Lee Harvey Oswald
Lee Harvey Oswald foi um fuzileiro naval estadunidense que assassinou John F. Kennedy, o 35.º presidente dos Estados Unidos, em 22 de novembro de 1963.
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Lee Harvey Oswald nasceu no antigo Hospital Francês de Nova Orleans, Luisiana, em 18 de outubro de 1939, filho de Robert Edward Lee Oswald Sr. (1896–1939), um empregado da MetLife, e de Marguerite Frances Claverie (1907–1981), uma assistente jurídica. Robert Oswald era primo de terceiro grau do presidente Theodore Roosevelt e primo distante do general confederado Robert E. Lee e serviu como sargento no Exército dos EUA durante a Primeira Guerra Mundial. Robert morreu de ataque cardíaco dois meses antes de Lee nascer. O irmão mais velho de Lee, Robert Jr. (1934–2017) foi um fuzileiro naval dos EUA durante a Guerra da Coreia. Por conta do primeiro casamento de Marguerite com Edward John Pic Jr., Lee e Robert Jr. eram meios-irmãos de John Edward Pic (1932–2000), veterano da Força Aérea dos EUA. Em 1944, Marguerite mudou-se com a família de Nova Orleans para Dallas, Texas. Oswald ingressou na escola em 1945 e, nos seis anos seguintes, frequentou diversas instituições na região de Fort Worth até a sexta série. Ele fez um teste de QI na quarta série e obteve 103 pontos, e "nos testes de aproveitamento [da 4.ª à 6.ª série], teve duas vezes o melhor desempenho em leitura e duas vezes o pior em ortografia".
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Oswald alistou-se no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos em 24 de outubro de 1956, apenas uma semana após seu décimo sétimo aniversário; devido à sua idade, seu irmão Robert Jr. foi obrigado a assinar como seu tutor legal. Oswald também nomeou sua mãe e seu meio-irmão John como beneficiários. Oswald idolatrava seu irmão mais velho, Robert Jr., e usava seu anel do Corpo de Fuzileiros Navais. John Pic testemunhou à Comissão Warren que o alistamento de Oswald foi motivado pelo desejo de "livrar-se... do jugo da opressão de minha mãe". Os documentos de alistamento de Oswald relatam que ele tinha 1,73 m de altura e pesava 61 kg, com olhos e cabelos castanhos. Seu treinamento principal era em operação de radar, o que exigia uma autorização de segurança. Um documento de maio de 1957 declarou que ele "recebeu autorização final para lidar com assuntos classificados até e incluindo confidenciais após uma verificação cuidadosa dos registros locais não ter revelado nenhum dado depreciativo".
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Oswald viajou para a União Soviética pouco antes de completar 20 anos, em outubro de 1959. Ele aprendeu russo sozinho e economizou 1,5 mil dólares de seu salário como fuzileiro.[nota 2] Passou dois dias com sua mãe em Fort Worth, depois embarcou de navio em 20 de setembro de Nova Orleans para Le Havre, França, e viajou imediatamente para o Reino Unido. Chegando a Southampton em 9 de outubro, disse às autoridades que tinha 700 dólares e planejava ficar por uma semana antes de prosseguir para uma escola na Suíça. No mesmo dia, voou para Helsinque, onde deu entrada no Hotel Torni, quarto 309, e depois se mudou para o Hotel Klaus Kurki, quarto 429. Ele recebeu um visto soviético em 14 de outubro. Oswald deixou Helsinque de trem no dia seguinte, cruzou a fronteira soviética em Vainikkala e chegou a Moscou em 16 de outubro. Seu visto, válido apenas por uma semana, expiraria em 21 de outubro. Durante sua estadia na URSS, sua correspondência foi interceptada e lida pela CIA, com Reuben Efron sendo encarregado dessa tarefa.
