Mais um mês está prestes a terminar, e mais um lobo entra nos ringues de Fatal Fury: City of the Wolves. Cobrimos a estreia de Rick Strowd, o pugilista que iniciou a terceira temporada do jogo de luta da SNK, e, de lá para cá, foram revelados quatro dos seis lutadores que entrarão neste segundo semestre de 2026. O segundo da fila, e nosso assunto de hoje, é o dançarino Duck King. O GameBlast teve novamente a oportunidade de testar mais um personagem de forma antecipada.
Duck King é um verdadeiro veterano da franquia Fatal Fury, estando presente quando tudo começou, lá em 1991, como um dos adversários a serem vencidos no modo arcade. Em sua estreia, ele parecia uma versão bootleg de MC Hammer (um rapper que estava no auge nos anos 1980) e trazia uma mistura interessante de dança de rua com artes marciais.
Embora tenha ficado de fora de Fatal Fury 2, o personagem retornou na revisão Special mais alinhado aos anos 1990, vestido com um casaco laranja, uma calça larga, grandes sapatos e um perceptível aumento no volume de seu cabelo com corte mohawk. A partir de Real Bout Fatal Fury, ele mergulhou ainda mais na cultura street dance noventista, com calça saruel e um coletinho sobre sua camisa amarela.
É importante comentar sobre o histórico de design de Duck King, pois esse é um dos pontos mais marcantes do personagem, na minha opinião. Ele foi se adaptando conforme os anos 90 avançavam, com a exceção sendo sua última aparição em The King of Fighters XI, que replicou seu visual de Real Bout.
Em Fatal Fury: City of the Wolves, a SNK resolveu voltar atrás e retomar seu design de Fatal Fury Special. O casaco laranja retorna, acompanhado do gigantesco cordão hippie e dos óculos redondos meio steampunk, mas agora em 3D e com um aspecto levemente envelhecido, embora pareça que o tempo não tenha passado muito para ele.
Eu gostaria que ele tivesse vindo com um estilo mais anos 2000, condizente com o período em que os eventos do atual jogo se passam, mas aparentemente a marca registrada de Duck King são os anos 1990. Talvez a SNK trate Salvatore Ganacci, o DJ convidado, como um lutador dançarino dos tempos modernos.
Independentemente disso, é preciso destacar que a transposição do personagem para o meio tridimensional foi muito bem feita, novamente resultando em um dos melhores modelos do jogo. A vestimenta é detalhada e tem certo nível de movimento, o cabelo funciona muito bem em 3D, e o adorável P-chan, seu patinho amarelo, continua uma graça.
No geral, embora não pareça uma evolução esperada para a cronologia iniciada em Garou: Mark of the Wolves, esta é uma nova era técnica para Duck King, e ele felizmente chegou em uma boa fase da atual SNK.
Ao menos não dá para negar que Duck King continua um personagem cheio de personalidade. Basta pular e usar o soco forte para perceber que não se trata de um personagem qualquer até em ataques normais. Vários golpes possuem animações de transição muito bem feitas, que ajudam a adaptar suas particularidades ao 3D. E, claro, o dançarino está sempre em constante movimento.
No campo de batalha, o Duck King de City of the Wolves é um amálgama de suas encarnações anteriores, mas com adição de truques novos. O guerreiro se encaixa no arquétipo de rushdown, mas conta com uma camada extra de truques (mix-ups) para confundir o inimigo, especialmente pela natureza pouco ortodoxa de seu estilo de luta dançante.
Como um personagem de curta distância, sua principal ferramenta (o Head Spin Attack) é a pedida para conseguir se aproximar do oponente de maneira inusitada. O golpe é uma rolagem horizontal — ou diagonal, se feito no ar — veloz, ao estilo Blanka, de Street Fighter. Devido ao sistema REV, o golpe é uma ferramenta de extensão caso seja executada em sua versão aprimorada, além de poder servir como iniciador de um combo mais simples.
Como recurso antiaéreo, o Break Storm continua sendo a pedida. Trata-se de um Rising Tackle ainda mais chamativo e, como esperado desse tipo de golpe, pode ser cancelado no início como recurso para combos. Para finalizar os ataques clássicos, a joelhada Dancing Dive é um reversal confiável e um bom extensor de sequências, especialmente porque sua versão REV se encaixa perfeitamente com o Flying Spin Attack aprimorado.
E, retornando de Fatal Fury Special com necessárias revisões, temos o Beat Rush Breakin’, um rekka com diversas rotas que auxilia nas sequências, inclusive sem a versão REV, desde que os inputs tenham o timing adequado. Ele começa com dois ataques que podem ser seguidos de versões estendidas que jogam o oponente para longe ou apenas o mantêm por perto com um agarrão que atravessa a defesa ou ataques baixos para atingir quem estiver defendendo em pé.
Talvez sua maior novidade seja um revisado Beat Rush Breakin’, um rekka que não combava em Fatal Fury Special, e que agora está muito melhor, inclusive funcionando sem versão REV. Duck começa com dois ataques e pode ser seguido por versões estendidas que jogam o oponente para longe ou apenas o mantêm por perto com um agarrão que atravessa a defesa ou ataques baixos para atingir quem estiver defendendo em pé.
Duck também vem com uma curiosa nova passiva intrínseca ao sistema REV: o Puro Êxtase. Normalmente, estar com o Medidor REV quase cheio é um sinal de perigo, mas o dançarino transforma isso em uma arma de risco e recompensa, pois alguns de seus especiais ficam melhores quando ele está quase exausto. A administração da barra se torna um fator a mais com o qual se preocupar, e eu gostaria que houvesse mais interações com esse recurso básico de City of the Wolves.
O seu primeiro Ignition Gear é o clássico agarrão Break Spiral, no qual ele joga o oponente para o ar e começa uma sessão dolorosa de breakdance. O outro é o Beat Rush Fever, uma sequência ofensiva que exige timing nos botões para prosseguir, como o Deadly Rave de Geese, embora muito menos complexa e punitiva.
E, seguindo a triste tradição de Hidden Gear, o Break Spiral All Night é seu super cinematográfico que, como o nome sugere, é uma versão de luxo do Ignition Gear. É legalzinho, mas a SNK precisa repensar a direção desses golpes secretos elaborados em jogos futuros.
Meu maior porém com Duck está no seu dano, que talvez seja baixo demais para a quantidade de recursos gastos na execução de um bom combo. Claro, uma ofensiva eficaz causa estrago, mas ele é aquele típico personagem que enche o contador de acertos aos montes enquanto tira poucos pixels da barra de vida adversária. Só entenderemos seu lugar no meta com o tempo e nas mãos de jogadores de alto nível.
Pelo menos os seus combos são bem bonitos.
Após uma primeira impressão negativa pelo apego excessivo à nostalgia, fiquei encantado com a maneira com a qual Duck King foi transportado para o mundo de Fatal Fury: City of the Wolves. Seus maneirismos parecem mais potentes do que nunca, seu design está ótimo, e ele tem tudo para trazer música e ritmo aos combates de rua. Todos poderão aprender os passos da pancadaria a partir do dia 27 de agosto.
Assim, Duck King será o segundo integrante da terceira temporada de Fatal Fury: City of the Wolves. No texto sobre Rick, ainda não estava claro quem seriam os próximos desafiantes, mas agora sabemos que os próximos meses serão marcados por Kim Kaphwan, Laocorn e dois lutadores misteriosos. Será que teremos mais participações inusitadas? Só o tempo dirá.
Texto de impressões redigido com cópia de avaliação cedida pela SNK


