Lolium temulentum
Lolium temulentum é uma espécie de planta com flor pertencente à família Poaceae.
L. temulentum é uma herbácea anual, com caules erectos com até 1 m de altura e folhas estreitas e alongadas com bainha bem desenvolvida. A inflorescência é uma espiga alongada, aspecto que diferencia a planta do trigo. A semente é um grão de coloração violácea. Como o joio cresce nas mesmas regiões em que é cultivado o trigo, a sua semelhança morfológica com aquela planta torna difícil a sua erradicação das searas, conferindo assim à espécie uma importante vantagem competitiva. A semelhança é tão grande que apenas pode ser distinguido com facilidade após a formação da espiga, o que leva a que seja por vezes referido como "falso-trigo". A semelhança contudo desfaz-se com a formação da espiga, já que as espiguetas de L. temulentum são mais delgadas do que as de trigo e inseridas mais obliquamente em relação à ráquis. Para além disso, as espiguetas do joio têm apenas uma única gluma, enquanto as de trigo são orientadas com o lado plano para a ráquis e têm duas glumas. As espigas do trigo são castanhas quando maduras, enquanto que do joio são pretas.
A frequente presença de toxinas de origem fúngica pode tornar as sementes de joio venenosas, pelo que uma pequena quantidade de joio colhida e processada junto ao trigo pode comprometer a qualidade do produto obtido. Vem daí a famosa expressão "é preciso separar o joio do trigo", um ditado popular. Sua origem, religiosa, encontra-se na citação nominal do joio pela Bíblia, que estabelece uma analogia entre joio e o trigo e as pessoas más e boas e de como isso se evidencia com o tempo. (...) os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro. William Shakespeare menciona o joio como uma infestante na sua obra Rei Lear (King Lear) e em Mitrídates (Mithradate) como um dos ingredientes que Mitrídates VI do Ponto usaria na poção que ingeria todos os dias para o tornar imune ao envenenamento.
Imagem: H. Zell · BY-SA · Openverse
Trata-se de uma espécie presente no território português, nomeadamente em Portugal continental, no arquipélago dos Açores e no da Madeira. Em termos de naturalidade é nativa de Portugal continental, introduzida nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
Imagem: Roger Culos · BY-SA · Openverse
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