Sempre gosto de destacar a maravilha do cenário indie dos jogos, pois nos brinda com lançamentos singulares que raramente veríamos em grandes estúdios. Future Knight é um exemplo, apresentando uma aventura que é estranhamente estilosa e inventiva, mesmo dentro do já conhecido estilo retrô.
O jogo, que foi criado pelo estúdio espanhol Koba, é uma plataforma de ação que também possui elementos de run and gun, lembrando o clássico Metal Slug. No entanto, a direção de arte é inspirada em Satoshi Kon, o famoso animador e diretor de Perfect Blue e Paprika. Uma mistura inusitada que deu muito certo.
AFuture Knight tem uma narrativa, no mínimo, excêntrica. Estamos no controle de Two More, um tumor benigno literal, vestido com a armadura que dá título ao jogo. Ele precisa viajar no tempo oito horas antes de um apocalipse que foi causado pela Lady from the Past, a líder de uma seita chamada Present, que eliminou o cérebro da humanidade — e lavou suas próprias roupas íntimas nesse mesmo dia, um detalhe importante.
Precisamos vencer os integrantes da Present por meio da bala e da resiliência. A pistola de ataque padrão do Future Knight é fraca, mas suficiente para vencer qualquer um. Por outro lado, a armadura possui resistência necessária para suportar danos maiores, e felizmente ela retorna após alguns segundos se for destruída.
Two Two More também consegue se libertar da armadura, e o baixinho realmente possui um poder de fogo impressionante, eliminando inimigos e drenando a vida dos chefes com velocidade. Contudo, ele é morto com apenas um acerto, e seus disparos são extremamente escassos, sendo necessário que ele sempre retorne ao traje balístico para reabastecer suas energias.
A mecânica do jogo se baseia em alternar entre a armadura e o tumor nos momentos certos. O tamanho reduzido de Two More é ideal para ambientes fechados e para superar barreiras especiais da Presente com seu dash direcional, enquanto o cavaleiro futurista se mostra mais seguro em áreas de plataforma e em situações em que a tela está repleta de perigos.
Os bizarros inimigos são bem diferenciados e estão prontos para nos pegar desprevenidos. Ameaças aéreas, como as de helicóptero de Metal Slug, mulheres prestes a nos arremessar carrinhos de compra, meliantes suicidas que vão contudo em cima da gente, e por aí vai. Não temos um momento sequer de descanso na maioria das ocasiões.
Em Future Knight, os ataques são bem restritos. Ao longo de toda a campanha, as armas e habilidades permanecem as mesmas — apenas um planador, que ganhamos ao finalizar o primeiro mundo. Isso cria um ritmo que pode se tornar um pouco enjoativo, sendo talvez a maior falha que impede que a parte de tiroteio seja mais engajante.
A que ajuda no ar de novidade é a estrutura das fases e alguns elementos que vão aparecendo gradualmente. No começo, o level design é bem reto e focado apenas no tiroteio, enquanto abismos e armadilhas de morte imediata vão aparecendo mais e mais para testar nossa dominância nos controles em momentos posteriores.
Embora a jogabilidade seja sólida, acredito que o principal atrativo de Future Knight esteja em seu visual. Em vez de seguir a tendência dos jogos pixelados de outras homenagens ao estilo retrô, a obra resgata — com várias liberdades — as produções lançadas nos minigames de LCD, como o Game & Watch, as tranqueiras da Tiger Electronics e os clássicos consoles de 9999 em 1 vendidos em camelôs.
Neste caso, a ação acontece em um console de duas telas, fazendo referência ao Game & Watch da Nintendo. A homenagem à tecnologia não apresenta grandes truques; em vez disso, utiliza-se uma estética para "sprites" monocromáticos e fundos que lembram desenhos estáticos em cores simples. Por padrão, há um filtro bastante eficaz para a profundidade da camada "de jogo" e o fundo, projetando uma sombra sob cada elemento móvel de cor preta.
Não existem restrições presentes nesses aparelhos com tecnologia de calculadora, já que a rolagem da tela é suave e a animação de Future Knight é impressionante, extremamente fluida, contribuindo para o aspecto bizarro. Optar pelo preto na criação de todos os personagens e inimigos provavelmente ajuda a reduzir o trabalho necessário para manter a qualidade dos quadros de animação, uma boa decisão de otimização.
Isso traz uma leve desvantagem. Apesar das tentativas de diferenciar cada mundo, a variedade visual é restrita devido à característica das telas LCD fixas. Na maior parte do tempo, percorremos áreas urbanas, atingindo uma cidade inteira com os tiros. Ao menos é viável trocar a borda do videogame virtual usando as moedas coletadas para comprá-la.
Os efeitos sonoros são os que se esperava, e é interessante ouvir alguns gritos e falas com baixa qualidade de amostragem. A trilha é notável por ser quase à capela, bastante peculiar para uma proposta de ação pura. Não é tão marcante melodicamente, mas aprecio a ousadia.
Saí de Future Knight bastante impressionado com a experiência. Embora seja um jogo simples em termos de jogabilidade, é envolvente o suficiente para que sua beleza visual única enriqueça a experiência. Embora pudessem haver diferentes tipos de armas e uma maior variedade de biomas, o que nos foi apresentado é uma aventura singular e divertida.
Estética diferenciada, muito inspirada na tecnologia do Game & Watch e absurdamente bem animada;
Jogabilidade simples e responsiva, trazendo uma dinâmica de dois personagens em um bacana de dominar;
Trilha sonora quase a capela combina com a atmosfera bizarra da aventura.
Não há muita variedade em armas ou habilidades;
O visual das fases pode ficar repetitivo devido a proposta de telas de LCD fixas.
Future Knight — PC/PS5/XSX/Switch — Nota: 8.5
Análise produzida com cópia digital cedida pela Aeternum Game Studios
Future Knight is an impressive experience. While it’s a simple game in terms of gameplay, it’s engaging enough for its unique visual beauty to enrich the experience. Although it could have featured different types of weapons and a greater variety of biomes, what it offers is a unique and enjoyable adventure.