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Oswald escreveu em seu diário em janeiro de 1961: "Estou começando a reconsiderar meu desejo de ficar. O trabalho é monótono, o dinheiro que ganho não tem onde ser gasto. Não há casas noturnas ou pistas de boliche, nem locais de recreação, exceto os bailes sindicais. Já chega". Pouco depois, escreveu à Embaixada dos Estados Unidos em Moscou solicitando a devolução de seu passaporte estadunidense e propondo retornar ao país se quaisquer acusações contra ele fossem retiradas. Em março de 1961, Oswald conheceu Marina Prusakova (nascida em 1941), uma estudante de farmácia de 19 anos; eles se casaram seis semanas depois.[nota 3] A primeira filha do casal, June, nasceu em 15 de fevereiro de 1962. Em 24 de maio de 1962, solicitaram na Embaixada dos EUA em Moscou documentos que a permitissem emigrar para os EUA. Em 1 de junho, a Embaixada concedeu a Oswald um empréstimo de repatriação de 435,71 dólares. A família partiu para os Estados Unidos, onde receberam menos atenção da imprensa do que Oswald esperava. De acordo com o Relatório Warren, Oswald e sua esposa retornaram ao país em 13 de junho, chegaram a bordo do Maasdam e desembarcaram em Hoboken, em Nova Jersey. Lá, foram recebidos por Spas T. Raikin, da Travelers Aid Society, que havia sido contatado pelo Departamento de Estado dos EUA.
Dallas–Fort Worth
A família logo se estabeleceu na área de Dallas/Fort Worth, onde a mãe e o irmão de Lee moravam. Oswald começou um manuscrito sobre a vida soviética, embora tenha desistido do projeto. Eles também se familiarizaram com vários imigrantes russos e do Leste Europeu anticomunistas na área. Em depoimento à Comissão Warren, Alexander Kleinlerer disse que os imigrantes russos simpatizavam com Marina, enquanto apenas toleravam Oswald, a quem consideravam rude e arrogante.[nota 4] Embora os imigrantes russos tenham eventualmente abandonado Marina quando ela não deu nenhum sinal de deixar o marido, Oswald começou uma improvável amizade com George de Mohrenschildt, de 51 anos, um geólogo de petróleo com conexões comerciais internacionais. Natural da Rússia, Mohrenschildt disse mais tarde à Comissão Warren que Oswald tinha uma "fluência notável em russo". Marina, enquanto isso, fez amizade com Ruth Paine, uma quaker tentando aprender russo, e seu marido Michael Paine, que trabalhava para a Bell Helicopter.
Tentativa de assassinato de Edwin Walker
Em março de 1963, Oswald usou o pseudônimo "A. Hidell" para fazer uma compra por correspondência de um rifle Carcano calibre 6.5mm, usado, por 19,95 dólares, mais 1,50 dólar de frete. Também comprou um revólver Smith & Wesson modelo 10 calibre .38 pelo correio por 29,95 mais 1,27 dólar de frete. A Comissão Warren concluiu que ele tentou matar o major-general aposentado Edwin Walker em 10 de abril de 1963, disparando com o rifle Carcano através de uma janela a menos de 30 metros enquanto Walker estava sentado em uma mesa em sua casa, em Dallas. A bala atingiu o batente da janela e os únicos ferimentos foram fragmentos de bala no antebraço. O Comitê Seleto da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre Assassinatos declarou que as "evidências sugeriam fortemente" que Oswald fora o autor do disparo.
