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Análise: Knytt Classic é o retorno de um indie de plataforma 2D com exploração livre (e gratuito)

A primeira coisa a deixar clara sobre Knytt Classic é que se trata de um jogo de exploração de plataforma, em um mundo aberto, gratuito no Steam e no GOG. Ou seja, se você gosta do estilo, não precisa pensar muito antes

Análise: Knytt Classic é o retorno de um indie de plataforma 2D com exploração livre (e gratuito)
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Esta versão trata-se de um relançamento de Knytt, um jogo de 2006 criado pelo sueco Nicklas Nygren, conhecido como Nifflas. Aquela era uma época em que a distribuição digital ainda engatinhava, e o próprio Steam era muito limitado.

Naqueles tempos remotos, boa parte do meio indie “raiz” consistia em pessoas que criavam jogos retrô nas horas vagas e os lançavam gratuitamente na web. Foi assim, por exemplo, com The Eternal Daughter (2002, feito pelo criador de Spelunky), Lyle in Cube Sector (2006), An Untitled Story (2007, feito pela criadora de Celeste) e até as primeiras versões de Cave Story (2004) e La-Mulana (2006), todos dados à luz como freewares.

Nesse ambiente discreto e dedicado — isto é, de nicho —, nasceu também Knytt, um título de plataforma completamente focado na exploração de um mundo aberto, sendo minimalista em todo o restante: visual simples, sem combate, narrativa quase inexistente e desprovida de texto, além de música pontual, que emerge aqui e ali após longos silêncios marcados apenas pelo som ambiente (parecido com o que The Legend of Zelda: Breath of the Wild também fez uma década depois).

No ano seguinte, Nifflas lançou uma sequência também gratuita, Knytt Stories, contendo elementos de metroidvania e, principalmente, um editor de níveis para que a comunidade de jogadores pudesse desenvolver suas próprias criações.

Em 2012, veio o terceiro e último título, Knytt Underground, que enriqueceu a exploração livre com uma estética mais elaborada e uma história com diálogos. Ele chegou a ser lançado para PS3, PSVita e Wii U. É claro que ainda pode ser adquirido nos consoles da Sony, enquanto não chega a data em que a PS Store fechará as portas neles, mas a forma mais fácil de jogá-lo hoje é via Steam.

Knytt Classic, o relançamento, corresponde apenas ao primeiro título da série, encorpado com outras versões que alteraram e reinterpretaram a campanha. Todo o conteúdo foi refeito do zero, quase exatamente como era antes, porque a proposta desse retorno é de preservação da obra, tornando seu software mais compatível com computadores modernos.

O responsável por esse “remake idêntico” é James Petruzzi, desenvolvedor-líder da Bit Kid, que no passado fazia parte da comunidade de Knytt Stories. Depois, ele produziu seu próprio metroidvania, Chasm, e, em breve, seu estúdio lançará o promissor Wolfhound.

Depois de todo esse preâmbulo, vamos conhecer o que realmente vem em Knytt Classic.

Quatro versões que modificam um mesmo jogo

Knytt Classic traz quatro campanhas em um único pacote. Todas elas envolvem o mesmo mapa, com algumas modificações. Vamos ver de uma por uma:

Primeiro, temos Knytt, o jogo original de 2006. Nele, precisamos encontrar as 11 partes da nave. Para isso, exploramos um mundo não linear, dotados apenas da capacidade de escalada. Não há combate, progressão de habilidades ou algo parecido. Nosso único guia é uma bússola, que mostra, por meio de uma linha brilhante, a direção do objetivo mais próximo (faz lembrar do sistema de localização de Shadow of the Colossus).

A questão é como chegar até o tal objetivo da vez. Alguns até são simples de alcançar, enquanto a busca por outros nos leva por voltas e mais voltas. Não há caminho na direção desejada? Tente encontrar uma passagem algumas telas acima ou abaixo. Muitas vezes, vemo-nos sendo desviados para rumos indesejados, o que leva ao dilema de prosseguir por ali para ver onde vai dar ou voltar para tentar outra abordagem.

O estilo de mapeamento, que se repete em todas as versões, é minimalista ao extremo, contando apenas com uma grade formada de quadrado simples para representar cada tela (veja na imagem abaixo). Sem mostrar passagens ou obstáculos, ele serve apenas para nos dar uma noção geral de posição e dos locais já visitados, não oferecendo grande ajuda para traçar rotas.

Honestamente, esse é um ponto que eu gostaria que fosse um pouco mais desenvolvido como ferramenta de navegação. Ao menos ele funciona como referência para sabermos o quanto do mundo já completamos, especialmente para quem quiser corresponder ao desafio opcional de preencher o mapa com todas as salas.

