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The Duskbloods pode ser um grande divisor de águas para a FromSoftware e o gênero soulslike | Preview hands-on

Um dos títulos mais divertidos que o estúdio já criou

The Duskbloods pode ser um grande divisor de águas para a FromSoftware e o gênero soulslike | Preview hands-on
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Eu simplesmente amo os soulslikes da FromSoftware, porém um elemento deles nunca me chamou muita atenção: o multiplayer. Nunca fui o jogador de PvP, de fazer invasões ou coisa do tipo, e sequer gostei muito de Elden Ring Nightreign, que é quase um game obrigatoriamente online, apesar de você poder jogar sozinho.

Por isso, quando The Duskbloods foi anunciado como um título multiplayer, minha cabeça foi tomada por incertezas acerca do projeto. Mas, após ir ao Japão a convite da Nintendo e testar o game diretamente dos escritórios da FromSoftware, preciso admitir que essa é uma das experiências mais divertidas que a desenvolvedora já criou e pode ser um grande divisor de águas para o gênero soulslike.

Esqueça o que você conhece de um jogo souls; aqui os chefes não serão o foco, o storytelling por meio de itens e NPCs é diferente, e nem pense em uma campanha de no mínimo 20 horas. Em The Duskbloods, o foco são partidas rápidas em um mapa médio chamado Lowanro City, dividido em camadas e em diversas áreas exploráveis que contam com recursos, inimigos e objetivos para que o jogador construa sua build. Na forma como as rodadas funcionam até a construção de build mais limitada e “guiada” pelo próprio jogo, existem algumas semelhanças com Elden Ring Nightreign. Admito que a falta de “liberdade” em montar builds me incomoda e que limitar a construção de personagem apenas ao elemento da arma e às vantagens obtidas ao longo da partida me chateia um pouco, mas condiz com o ritmo veloz e intenso que o game propõe. Com um mapa grande e um ritmo acelerado, a movimentação precisa acompanhar, por isso, os personagens se movem rapidamente com um alto salto vertical, pulo triplo e dashes no ar — o substituto ideal para o Torrente, de Elden Ring.

As partidas de The Duskbloods são formadas por oito jogadores e quatro rodadas. Na primeira rodada, ninguém é eliminado; na segunda, os dois piores jogadores são eliminados; na terceira, os três últimos perdem a partida; e a quarta rodada é focada em uma batalha de três players, e quem vencer conquista a Lua de Sangue. Uma coisa que me chamou a atenção é como o ritmo de cada partida é bom. Em nenhum momento fiquei parado ou estagnado, sempre tinha algo para fazer ou buscar e, com isso, o tédio sempre estava distante. Não teve um momento em que eu não achei The Duskbloods muito divertido.

No começo de cada partida, você escolhe o local de nascimento do personagem baseado no que você almeja para sua build — diversos ícones indicam o que cada região reserva — e então o jogo vira uma busca por Virtue, matar chefes e mini-chefes e alguns inimigos básicos, que agora possuem um papel bem menos ameaçador do que em qualquer outro soulslike que a FromSoftware já criou no passado.

Mas como se ganha uma partida em The Duskbloods? No começo, eu confesso que fiquei bastante confuso e não entendia nada do que estava fazendo no mapa do game, mas, com o passar do tempo, eu compreendi como o sistema funciona e compreendi como faz para ganhar em The Duskbloods.

A peça-chave da vitória está no Virtue System, mecânica de pontos de vitória que determinará a sua posição ao longo da partida, e foi criado do zero para o game.

Existem formas de ganhar Virtue ao longo da partida:

A Sword Virtue ganha após derrotar inimigos em duelos no círculo de ritual que surge ao final de cada rodada, a partir do segundo round. Ele é o mais disputado e transforma o mapa em grandes guerras, porque todos os jogadores se reúnem em busca de Virtue no círculo, então o caos é garantido. A Pledge Virtue é fácil e muito difícil ao mesmo tempo, porque basta segurar um botão e esperar que o ritual seja completo, mas, para obtê-la, você estará no mesmo círculo de ritual da Sword Virtue, então facilmente você será surpreendido e morrerá, assim como aconteceu comigo diversas vezes. A Repulsion Virtue é ganha após matar chefes ou inimigos de elite. Flame Virtue é possivelmente a aposta mais segura; basta procurar corpos roxos em cadeiras, acendê-los e pronto, pontos ganhos. A Sigil Goals foi a mais complexa de entender, porque cada personagem tem seu próprio Sigil; no entanto, por exemplo, quando você está com a caçada equipada, basta matar o inimigo rival que receberá seus pontos por objetivo concluído. E, por último, as Commendations, que você ganhará apenas jogando de boa; basta estar entre os melhores na coleta de itens ou cumprimento de objetivos, ou ser o mais letal, que você receberá pontos por isso.

