Review: Metal Gear Solid Master Collection 2 traz bons ports
Metal Gear Solid Master Collection 2 traz, finalmente, Metal Gear Solid 4 e mais, veja nosso review completo
Após quase 3 anos desde o lançamento da primeira coletânea, fãs de Metal Gear finalmente podem comemorar, pois Metal Gear Solid Master Collection 2 finalmente está chegando. E por que um compilado de jogos é tão aguardado? Porque simplesmente algumas das maiores joias da história agora podem ser jogados em consoles modernos e perderam a exclusividade de anos.
Finalmente Metal Gear Solid Peace Walker, antes disponível apenas para PSP e nas coletâneas de Xbox 360 e PS3, mas principalmente Metal Gear Solid 4, um dos jogos mais aclamados de todos os tempos e que por quase duas décadas ficou exclusivo somente no PlayStation 3.
Agora, sem precisar recorrer a emulação ou religar antigos consoles, como estão os ports de ambos os jogos? E o que mais Metal Gear Solid Master Collection 2 oferece aos compradores? Confira o nosso review completo!
Metal Gear Solid Master Collection 2: o que temos?
Como você deve imaginar (caso não saiba), Metal Gear Solid Master Collection 2 é, obviamente, a segunda coletânea da franquia, já que em 2023 tivemos o primeiro volume que continha a trilogia da era de ouro: Metal Gear Solid, Metal Gear Solid 2 e Metal Gear Solid 3 (além dos jogos de MSX no conjunto).
E, embora excelentes títulos e alguns dos melhores que já vimos (além de ser alguma das maiores obras-primas de Hideo Kojima), ela não trazia exatamente algo novo à mesa: afinal, essa mesma coletânea chegou ao PS3, Xbox 360 e PS Vita há um tempo e vimos praticamente um relançamento, já que os ports são, inclusive, retrabalhos dos projetos da Bluepoint em 2011.
O que fãs queriam saber era quando Metal Gear Solid 4, lançado em 2008, chegaria em consoles modernos – e se chegaria, já que não havia detalhes sobre acordos da época. Porém, finalmente estamos recebendo tanto o quarto game, quanto Metal Gear Solid Peace Walker, original do PSP.
Caso você compre Metal Gear Solid Master Collection 2 como uma coletânea (já que é possível adquirir os games de maneira independente), também temos de bônus Metal Gear Solid Ghost Babel, de Game Boy Color, e uma segunda playlist de músicas da série.
Vamos comentar brevemente sobre os jogos do compilado? Se você gosta da franquia é como pregar para convertido, mas caso seja um novato, saiba que por mais que o combo seja de apenas dois títulos, eles estão entre os melhores (na realidade, quase todos estão, o que fica difícil reforçar as qualidades deles).
Metal Gear Solid Peace Walker foi lançado para PSP em 2010 e é uma sequência direta dos eventos de Metal Gear Solid 3. A trama é muito bem contada, embora dependa bem mais de quadrinhos interativos (muito legais, por sinal) do que cutscenes e traz diversas missões interessantes de jogar.
O combate e o gameplay são um pouco mais truncados, já que foi feito para o layout de botões do PSP, e alguns elementos certamente são datados hoje em dia, como o level design dividido por áreas, mapas repetitivos e um sistema de mira que certamente não se acomoda da melhor maneira aos controles modernos. Porém, ele ainda é uma boa adição a Metal Gear Solid Master Collection 2.
Se você quer se inteirar na trama e eventos de Big Boss, especialmente se tiver terminado o incrível Metal Gear Solid Delta recentemente, esse é o caminho. Não só ele traz uma jogabilidade divertida (embora um tanto datada para padrões modernos), mas também cria as fundações para Metal Gear Solid 5, se tornando uma peça muito importante da cronologia.
Já Metal Gear Solid 4 está em outro patamar e é realmente a estrela de Metal Gear Solid Master Collection 2. Além de ter um status lendário, o título ficou preso como exclusivo do PS3 até agora, marcando quase 20 anos de exclusividade, mas vale cada momento.
Diversas novidades deram as caras pela primeira vez no quarto game, como o sistema de combate moderno, a OctoCamo e a mecânica de camuflagem reformulada, cenários mais amplos e interativos, e tudo que você pode imaginar de Hideo Kojima com um hardware mais poderoso.
Além disso, Metal Gear Solid 4 é o encerramento cronológico da franquia, colocando os pingos nos is e fechando pontas abertas por mais de uma década. A história é realmente incrível, mas é bom estar preparado para longas cenas com até dezenas de minutos – a maioria delas, inclusive, interativas.
Dois grandes jogos compõem Metal Gear Solid Master Collection 2, especialmente com Metal Gear Solid 4, mas ainda há um sentimento de caça-níqueis na coletânea. Por quê? Porque basicamente a precificação é um tanto agressiva, saindo por R$ 284.
Diferente da primeira coletânea, Metal Gear Solid Master Collection 2 traz apenas dois jogos (três, se contarmos Ghost Babel) e ele não completa todos os títulos da série. Se o compilado trouxesse ao menos mais alguma coisa, mesmo que ports de nova geração de Metal Gear Solid 5 Ground Zeroes e Phantom Pain, já teríamos algo mais concreto.
Além disso, Metal Gear Solid Master Collection 2 poderia ter dado um passo além, já que há outros títulos que ainda permanecem exclusivos até hoje. como Metal Gear Solid Acid! 1 e 2 ou Metal Gear Solid Twin Snakes, até hoje exclusivos de PSP e GameCube respectivamente. Certamente, havia espaço para agregar mais valor e tornar o compilado bem mais apetitoso.
