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Análise: Fading Echo flui como um rio, mesmo com algumas pedras no caminho

Com excelente dublagem e bastante carisma, o título se destaca pelas mecânicas elementais.

Análise: Fading Echo flui como um rio, mesmo com algumas pedras no caminho
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Ao jogar, fui instantaneamente transportado aos jogos AA das gerações seis e sete de videogames. A primeira aventura desenvolvida pelo estúdio Emetria proporciona uma experiência cativante de ação e aventura, com elementos de RPG, me relembrandi a alguns clássicos mais simples dos anos 2000, mas com uma perspectiva contemporânea.

O jogo também trata de um tipo de poder raramente visto na indústria hoje em dia: a água, um elemento essencial para nossa sobrevivência e cheio de possibilidades no meio eletrônico. O título consegue combinar suas ideias de forma eficaz?

Fading Echo narra a trajetória de One, uma jovem escolhida que pode ser a chave para a salvação de Corel, um mundo fragmentado pela Corrupção do Paradoxo. Em essência, a dimensão principal é corrompida, e diversas realidades são geradas a partir dela, todas completamente diferentes, embora ainda baseadas na mesma estrutura.

Quando se encontra em uma dessas dimensões paralelas, One adquire a capacidade de se transformar em uma pequena, mas cheia de potencial, bola de água. Com a orientação de sua mentora e de uma entidade que governa esse universo, ela precisa impedir que a Corrupção destrua todas as realidades. O conceito de realidades paralelas está longe de ser novidade, mas Fading Echo o incorpora à jogabilidade.

A narrativa se torna ainda mais impactante por estar completamente imersa na língua portuguesa, inclusive na dublagem, que conta com grandes nomes do setor, como Carol Valença, Adriana Torres, Flávia Saddy e Guilherme Briggs.

No começo, fiquei surpreso ao ver que um título indie tinha dublagem, mas logo descobri que o jogo foi publicado na América Latina pela CriticalLeap, braço de publicação da Nuuvem — em outros lugares, a New Tales é a responsável pela publicação. É de encher os olhos ver o esforço que o cenário brasileiro está fazendo para que os jogos aconteçam aqui, e espero que isso se torne cada vez mais frequente.

A mistura dos elementos = efeitos adversos

A mecânica central de Fading Echo gira em torno da manipulação de elementos. É possível transformar-se em uma entidade aquática que pode ser impregnada com uma variedade de elementos, como fogo, veneno e corrupção. Basta entrar em um campo que tenha alguma dessas qualidades na forma de água, e a menina poderá utilizar o poder.

No combate, isso permite a combinação de diferentes tipos de elementos, que podem ser tanto benéficos quanto prejudiciais para enfrentar os inimigos. Na sua forma humana, One utiliza um cajado para executar combos de ataques físicos, e tem a capacidade de alternar para sua forma líquida. Por exemplo, ela pode solidificar um golem de fogo ao molhá-lo com seus poderes aquáticos, tornando sua destruição mais fácil.

As lutas exigem que prestemos atenção ao tipo de inimigo que estamos enfrentando, especialmente em situações em que há mais de um deles em campo. Há uma variedade considerável de criaturas para enfrentar, e, caso não queiramos ficar “brincando de química” nos embates, boa parte das arenas conta com abismos para jogar as criaturas.

O combate em si não é tão variado, e isso naturalmente pode deixá-lo repetitivo. Seria interessante se houvesse mais combos — como uma forma de haver ataques aéreos — e maneiras de interagir melhor com o posicionamento dos inimigos.

Contudo, o potencial dessa jogabilidade está na solução de puzzles. Normalmente, eles são simples, bastando levar um artefato do ponto A ao ponto B, mas a forma como isso deve ser feito sempre varia. A forma d’água ganha algumas habilidades de locomoção com um elemento absorvido, o veneno saltando mais algo, e a forma de vapor fazendo One planar.

Alguns quebra-cabeças exigem uma interação ritmada de habilidades elementares para serem concluídos, e ajuda o fato de que One pode carregar orbes com algum elemento em si para usá-lo quando quiser. Um dos usos disso aparece logo no começo, quando precisamos apertar três botões separados numa sala, utilizando o veneno armazenado para nos transformar duas vezes seguidas.

Outro uso criativo dessas trocas está na travessia de realidades, como mencionado antes, ela está presente na jogabilidade em si. Haverá alguns portais à lá Legacy of Kain: Soul Reaver durante o caminho e, ao pisar no círculo central, One irá para outras dimensões. Elas podem ser usadas como métodos de travessia em trajetos intransponíveis ou como uma forma de levar um objeto de um local para o outro.

