A Batalha de São Romano
A Batalha de São Romano é um conjunto de três pinturas do pintor florentino Paolo Uccello retratando acontecimentos que tiveram lugar na batalha de San Romano entre as forças de Florença e de Siena em 1432.
São pinturas importantes revelando o desenvolvimento da perspectiva linear no início da pintura no Renascimento italiano. São em têmpera de ovo sobre painéis de madeira, cada uma com 3 metros de comprimento. De acordo com o National Gallery (Londres), os painéis foram encomendados por um membro da família de Bartolini Salimbeni em Florença entre 1435 e 1460. As pinturas foram muito admiradas no século XIV. Lorenzo de Médici, ganancioso, comprou um e forçou a ida dos outros dois para o Palazzo Medici. Presentemente estão divididos entre três colecções, a National Gallery (Londres), a Galleria degli Uffizi e no Museu do Louvre, Paris.
As três pinturas (da esquerda para a direita) são: O painel dos Uffizi provavelmente foi projectado para ser a pintura central do tríptico, e é o único assinado pelo artista. A sequência mais amplamente aceite entre os historiadores de arte é (da esquerda para a direita): Londres, Uffizi, Louvre, embora outros tenham sido propostos. Elas podem representar diferentes momentos do dia, pois a batalha durou oito horas: amanhecer (Londres), meio-dia (Uffizi) e anoitecer (Paris). Na pintura de Londres, Niccolò da Tolentino, com seu ouro e grandes chapéus estampados de vermelho, é visto levando a cavalaria florentina. Ele tinha uma reputação de ser imprudente (não tem elmo), mas ele enviou dois mensageiros (a partida dos dois mensageiros, representada ao centro, em cima - ver o pormenor na "Galeria" em baixo) para contar aos seus aliados do exército de Attendolo para se apressarem em sua ajuda, visto que estava a combater uma força muito poderosa. Em primeiro plano, lanças quebradas e soldados mortos são cuidadosamente alinhados, de modo a criar uma impressão de perspectiva.
O escritor Arturo Pérez-Reverte, na sua obra O Pintor de Batalhas, teceu alguns comentários sobre a obra, em especial sobre o painel que se encontra nos Uffizi, referiu, por exemplo, que um dos personagens do seu livro que se dedicava à pintura devia muito ao clássico que entre muitos e acima de todos o guiava, Paulo Uccello, o pintor dos três quadros de A Batalha de San Romano, que representavam o episódio militar ocorrido a 1 de julho de 1432 em San Romano, um vale perto do rio Arno, entre os exércitos de Florença e Siena. Para Reverte, Uccello fora na pintura, juntamente com Piero della Francesca, o melhor geómetra do seu tempo, com uma inteligência de engenheiro para resolver problemas que ainda hoje impressionam os especialistas. No quadro da Galeria dos Uffizi, ainda para Reverte, a composição é extraordinária, a perspectiva e os escorços são magníficos. E chamava a atenção para a linha horizontal que culmina no cavaleiro derrubado pela lança, para as outras lanças partidas que no chão, junto dos corpos dos cavalos caídos, se entrecruzavam simulando uma rede, para o pavimento pictórico em perspectiva sobre o qual vai encaixar-se, projectando para o fundo e para o horizonte arborizado, a massa de homens que na cena principal, investiam uns contra os outros. Uma tragédia solucionada com geometria quase absoluta. Assinala ainda os arcos das bestas, o cruzamento de lanças que parecem trespassar o quadro, a chapa circular das armaduras que decompõem os planos, os volumes dispostos segundo capacetes e couraças. Conclui Reverte que não foi por acaso terem os mais revolucionários artistas do século XX terem reivindicado Uccello como seu mestre.
Galeria
É efectivamente uma curiosa obra de arte, visto ser composta por três partes que juntas traduzem uma só ideia.


