, e continua a fazer observações maldosas, dessa vez sobre Arnholm, que a seu ver está ficando careca, e relembra que Bolette já foi apaixonada por ele; depois observa que Élida vem caminhando com Arnholm e não com seu pai. Insinua que o lugar de Élida não seria ao lado do pai, e que um dia poderia ficar louca.
Ato III
O terceiro ato ocorre em um recanto afastado do jardim dos Wangel. Bolette, Hilda e Lyngstrand conversam, olhando os peixes. Arnholm chega, Hilda e Lyngstrand saem. Arnholm conversa com Bolette, que revela gostar de ler, mas que passa muito tempo cuidando dos serviços da casa, e que se sente isolada vivendo no fiorde. Bolette confessa que gostaria de ir embora dali, e Arnholm observa que ela devia ir para a Universidade. Ela se queixa que o pai vive apenas para a madrasta, e pede que Arnholm interceda por ela junto ao pai. Ele começa a lhe segredar algo, quando são interrompidos pela chegada de Élida. Falam de um navio que parou no fiorde, e Élida confessa o desejo de subir a bordo, revelando tristemente que acredita que o elemento do homem é o mar e não a terra. Depois, pede a Arnholm que vá buscar Wangel, e ele sai, com Bolette.
Ato IV
O quarto ato ocorre na sala dos Wangel. Inicialmente, Bolette e Lyngstrand conversam sobre o bordado que ela está fazendo, enquanto Hilda observa Ballested pintando. Repentinamente, Lyndstrand pergunta a Bolette se nunca pensou, seriamente, em casamento. Ela diz que não, e Lyngstrand que sim, e começa a discorrer sobre o fato de os homens transformarem as suas mulheres em seres semelhantes a eles. Bolette discorda e afirma que pode ser o contrário, a mulher transformar o homem, e Lyngstrand não aceita essa ideia, e pergunta se, na sua ausência, quando for para o sul, pensará nele, para que lhe fique reservada uma recordação terna e fiel e ela lhe sirva de inspiração artística. Bolette não vê utilidade nisso e dirige sua atenção para Arnholm, que aparece no jardim. Os dois conversam sobre ele, indagando do fato de ainda não ter se casado, apesar de possuir fortuna.
Ato V
O quinto ato ocorre no mesmo local do terceiro ato, numa tarde de verão. Arnholm, Bolette, Lyngstrand e Hilda estão em um barco, beirando a margem, conversando. Ballested aparece com uma trompa de caça, gritando-lhes que fará uma homenagem ao navio inglês que está fazendo a última viagem da estação. Élida e Wangel chegam, conversando com Ballested, que lhes repete sobre a homenagem. Élida está à espera, angustiada; decidiu que falará à sós com o estrangeiro, para ser livre em sua escolha, mas Wangel reluta em pensar assim, acha que ela não tem o direito de escolher. Wangel acaba cedendo, aceitando que a partir de agora ela estará livre para viver sua própria vida, e aconvida a passear antes da chegada do navio.


