Desenvolvido pela CIRCLEfromDOT e publicado pela PQube, Kusan: City of Wolves é um jogo de ação top-down, focado em combates intensos e estratégicos. Em uma proposta que se assemelha à fórmula da série Hotline Miami, o título utiliza a temática cyberpunk pós-guerra para contar uma história de redenção, misturando violência estilizada, personalização de combate e um ritmo dinâmico.
Desde o fim da última guerra, a cidade de Kusan passou a conviver com o que há de pior. Entre um governo controlador e ruas dominadas por gangues, não há cidadão que passe um dia sem encarar o perigo. Ainda tentando superar os traumas do conflito, o ex-militar Jin é acordado por uma criança que lhe pede ajuda para resgatar a irmã mais velha, sequestrada para exploração.
Após a missão inicial, que serve como tutorial das principais ações do protagonista, Jin é abordado por Ayin, um agente secreto do governo, que o convence a participar de uma operação para deter a gangue Diamond Wolves, um grupo de ex-combatentes que planeja se rebelar contra o governo e destruir a cidade por meio do Projeto Origem, um plano que pretende utilizar o poder misterioso de uma garotinha para provocar explosões em larga escala.
Devido à urgência da situação, Jin aceita ajudar Ayin, principalmente após descobrir que sua ligação com os eventos é mais profunda do que parece. Agora, ele parte para diferentes pontos da cidade a fim de resgatar os inocentes forçados a trabalhar no projeto e deter os líderes da organização.
Um dos grandes destaques do título é o seu aspecto audiovisual. O jogo mescla o desenvolvimento da narrativa em cutscenes em pixel art com diálogos em forma de quadrinhos, o que combina perfeitamente com o estilo da história. A ideia de utilizar animais antropomorfizados funciona muito bem na caracterização, pois conseguimos pressupor certas características e personalidades dos personagens com base nessas escolhas.
A trilha sonora também merece destaque por dar ritmo ao jogo com suas batidas de hip-hop. O som encaixa muito bem com a temática e transmite a sensação de estarmos dentro de um ambiente suburbano e caótico. Além disso, há o mérito de ela não se tornar repetitiva, mesmo diante das inúmeras tentativas necessárias em cada fase.
A violência vista na cidade de Kusan é um fator que se reflete diretamente no gameplay. O jogo foca em uma ação brutal, principalmente no uso do braço mecânico de Jin e de armas de fogo, dentro de uma dinâmica que nos força a memorizar o posicionamento dos inimigos à medida que avançamos. A referência mais direta aqui são os jogos da série Hotline Miami.
City of Wolves segue essa mesma proposta, utilizando um ângulo de câmera superior e a mecânica de repetição exaustiva das fases, até que consigamos memorizar o tipo e o posicionamento dos inimigos em cada andar, visto que qualquer ataque sofrido resulta em morte instantânea.
E, mesmo que a tendência desse tipo de gameplay seja se tornar frustrante, isso não ocorre aqui. A dinâmica se mantém divertida, principalmente pela jogabilidade ágil, em que podemos golpear com o braço de ferro de Jin, arremessar facas ou utilizar armas de fogo.
Isso ganha ainda mais profundidade com a possibilidade de desbloquear melhorias para todo o arsenal, usando as moedas coletadas ao derrotar inimigos e destruir os cenários. Além disso, ganhamos bônus de acordo com o nosso desempenho, baseados na variedade de movimentos e na velocidade com que finalizamos a fase.
Essa mecânica traz um ótimo incentivo para repetir as fases em busca de notas maiores, permitindo evoluir o personagem rapidamente. A curva de progressão é bem desenvolvida, sendo possível notar a evolução na jogabilidade a cada upgrade, o que torna os confrontos ainda mais fluidos.
Embora o aspecto visual seja uma das principais qualidades de Kusan, ele também se torna um problema em determinadas partes do jogo. O estilo cyberpunk é muito bem explorado nos cenários, com casas, boates e ruas cheias de luzes neon, painéis luminosos e outdoors com propagandas.
No entanto, esse ambiente rico em detalhes dificulta um pouco a jogabilidade. Dentro das fases, temos uma visão aérea focada em Jin, sendo possível observar apenas dentro de um raio não muito extenso. Uma vez que somos vistos por um inimigo, ele se aproxima rapidamente, exigindo uma resposta imediata do jogador.
A grande questão é que há tantos detalhes em cena que, muitas vezes, você se perde entre o que é cenário e o que é inimigo. Cada ataque não apenas elimina os vilões, mas também quebra mesas, luminárias e caixas, espalhando objetos por todo o ambiente. Embora seja incrível ver um andar todo destruído, dando mais peso às nossas ações, não foram poucas as vezes em que morri apenas por não entender o que estava acontecendo na tela.
Ainda assim, esses problemas podem ser relevados com o tempo, principalmente porque a qualidade do jogo se sobressai diante das repetições inevitáveis. Bolar estratégias diferentes, ou até mesmo mudar todo o arsenal antes de entrar na fase, para se adaptar aos diferentes tipos de inimigos, é uma tarefa extremamente prazerosa, especialmente quando tudo dá certo no final.
No fim das contas, Kusan: City of Wolves aproveita uma ideia já consagrada e adiciona uma camada de identidade muito sólida por cima. A jogabilidade ágil e visceral é um dos pontos altos do título, assim como a estética e a trilha sonora, que acompanham de maneira impecável essa jornada de redenção. Mesmo com pontuais problemas de poluição visual em meio ao caos, o jogo se sobressai como uma das experiências de ação mais divertidas e marcantes do ano.
O combate é brutal, ágil e muito responsivo, com ótimo sistema de melhorias;
A direção de arte é marcante, combinando pixel art, estética cyberpunk e narrativa em estilo quadrinhos;
Trilha sonora hip-hop envolvente, que dita o ritmo caótico da ação sem enjoar;
Excelente curva de progressão e incentivo ao fator replay, pela busca por pontuações maiores.
O excesso de detalhes e elementos no cenário podem causar poluição visual e mortes confusas;
O campo de visão reduzido exige reações excessivamente rápidas em momentos de muito caos.
Wusan: Cities of Wolves — PS5/XSX/Switch/PC — Nota: 9.0
Análise feita com cópia digital cedida pela PQube
"Ultimately, Kusan: City of Wolves takes a well-established concept and adds a very strong layer of identity on top of it. Fast and visceral gameplay is one of the title's highlights, alongside a sound design and aesthetic that impeccably accompany this journey of redemption. Despite occasional visual clutter amid the chaos, the game stands out as one of the most fun and memorable action experiences of the year."