Nova Orleans
Oswald retornou a Nova Orleans em 24 de abril de 1963. Ruth Paine, amiga de Marina, a levou de carro de Dallas para se juntar a Oswald no mês seguinte. Em 10 de maio, ele foi contratado pela Reily Coffee Company como engraxador de máquinas. Foi demitido em julho "porque seu trabalho não era satisfatório e passava muito tempo vagando na garagem de Adrian Alba ao lado, onde lia revistas de rifle e caça". Em seu livro On the Trail of the Assassins, de 1988, o promotor público Jim Garrison afirmou que Oswald realmente passava aquele tempo do outro lado da rua, no número 544 da Camp Street. Esses eram os escritórios de advocacia de Guy Banister, um ex-agente do FBI, ávido segregacionista e político local. Garrison acrescentou que Banister, durante o verão de 1963 em Nova Orleans, estava mais interessado em se infiltrar no Comitê Fair Play for Cuba e usou Oswald como seu espião. Em sua investigação de 1978, o Comitê Seleto da Câmara sobre Assassinatos investigou uma possível conexão entre Oswald e Banister no endereço da Camp Street. O HSCA escreveu que "não conseguiu encontrar nenhuma prova documental de que Banister tivesse um arquivo sobre Lee Harvey Oswald, nem conseguiu encontrar testemunhas confiáveis que tenham visto Lee Harvey Oswald e Guy Banister juntos. Há, no entanto, indícios de que Banister pelo menos sabia das atividades de panfletagem de Oswald e provavelmente mantinha um arquivo sobre ele".
México
Ruth Paine transportou Marina e sua filha de carro de Nova Orleans para Irving, Texas, em 23 de setembro de 1963. Oswald ficou em Nova Orleans por pelo menos mais dois dias para receber um seguro desemprego de 33 dólares. Não se sabe ao certo quando ele deixou a cidade; sabe-se que embarcou em um ônibus em Houston em 26 de setembro – com destino à fronteira mexicana, em vez de Dallas – e disse a outros passageiros do ônibus que planejava viajar para Cuba via México. Chegou à Cidade do México em 27 de setembro, onde solicitou um visto de trânsito no consulado cubano, alegando que queria visitar Cuba a caminho da União Soviética. Os funcionários consulares cubanos insistiram que ele precisaria da aprovação soviética, mas ele não conseguiu obter cooperação imediata do consulado soviético. Documentos da CIA observam que Oswald falava um "russo terrível, quase irreconhecível" durante suas reuniões com autoridades cubanas e soviéticas.
Retorno a Dallas
Em 2 de outubro de 1963, Oswald deixou a Cidade do México de ônibus e chegou a Dallas no dia seguinte. Ruth Paine disse que uma vizinha lhe contou em 14 de outubro sobre uma vaga de emprego no Texas School Book Depository, onde o irmão dela, Wesley Frazier, trabalhava. A Sra. Paine informou Oswald, que foi entrevistado no depósito e contratado lá em 16 de outubro como atendente de pedidos com salário mínimo de 1,25 dólar por hora. O supervisor Roy S. Truly (1907–1985) disse que Oswald "teve um bom dia de trabalho" e era um funcionário acima da média. Durante a semana, ele ficava em uma pensão em Dallas utilizando o nome de "O. H. Lee", mas passava os fins de semana com Marina na casa de Paine em Irving. Ele não dirigia, mas viajava de e para Dallas às segundas e sextas-feiras com seu colega de trabalho Wesley Frazier. Em 20 de outubro (um mês antes do assassinato), nasceu a segunda filha do casal, Audrey.