Vamos falar o que importa: os jogos de Metal Gear Solid Master Collection 2 valem a pena ou são apenas emulações? As respostas são levemente mistas, mas ainda mais positivas do que negativas – dependendo do jogo em destaque nos holofotes que analisamos.
Começando por Metal Gear Solid Peace Walker, a situação é um pouco mais confusa. Muito provavelmente há um retrabalho em cima do port da Bluepoint de 2011 e não há muitas configurações para modificar. Em termos de resolução, há apenas opções de upscale, sem nenhuma forma de jogar nativo e em apenas 60 fps no máximo.
Ou, em outras palavras, parece um pouco uma emulação em alguns momentos. Pode parecer ruim na teoria, mas o resultado é satisfatório. Há alguns problemas de serrilhados aqui e ali, mas trata-se de um port decente e que traz a experiência completa, mesmo que sem muitos caprichos.
Metal Gear Solid 4 tem uma situação mais parecida, mas consideravelmente mais refinada. Embora seja limitado a 60 quadros por segundo, provavelmente por alguma limitação do motor gráfico e lógica interna do game, ele claramente é um port nativo para as plataformas modernas.
Há opção de resoluções distintas e algumas opções gráficas, mas você provavelmente não terá que mudar nada e jogar com tudo no máximo. Por serem jogos mais antigos, ambos rodam muito bem até em setups mais modestos – afinal, o limite de performance é de 60 fps.
Outro detalhe de Metal Gear Solid Master Collection 2 no PC é que ambos os jogos funcionam muito bem com teclado e mouse, então não há obrigatoriedade de jogar em controles (algo que é bem positivo).
Eu testei ambos os títulos de Metal Gear Solid Master Collection 2 no meu PC, que possui uma RTX 5090 e um i7-13700K, quanto no Xbox ROG Ally X, que embora potente, ainda é bem mais modesto que muitos notebooks gamers atuais. Em ambos, consegui rodar na resolução máxima e sem queda de performance.
Mesmo que não sejam remasterizações robustas, tanto Metal Gear Solid 4 quanto Peace Walker trazem leves melhorias, como filtro anisotrópico maior para texturas angulares, pós-efeitos como fumaça e névoa que se adequam às resoluções maiores, e mais.
Se você realmente quis jogar algum desses jogos no PC, sabe que a única opção possível era com a emulação de uma cópia, algo que não era muito funcional, tinha bugs aos montes e incontáveis crashes. Ter isso de forma fluida, sem problemas técnicos e só poder aproveitar, mesmo que sem luxos, acaba se tornando um luxo por si só.
Metal Gear Solid Master Collection 2 poderia ser um pouco mais refinada? Com certeza. O port de Peace Walker poderia ser melhor? Sim, mas ainda me sinto feliz como fã em poder jogar ambos os jogos sem problemas.
Conteúdo original intacto, mas com uma novidade: suporte a PT-BR
Um último ponto que gostaria de reforçar sobre Metal Gear Solid Master Collection 2 é o conteúdo intacto. Pode parecer estranho, mas ambos os jogos tiveram algumas colaborações, funcionalidaes e easter eggs que, em um eventual relançamento, poderiam ter ficado de fora.
Contudo, a coletânea traz tudo, e isso inclui, inclusive, as missões de Monster Hunter e o modo Vs e multiplayer cooperativo de Metal Gear Solid Peace Walker, segredos de Metal Gear Solid 4 e até conteúdo licenciado, como o iPod, revistas Playboy e mais.
Até mesmo o PS3 no avião Nomad, o PSP e mais estão presentes, assim como o celular Sony Ericson de Vlad no Ato 2. Não sei se todas as versões, como a de Switch e Xbox, terão esses elementos, mas é legal vê-los intactos.
A única coisa que ficou e fora foi o Metal Gear Solid Online, mas até mesmo durante a era PS3 algumas cópias já não vinham com o modo, então faz sentido a escolha ser mantida por aqui.
Entretanto, a grande novidade fica com uma adição muito importante para nós brasileiros: Metal Gear Solid Master Collection 2 traz a opção de legendas em PT-BR, algo que a primeira deixou a desejar. A tradução é muito boa e finalmente os fãs podem aproveitar as campanhas em nosso idioma (com exceção de Ghost Babel, apenas Peace Walker e o 4 possuem legendas em português).
Metal Gear Solid Master Collection 2 vale a pena?
Metal Gear Solid Master Collection 2 é realmente uma ótima coletânea que traz alguns dos jogos mais legais da franquia e que estavam presos em gerações passadas. Ter Metal Gear Solid 4 jogável em plataformas contemporâneas é realmente algo valioso para qualquer fã.
Os ports poderiam ser um pouco mais requintados, com certeza, especialmente com Metal Gear Solid Peace Walker, mas o trabalho ainda é bem decente, leve de rodar, sem problemas técnicos e com o conteúdo original intacto.
Pelo valor, Metal Gear Solid Master Collection 2 poderia trazer alguns extras melhores à mesa do que Metal Gear Solid Ghost Babel, então acaba se tornando uma questão de escolha: por mais que não seja uma coletânea barata, os jogos ali são atemporais.
Metal Gear Solid Master Collection 2 foi gentilmente cedido pela Konami para a realização desta análise.
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