Por trás dos grandes filmes de Robert Zemeckis, De Volta para o Futuro e Forrest Gump, existe um título que muitas vezes esquecemos, mas que aparece constantemente em listas dos melhores filmes de ficção científica: Contato (1997) uma adaptação do romance homônimo do amado Carl Sagan, estrelado por Jodie Foster e Matthew McConaughey.
A história acompanha Ellie Arroway, uma cientista do programa SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence) que, desde criança, fez da busca por vida extraterrestre o propósito de sua vida, uma herança direta de seu pai, que faleceu quando ela tinha apenas nove anos. Ela trabalha escaneando o céu com o radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, até que o consultor científico David Drumlin retira o financiamento, considerando o projeto uma perda de tempo.
O excêntrico bilionário S.R. Hadden lhe oferece uma nova oportunidade, permitindo que ela continue a escutar o universo com o Very Large Array, no Novo México. Quatro anos depois, vem a descoberta que muda tudo: uma estranha sequência de números primos vinda das proximidades de Vega, a 26 anos-luz da Terra, que só pode significar uma coisa.
Ficção científica com um pé na realidade
Carl Sagan não viveu para ver seu próprio filme concluído: ele faleceu em dezembro de 1996, poucos meses antes da estreia, após uma batalha de dois anos contra uma doença na medula óssea. Ellie Arroway, aliás, não surgiu do nada: Zemeckis e Foster se inspiraram em Jill Tarter, uma astrônoma e pioneira do SETI, para criar uma personagem ainda hoje citada como um marco de rigor científico na ficção. Visualmente, o filme também deixou sua marca, especialmente com a inversão da câmera para terminar em frente a um espelho, ainda considerado um exercício espetacular de inovação técnica quase trinta anos depois.
Há um detalhe que confere ao filme uma camada extra que ninguém poderia ter previsto em 1997: o próprio Observatório de Arecibo, onde Ellie escuta o cosmos, foi o mesmo de onde a humanidade enviou sua mensagem às estrelas em 1974, e que desabou completamente em 2020 após décadas de deterioração, permanecendo de pé apenas no reino da ficção.