O Virtue System se aproxima muito ao sistema de pontos de vitória que alguns jogos de tabuleiro possuem. Tendo isso em mente, o jogo constrói partidas em que é necessário estar em movimento constante e sempre em busca de um novo objetivo. Não basta apenas matar inimigos, não basta apenas duelar com jogadores rivais; você precisa entender o Virtue System para entender como The Duskbloods consegue ser frenético e caótico.

Mesmo tendo ficado perdido e, a princípio, não ter entendido como o sistema funcionava, após ter compreendido as nuances, cheguei ao final de algumas partidas e até mesmo venci outras, e a minha conclusão foi de como isso torna The Duskbloods em um jogo muito divertido e surpreendente. Em uma partida, eu tinha 97 pontos de Virtue e, no segundo final, alguém concluiu algum objetivo, somou mais pontos que eu e me eliminou da partida. Ou seja, é uma mecânica que guarda espaço até para algumas reviravoltas.

Assim como em Elden Ring: Nightreign, The Duskbloods não possui criação de personagem, então você escolherá entre seis personagens antes de cada partida e todos eles são vampiros nomeados consangres:

Albert: foi meu personagem favorito durante o teste, muito equilibrado, tinha uma espada e uma metralhadora e uma habilidade que soltava um laser que me salvou em muitas situações e me entregou algumas vitórias.

Bloodhand Jan: é um personagem equipado com um grande machado e uma pedra mágica. Seu uso é mais voltado para magia e um combate focado em esquiva rápida, porque sua habilidade especial aprimora essa mecânica.

Trang Lanh: foi muito usada por outros jornalistas no teste, mas eu pouco joguei com ela, mas preciso admitir que a sua habilidade especial de invocar uma cobra é fantástica.

Sniper Layla: o nome já descreve o que ela faz. Equipada com duas lâminas e uma sniper, Layla deve ser a personagem favorita dos jogadores de FPS que experimentarem esse jogo, e a sua segunda habilidade especial de tirar uma metralhadora giratória de dentro do peito é fantástica.

Senator Samir Patres: de cara, parece só mais um velhinho, mas ele possui a habilidade de se transformar em um dinossauro e tem um ataque muito poderoso; em diversas situações ele foi usado no teste por mim e outros jornalistas, principalmente para jogar adversários para fora da arena com seu ataque de dinossauro. Por último, mas não menos importante,

Zork: seu design combina muito mais com Bioshock do que com o universo de The Duskbloods, mas confie em mim, ele é um ótimo personagem em todos os sentidos; seu kit de habilidades tem ferramentas para todo tipo de situação, com o dash de voo, Zork se aproxima do inimigo e joga-o para longe, além de causar um bom dano — isso aconteceu muitas vezes durante o teste — e seus mísseis são excelentes para dano em área e ataques a distância; suas armas são boas e engraçadas de certa forma, principalmente porque ele luta com um cabo submarino, e ele se tornou um querido por mim e pelos demais jornalistas presentes; em diversas situações estava jogando e me surpreendia com um Zork dando um voo rasante na minha direção ou de outros jogadores.

Por ser um jogo online, limitar a escolha do jogador a personagens pré-determinados, com seus kits de habilidades, sigil e equipamentos, torna as coisas mais fáceis de serem balanceadas. Mas confesso que senti falta de um sistema de armas como o do Elden Ring Nightreing, que pode dar mais asas à criatividade do jogador e do time de desenvolvimento — além de ser mais marcante por ter espadas como a icônica Moonlight Sword, símbolo da FromSoftware. Logo, a característica marcante de cada personagem fica a cargo das habilidades, não das armas.

Eu joguei com todos eles, mas definitivamente o meu favorito foi Albert. A gameplay com ele é simples, prática e me agradou muito — parecia que eu estava com o caçador de Bloodborne, mas com uma metralhadora.