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Nos dias que antecederam a chegada de Kennedy, vários jornais locais publicaram a rota de sua comitiva, que passaria pelo Texas School Book Depository. Na quinta-feira, 21 de novembro de 1963, Oswald pediu a Frazier uma carona incomum no meio da semana de volta para Irving, dizendo que precisava pegar algumas hastes de cortina. Na manhã seguinte (o dia do assassinato), ele retornou a Dallas com Frazier. Deixou 170 dólares e sua aliança de casamento, mas levou um grande saco de papel consigo. Frazier relatou que Oswald lhe disse que a sacola continha hastes de cortina. A Comissão Warren concluiu que o pacote na verdade continha o rifle que usado para o assassinato. Charles Givens, um dos colegas de trabalho de Oswald, testemunhou à Comissão que o viu pela última vez no sexto andar do Texas School Book Depository por volta das 11h55, 35 minutos antes da comitiva passar pela Dealey Plaza.[nota 7] O relatório da Comissão afirmou que Oswald não foi visto novamente "até depois do crime". Em um relatório do FBI feito no dia seguinte ao assassinato, Givens disse que o encontro ocorreu às 11h30 e que viu Oswald lendo um jornal na sala de dominó do primeiro andar às 11h50, 20 minutos depois. William Shelley, um capataz do depósito, também testemunhou que o viu perto do telefone no primeiro andar entre 11h45 e 11h50. O zelador Eddie Piper afirmou ter falado com Oswald no primeiro andar às 12h. Outro colega de trabalho, Bonnie Ray Williams, estava almoçando no sexto andar do depósito e ficou lá até pelo menos 12h10. Ele disse que durante esse tempo, não viu Oswald, nem ninguém, naquele andar e pensou que era a única pessoa lá em cima. Também disse que algumas caixas no canto sudeste podem tê-lo impedido de ver profundamente o "ninho do atirador". Vários empregados – incluindo Givens, Junior Jarman, Troy West, Danny Arce, Jack Dougherty, Joe Molina, Sra. Robert Reid e Bill Lovelady – que estavam nos refeitórios do primeiro ou segundo andar em momentos entre 12h e 12h30 relataram que Oswald não estava presente nessas salas durante seus intervalos para o almoço.[nota 8]
Prisão no Texas Theatre
Johnny Brewer, gerente de uma sapataria, testemunhou que viu Oswald passando de cabeça baixa pela entrada de sua loja. Desconfiado, observou-o continuar pela rua e entrar sem pagar no Texas Theatre, onde o filme War Is Hell estava em cartaz. Ele alertou o bilheteiro, que telefonou para a polícia, por volta das 13h40. Quando a polícia chegou, as luzes da sala foram acesas e Brewer apontou para o homem sentado quase no fundo do cinema. O policial Nick McDonald testemunhou que foi o primeiro a chegar até Oswald e que ele parecia pronto para se render dizendo: "Bem, está tudo acabado agora". McDonald disse que Oswald sacou uma pistola escondida na frente de suas calças, então a apontou e puxou o gatilho, mas ela não disparou porque o cão da pistola desativou acidentalmente quando foi puxada do bolso. McDonald também disse que Oswald o atingiu com um soco, mas ele revidou e o desarmou. Enquanto era levado para fora do cinema, gritava que estava sendo vítima de brutalidade policial.
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Oswald foi interrogado diversas vezes durante seus dois dias na sede da polícia de Dallas. Admitiu ter ido para sua pensão após deixar o depósito de livros, ter trocado de roupa e se armado com um revólver calibre .38 antes de sair de casa para ir ao cinema. Entretanto, negou ter matado Kennedy e Tippit e possuir um rifle, e disse que duas fotos suas segurando as armas eram falsas. Negou ter dito a seu colega de trabalho que queria uma carona até Irving para comprar varões de cortina para seu apartamento (disse que o pacote continha seu almoço). Também negou ter carregado um pacote longo e volumoso para o trabalho na manhã do assassinato. Negou conhecer algum "A. J. Hidell". Foi então lhe mostrado um cartão falsificado do Serviço Seletivo com sua fotografia e o pseudônimo "Alek James Hidell", que ele portava no momento de sua prisão. Oswald se recusou a responder a quaisquer perguntas sobre o cartão, dizendo: "Você mesmo tem o cartão e sabe tanto sobre ele quanto eu".