Para temperar as coisas, há passagens secretas não indicadas visualmente, assim como teleportes de viagem para lugares específicos. Também podemos encontrar cheats escondidos, como um que ensina comandos para ativar/desativar um pulo maior. Terminei Knytt em 50 minutos, sem saber da existência do cheat.

Para desbloquear Knytt XH, basta concluir o primeiro modo.

O modo Extra Hard foi feito por Hempuli, desenvolvedor famoso por ter criado o engenhoso puzzler Baba Is You e o metroidvania cult-classic Environmental Station Alpha. A ideia dele é acrescentar perigos ambientais, como espinhos no chão e nas paredes, estrelas vermelhas no ar e os próprios bichinhos que vagam pelos cenários, antes inofensivos, que passam a matar com um toque.

Ele aumenta bastante a dificuldade da exploração, embora seja menos punitivo do que parece à primeira vista. Apenas uma das peças é realmente complicada e me exigiu paciência para perseverar no segmento de plataforma de precisão que conduz até ela. Como essa foi a segunda peça que encontrei, achei que a coisa toda manteria aquele nível de desafio, o que não aconteceu.

Dessa forma, terminei o Extra Hard em uma hora e meia, usando o cheat de pulo alto quando achei conveniente, poupando-me de dar algumas voltas maiores que seriam necessárias caso dependesse do pulo normal.

Veja abaixo um exemplo de como o XH modifica Knytt. Repare nos novos espinhos e em como a passagem larga foi estreitada e camuflada com uma nova parede ilusória.

Para desbloquear Knytt Brutally Unfair, é necessário encontrar um item em Knytt XH. Ele está em uma sala não exatamente escondida, mas fora do caminho das peças e alcançada apenas por meio de teleporte.

O nome deste modo, que significa “brutalmente injusto”, não representa a gameplay, que não é mais difícil que a versão normal. Ele foi lançado em 2011 e recebeu esse título por ter sido feito pela Copenhagen Game Collective, um grupo de desenvolvedores sem fins lucrativos que incluía Nifflas e havia lançado, no ano anterior, o party game BUTTON (Brutally Unfair Tactics Totally OK Now), que se parece com a brincadeira “seu rei mandou”.

A ideia era inserir em Knytt algumas mecânicas de BUTTON, com ordens temporárias surgindo de vez em quando na tela, como “não vá na direção oposta à esquerda” e “jogue com uma mão apenas”.

Agora, o relançamento Knytt Classic deixou essas interferências de fora e manteve apenas as mudanças de cores e de localização das peças da aeronave, servindo mais como uma segunda rodada. Eu não achei mais difícil que o original, mas levei quase meia hora a mais para concluir, um total de 1h15min, pois fiquei um tempo perdido, sem encontrar o rumo para as últimas duas peças.

Para desbloquear Knytt Ultratough é necessário concluir Knytt XH.

Este, sim, merece o nome que tem, pois é dureza mesmo. Os perigos ambientais estão espalhados por toda parte e até bloqueiam caminhos. Isto é, não basta tentar trilhar os mesmos percursos das outras versões. Se você já estava familiarizado com as rotas traçadas, agora a coisa fica desconhecida novamente e eleva o nível de exigência a outro patamar. Certamente, é apenas para os mais persistentes.

Após quinze minutos nele, vi que já estava satisfeito com Knytt Classic e não iria arrancar os cabelos que me restam para verificar cada canto como se fosse a primeira vez, dando voltas por aquele labirinto.

O retorno trazido por Knytt Classic celebra o nicho dos jogos indies que buscam apenas compartilhar suas ideias e paixões com outros jogadores. Com quatro campanhas reinterpretando um mesmo mapa, incluindo duas bem desafiadoras, o pacote aprofunda as facetas de um jogo de plataforma 2D com exploração livre. Não precisa ficar na dúvida sobre ele: basta baixá-lo gratuitamente no Steam ou no GOG e atestar por si mesmo.

A exploração livre e pacata tem uma atmosfera agradável, ao mesmo tempo em que provoca a curiosidade de descobrir caminhos;

Além de ser uma renovação técnica para preservação histórica, permanece gratuito, tal qual era o original;

As três versões de bônus modificam os caminhos de exploração e aumentam bastante a duração da experiência e o desafio.

Falta de melhorias de qualidade de vida;

Análise produzida com cópia digital cedida pela Bit Kid

Esta notícia é um resumo. Os créditos e o conteúdo completo são da fonte original.

Fonte: GameBlast

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