Além de um kit de habilidades único, cada um deles possui uma habilidade especial ao beber sangue do inimigo, algo possível após quebrar a barra de postura do rival. A presença dessa barra de postura, algumas mecânicas de sangue, a movimentação do personagem, que é muito mais dinâmica, como mencionado anteriormente, me fizeram notar como The Duskbloods é uma grande amálgama de sistemas e elementos de títulos prévios da FromSoftware. Algo enaltecido pelo próprio Hidetaka Miyazaki durante coletiva de imprensa após os testes do jogo. Ele disse que a desenvolvedora queria testar elementos e recursos online que não casaram com os jogos single-player da FromSoftware, mas deixou claro que essa não é uma mudança de rumo e o foco não serão jogos online; apenas é uma coincidência Nightreign e The Duskbloods lançarem próximos um do outro.

Miyazaki também falou sobre o design de cada personagem e que ele e o time de desenvolvimento sempre tentaram se manter amplos no conceito do que pode ser um consangre, por isso os personagens são tão diversos entre si. Ele também destacou que eles queriam evitar o conceito já conhecido de vampiro para esse jogo.

Cada um deles tem uma sensação muito diferente e uma abordagem distinta. Isso complementa as partidas de The Duskbloods, que, ao menos durante os dois dias de teste em que joguei o game, não renderam uma partida igual à outra. Seja pela variedade de personagens, sistema de Sigil, eventos aleatórios que surgem durante as rodadas e as diversas formas de se obter Virtue, tudo isso pode jogar bastante a favor da rejogabilidade e longevidade do game.

Existem modos casual e ranqueado que podem ser jogados solo ou em dupla — em pares, a partida muda um pouco e a Virtue sua e do seu parceiro é somada, e, ao final, você enfrenta outra dupla e cada um de vocês possui duas vidas, até decidirem o campeão da partida —, o que aumenta ainda mais o fator replay e a diversão que o jogo proporciona.

Ainda sobre o fator rejogabilidade do game, para acrescentar ainda mais camadas à gameplay, é possível convocar Vassalos ao longo da partida, cada um deles com sua característica e estilo próprio. Alguns são atacantes e outros suportes, por exemplo. Um dos meus favoritos foi Gargoyle, que era suporte e oferecia cura, além de poder atacar também, e salvou minha pele inúmeras vezes durante o teste. Eles são bons aliados durante as lutas.

Mas o que mais me chamou atenção foi o sistema de Sigil. Ele faz parte da personalização de personagem, que é bem modesta, mas está ali nas entrelinhas. O Sigil atribui uma característica e objetivo ao seu personagem; como exemplo, o Senator pode selar um pacto de casamento com outro jogador. Infelizmente não consegui ver essa mecânica ao vivo, mas casamentos têm se tornado comuns em jogos da FromSoftware, tendo em vista que podemos “casar” em algumas quests de Elden Ring e Dark Souls 3. O Sigil também é uma forma de obter Virtue, então se torna um sistema central para a vitória. Além do casamento, é possível atribuir uma caçada a outro jogador e, se você o eliminar, ganha Virtue.

Um divisor de águas para a FromSoftware?

É muito importante jogar The Duskbloods com a mente mais aberta e não esperar a experiência já conhecida e consolidada de jogos soulslike. A abordagem multiplayer do game é diferente de Elden Ring: Nightreign e de tudo que a FromSoftware já apresentou. Até mesmo a narrativa subliminar característica da desenvolvedora aqui é contada de forma diferente.

Porém, a minha grande decepção com o game fica com os chefes. Esses grandes inimigos são parte fundamental do sucesso do estúdio no presente, mas em The Duskbloods eles são pouco marcantes, ao menos nessa versão de teste que joguei. Espero que o jogo final apresente inimigos e batalhas homéricas e épicas, como já vimos no passado.

Por isso, eu penso que esse é um divisor de águas para a desenvolvedora. Como os jogos soulslike serão daqui para frente, pode mudar com The Duskbloods. Embora ainda tenha muitas preocupações com o jogo sendo um exclusivo de Nintendo Switch 2, e os consoles da Nintendo não serem o lugar mais popular para se jogar games soulslike — apesar de Dark Souls Remastered e Elden Ring: Tarnished Edition estarem disponíveis para o console.

Diferente de Elden Ring: Nightreign, eu saí dos testes do jogo querendo jogar mais e não vejo a hora de estar com ele em mãos quando for lançado em definitivo. Essa amálgama de sistemas de outros jogos da FromSoftware, somada ao enorme foco em apenas ser um jogo divertido e menos punitivo, faz surgir algo realmente único e que altera as bases daquilo que conhecemos como soulslike.

The Duskbloods ainda não possui data de lançamento definida.

Esta notícia é um resumo. Os créditos e o conteúdo completo são da fonte original.

Fonte: IGN Brasil

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