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No domingo, 24 de novembro, detetives escoltavam Oswald pelo porão da delegacia de polícia de Dallas em direção a um carro blindado que o levaria da cadeia municipal (localizada no quarto andar da sede da polícia) para a cadeia do condado, nas proximidades. Às 11h21, Jack Ruby, dono de uma boate local, aproximou-se do meio da multidão e atirou nele uma vez no abdômen à queima-roupa. Quando o tiro foi disparado, um detetive da polícia reconheceu Ruby e exclamou: "Jack, seu filho da puta!" O público do lado de fora da delegacia aplaudiu quando soube que Oswald havia sido baleado. Enquanto Oswald subia no elevador para o porão, suas últimas palavras registradas foram "Quero ver a União Americana pelas Liberdades Civis". Quando o tiro soou, ele gritou "Oh!" de dor e suas mãos agarraram seu estômago enquanto gemia ao cair no chão. Ao passo que Ruby era apreendido pela polícia, Oswald foi carregado de volta para o escritório da prisão no subsolo. O detetive Billy Combest perguntou-lhe: "Tem alguma coisa que queira nos dizer agora?" Oswald balançou a cabeça.:184–185
Motivação de Jack Ruby
Ruby disse mais tarde que estava perturbado com a morte do presidente e que seu motivo para matar Oswald era "poupar a Sra. Kennedy do desconforto de voltar a julgamento". Outros levantaram a hipótese de que Ruby fazia parte de uma conspiração. G. Robert Blakey, conselheiro-chefe do Comitê Seleto da Câmara sobre Assassinatos de 1977 a 1979, disse: "A explicação mais plausível para o assassinato de Oswald por Jack Ruby era que Ruby o perseguiu em nome do crime organizado, tentando alcançá-lo em pelo menos três ocasiões nas quarenta e oito horas antes de silenciá-lo para sempre".
Enterro
A Funerária Miller teve grande dificuldade em encontrar um cemitério disposto a aceitar os restos mortais de Oswald; o Cemitério Rose Hill, em Fort Worth, acabou aceitando. Um pastor luterano concordou relutantemente em participar do velório, mas não compareceu. O reverendo Louis Saunders, do Conselho de Igrejas de Fort Worth, se ofereceu como voluntário, dizendo que "alguém tinha que ajudar esta família". Ele realizou um breve serviço fúnebre sob forte guarda em 25 de novembro. Repórteres que cobriam o sepultamento foram convidados a carregar o caixão. A lápide original de Oswald, que continha seu nome completo, data de nascimento e data de morte, foi roubada quatro anos após o assassinato, e sua mãe a substituiu por uma lápide com a inscrição simplesmente Oswald. O corpo dela foi enterrado ao lado do filho em 1981. Uma alegação de Michael Eddowes em The Oswald File (1975) de que um sósia russo havia sido enterrado no lugar de Oswald levou à exumação do corpo em 4 de outubro de 1981. Os registros odontológicos confirmaram que era Oswald. Os restos mortais foram enterrados novamente em um novo caixão devido a danos causados pela água no original.
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Comissão Warren
O presidente Lyndon B. Johnson emitiu uma ordem executiva que criou a Comissão Warren para investigar o assassinato. O relatório da comissão concluiu que Oswald agiu sozinho no assassinato de Kennedy, mas não conseguiu atribuir nenhuma motivação específica para isso: É evidente, no entanto, que Oswald era movido por uma hostilidade avassaladora ao seu ambiente. Ele não parece ter sido capaz de estabelecer relacionamentos substanciais com outras pessoas. Estava perpetuamente descontente com o mundo ao seu redor. Muito antes do assassinato, expressava seu ódio pela sociedade estadunidense e agia em protesto contra ela. A busca de Oswald pelo que ele concebia ser a sociedade perfeita estava condenada desde o início. Buscou para si um lugar na história – um papel como o "grande homem" que seria reconhecido como alguém à frente de seu tempo. Seu compromisso com o marxismo e o comunismo parece ter sido outro fator importante em sua motivação. Também demonstrava capacidade de agir decisivamente e sem se importar com as consequências quando tal ação favorecesse seus objetivos do momento. Desses e de muitos outros fatores que podem ter moldado o caráter de Lee Harvey Oswald, emergiu um homem capaz de assassinar o Presidente Kennedy.
