Uma das grandes dúvidas após a decisão surpreendente de não lançar GTA 6 em disco no lançamento é se a Rockstar chegará a lançar uma versão em disco do jogo. Em uma nova entrevista ao IGN, Strauss Zelnick, presidente da Take-Two, empresa controladora da Rockstar, se recusou a descartar essa possibilidade.
Falando hoje, após a divulgação dos resultados financeiros do primeiro trimestre de 2027 da Take-Two, Zelnick defendeu a decisão da empresa de não lançar GTA 6 em disco, insistindo que, quando se trata de grandes jogos, os discos “não fazem muito sentido para o consumidor”.
E, em uma nova entrevista ao IGN, Zelnick reforçou seus comentários à comunidade de investidores, confirmando que mais de 90% das vendas da Take-Two são digitais.
“Hoje em dia, para jogar videogames, é preciso estar conectado”, acrescentou Zelnick. “Então, todo mundo está conectado. Portanto, é apenas uma questão de encontrar a maneira mais eficiente de colocar o jogo nas mãos das pessoas”.
Essa é a situação para o lançamento de GTA 6, mas e quanto à perspectiva de longo prazo? Perguntamos a Zelnick se ele poderia descartar a possibilidade de GTA 6 vir a ser lançado em disco. Eis sua resposta: “Não descartaria nada nesta fase do projeto. O que anunciamos até agora é o que estamos fazendo no momento, mas estamos sempre abertos a novas possibilidades”.
Depois que a Rockstar confirmou, em junho, que GTA 6 não seria lançado em disco, alguns se perguntaram se isso se devia, em parte, à tentativa de evitar vazamentos na reta final para o lançamento do jogo. A ausência de discos físicos contendo os dados do jogo ajudará no “sigilo quase patológico da Rockstar”, disse Rhys Elliot, chefe de análise de mercado da Alinea Analytics, ao IGN na época. Isso também garantiu que os dados do jogo só fossem desbloqueados no lançamento, o que significa que não haveria vazamentos prejudiciais antecipados de cópias “perdidas na parte traseira de um caminhão”. GTA 6 já sofreu um grande vazamento antes do lançamento e, com os fãs analisando minuciosamente cada pedacinho de informação sobre o jogo, é fácil entender por que a Rockstar quer manter o controle sobre cada detalhe.
No entanto, em entrevista ao IGN hoje, Zelnick negou que a segurança tivesse qualquer relação com a decisão. “Não”, respondeu Zelnick quando questionado se a preocupação com um possível vazamento de GTA 6, caso fosse lançado em disco, tivesse influenciado de alguma forma a decisão da Take-Two.
Há uma reação negativa em curso não apenas à decisão da Rockstar sobre o GTA 6, mas também ao anúncio da Sony de descontinuar a produção de discos para o PlayStation a partir de 2028. Isso tem levado os jogadores a continuarem pedindo que a Sony reverta sua decisão, assinando petições online e lotando as postagens da PlayStation nas redes sociais para expressar preocupação com a preservação e a propriedade dos videogames — chegando até a ofuscar o lançamento de novos jogos que não têm nada a ver com o que está acontecendo na Sony. Enquanto isso, defensores das mídias físicas convocaram os jogadores a boicotarem o PlayStation por uma semana em agosto para enviar uma mensagem à Sony de que sua decisão de acabar com os discos a partir de 2028 é inaceitável. Reclamações também vieram de outros grupos. A Associação Britânica de Entretenimento Digital e Varejo (ERA), por exemplo, chamou a decisão da Sony de “um triunfo da conveniência corporativa sobre a escolha do consumidor”.
Na semana passada, a Sony finalmente quebrou o silêncio sobre sua decisão de descontinuar os discos do PlayStation para afirmar que isso não está causando nenhum impacto em seus negócios no momento e que não prevê nenhum impacto negativo no futuro. Os executivos insistiram que a Sony não mudará de ideia, embora reconheçam as “opiniões veementes” da comunidade de videogames.
E, em entrevista ao IGN, Zelnick deu uma resposta semelhante à reação negativa, expressando sua convicção de que o fato de GTA 6 não ser lançado em disco basicamente não prejudicará a Take-Two financeiramente. “Certamente espero que não haja impacto negativo e não espero que haja”, disse ele.
Zelnick concordou com a afirmação de que vê um futuro em que os discos físicos simplesmente desaparecerão completamente (“sim, vejo”), mas não quis estabelecer um prazo para isso. “Eu realmente não saberia dizer”, afirmou. “E, mesmo que desapareçam, ainda haverá alguns, da mesma forma que ainda há alguns discos de vinil no mercado de música gravada, mas não acredito que serão muitos. ”
E, finalmente, sobre a questão do disco de GTA 6, Zelnick distanciou a Take-Two da sugestão de que a empresa teria sido influenciada pela decisão da Sony de descontinuar os discos do PlayStation a partir de 2028, enfatizando: “Queríamos fazer o que era certo para o projeto”.
Quando a Sony anunciou sua decisão, afirmou que estava simplesmente acompanhando as tendências de consumo. “Em resposta às mudanças nas tendências de preferência dos consumidores, os novos jogos serão lançados na PlayStation Store e nas lojas físicas exclusivamente em formatos digitais”, afirmou Sid Shuman, diretor sênior de Comunicação de Conteúdo da Sony Interactive Entertainment, em uma publicação no PlayStation Blog.
Os últimos resultados financeiros da Sony mostram uma proporção de 82% de downloads digitais para jogos completos no PS4 e no PS5. Reforçando essa tendência, Mat Piscatella, diretor sênior e consultor da indústria de videogames da Circana, afirmou recentemente que apenas sete videogames do PlayStation venderam mais de 100 mil unidades físicas até agora neste ano nos EUA. Apenas dois videogames do PlayStation venderam mais de 10 mil unidades físicas nos EUA durante a semana que terminou em 11 de julho.
Para a Sony, a adoção do formato totalmente digital para novos lançamentos de jogos renderá mais receita por cada venda, em um momento em que se espera que as vendas de consoles despenquem devido ao aumento de seus custos. Para um jogo de primeira linha do PlayStation, como The Last of Us, a Sony ficará com apenas cerca de 65% da receita de uma cópia física, com cerca de 30% indo para o varejista e aproximadamente outros 5% destinados aos custos de fabricação. Já, no caso de uma cópia física de um jogo de terceiros, como Call of Duty, publicado pela Activision, a Sony receberá uma taxa de licenciamento, provavelmente em torno de 15%.
No caso dos downloads, porém, as margens são bem maiores. Para um jogo de desenvolvimento próprio vendido pela PlayStation Store da Sony, a empresa obviamente fica com 100% da receita. Já para jogos de terceiros, como Call of Duty, a Sony fica com 30% (ou seja, cerca de US$ 21 por um jogo de US$ 70).
Temos muito mais declarações de Zelnick hoje, incluindo seus comentários sobre os preços de GTA 6 e a exclusividade temporária da Netflix sobre o próximo trailer do GTA 6.