Painel Ramsey Clark
Em 1968, o Painel Ramsey Clark examinou diversas fotografias, filmes de raio-X, documentos e outras evidências. Concluiu que Kennedy foi atingido por duas balas disparadas de cima e de trás: uma delas atravessou a base do pescoço do lado direito sem atingir o osso, e a outra penetrou no crânio por trás e destruiu seu lado direito.
Comitê Seleto da Câmara
Em 1979, após uma revisão das evidências e de investigações anteriores, o Comitê Seleto da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre Assassinatos (HSCA) concordou amplamente com a Comissão Warren e estava se preparando para emitir uma conclusão de que Oswald havia agido sozinho no assassinato de Kennedy. Ao final dos procedimentos do Comitê, uma gravação ditabelt foi encontrada, supostamente com sons ouvidos na Dealey Plaza antes, durante e depois dos disparos. Após uma análise da empresa Bolt, Beranek e Newman parecer indicar mais de três tiros, o HSCA revisou suas conclusões para afirmar uma "alta probabilidade de que dois atiradores tenham atirado" e que Kennedy "foi provavelmente assassinado como resultado de uma conspiração". Embora o Comitê não tenha sido "capaz de identificar o outro atirador ou a extensão da conspiração", ele fez uma série de outras conclusões sobre a probabilidade de que grupos específicos, nomeados nas conclusões, estivessem envolvidos. Quatro dos doze membros do HSCA discordaram dessa conclusão.
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Fotos de Oswald segurando o rifle que mais tarde foi determinado como a arma do crime são uma importante evidência que o liga ao assassinato. As fotos foram descobertas com outros pertences dele na garagem de Ruth Paine em Irving, em 23 de novembro de 1963. Marina Oswald disse à Comissão Warren que, por volta de 31 de março de 1963, ela tirou fotos de Oswald enquanto ele posava com um rifle Carcano, uma pistola no coldre e dois jornais marxistas – The Militant e The Worker. Oswald havia enviado uma das fotos para o escritório da The Militant, em Nova Iorque, com uma carta anexa afirmando que estava "preparado para qualquer coisa": de acordo com Sylvia Weinstein, que cuidava das assinaturas do jornal na época, ele era visto como "excêntrico" e politicamente "burro e totalmente ingênuo", pois aparentemente não sabia que o The Militant, publicado pelo Partido Socialista dos Trabalhadores (de orientação trotskista), e o The Worker, publicado pelo Partido Comunista dos Estados Unidos (de orientação pró-soviética), eram publicações rivais e ideologicamente opostas. As fotos foram mostradas a Oswald após sua prisão, mas ele insistiu que eram falsificações.
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A obra Rush to Judgment, de 1966, do autor Mark Lane, popularizou a teoria geral dissidente de que a abordagem da Comissão Warren era falha ("se cobriu de vergonha"); que Oswald provavelmente não era responsável e que as testemunhas que relataram ter ouvido tiros disparados de uma "colina gramada" próxima lançaram dúvidas sobre sua autoria solitária. Lane foi brevemente contratado como advogado da mãe de Oswald. Uma pesquisa Gallup realizada em meados de novembro de 2013 mostrou que 61% acreditavam que Kennedy foi morto como resultado de uma conspiração, e apenas 30% achavam que Oswald agiu sozinho. Oswald nunca foi processado pois foi morto dois dias após o assassinato. Em março de 1967, Jim Garrison, promotor público de Nova Orleans, prendeu e acusou o empresário local Clay Shaw de conspirar para assassinar o presidente Kennedy, com a ajuda de Oswald, David Ferrie e outros. Garrison acreditava que todos eles faziam parte de uma rede de contrabando que fornecia armas aos cubanos anticastristas em uma conspiração com apoio da CIA para matar Kennedy. O julgamento de Clay Shaw começou em janeiro de 1969 no Tribunal Criminal de Orleans. O júri absolveu Shaw.