Os mundos de Fading Echo, embora lineares, são abertos o suficiente para exploração e, por isso, é fácil se perder. Não há indícios de marcadores ou outros métodos para nos guiar, o que, por um lado, torna a experiência imersiva, mas, por outro, aumenta a frequência com que nos perdemos.

Diversas vezes me desviei dos caminhos e voltava, sem perceber, para um local já visitado; muitos ambientes são similares entre si numa mesma área. Quando há mais de duas realidades para interagir numa mesma etapa, o bate-perna perdido é praticamente garantido. Também não ajuda o fato de que os inimigos renascem algum tempo depois, então a navegação exige boa memória para não nos perdermos.

Outro problema que atrapalha alguns puzzles está nos tempos de carregamento. Viajar entre mundos não é imediato e, mesmo estando instalado num SSD, leva alguns segundos para transportar um artefato de uma dimensão para outra. Até mesmo voltar para o altar principal nos leva a uma minitela de carregamento, algo que poderia ser mais otimizado no geral.

Fading Echo também nos apresenta uma árvore de habilidades numa estrutura bem criativa. O HUB central é dividido inicialmente por rotas, e cada mundo é separado em três partes, que são restauradas ao ativar as fontes dos segmentos, liberando o correspondente pedaço na árvore de skills e podendo equipar o que é chamado de Aetherfatos, nos dando mais habilidade

Assim, se o jogador quiser focar mais em status, o caminho da direita, para Oco de Ygdran, é o mais recomendado. Caso prefira força bruta e alguns truques ofensivos adicionais, a rota superior, para Aetherminas, será mais interessante. É possível voltar ao altar principal assim que uma fonte é restaurada, dando para escolher por onde ir com certa liberdade.

Fading Echo tem uma direção de arte bem cartunesca, que remete às animações que ficaram mais populares a partir de Homem-Aranha no Aranhaverso. Ou seja, personagens de proporções exageradas e o uso de efeitos especiais feitos à mão fazem parte do visual, embora o jogo não tenha nada daqueles quadros por segundo travados do exemplo acima.

As limitações de escopo de produção não limitaram Fading Echo de apresentar cutscenes vistosas, misturando o estilo visual do próprio jogo com enquadramentos e efeitos de quadrinhos. A dublagem realiza o trabalho de interpretação muito bem nesses momentos e ajuda a tornar a narrativa mais interessante.

Mesmo quando a tela está caótica de informações, nunca me senti perdido, devido ao bom uso de interface e cores. Como cada elemento precisa de cores vivas para nos indicar o que é necessário para vencê-los, é importante que a legibilidade seja fácil.

E, falando nisso, há toda uma gama de opções de acessibilidade disponíveis em um menu a qualquer momento. É possível alterar o dano recebido e causado, a recuperação de vida, o quão impactante será o efeito elemental nos inimigos, e por aí vai.

Uma aventura simples, mas cativante o suficiente

Fading Echo é uma experiência simples, mas que cativa pela sua personalidade, especialmente pela excelente dublagem em português para os gamers brasileiros. A mecânica de elementos presente em puzzles e combates é divertida, o visual é charmoso e a história, mesmo nada revolucionária, traz conceitos interessantes.

O maior ponto negativo é a forma de navegação pelo mundo, que realmente atrapalha pela falta de indicações em ambientações que podem soar similares demais em certas áreas. Ainda assim, é uma aventura divertida pelo que se propõe.

A mecânica de elementos encaixa muito bem com a jogabilidade, tanto nos combates quanto na solução de puzzles;

Embora simples, os quebra-cabeças são divertidos de solucionar e são o ponto-chave da navegação;

Jeito criativo de contextualizar a árvore de skills, associando-a com a estrutura do mundo;

Dublagem em português de qualidade, trazendo mais carisma aos personagens e à história, que é simples.

A exploração do mundo não é intuitiva o suficiente, tanto pelos ambientes parecidos entre si quanto pela falta de indicadores mais naturais no level design;

Os loadings podem atrapalhar o ritmo de travessia entre mundos;

O combate pode ficar repetitivo com o tempo.

Análise produzida com cópia digital cedida pela New Tales

Fading Echo is a simple but charming adventure, elevated by its excellent Brazilian Portuguese voice acting, fun elemental mechanics, and appealing visuals. While navigation can be frustrating due to repetitive environments and a lack of clear guidance, it's still an enjoyable experience that succeeds in what it sets out to do.

Esta notícia é um resumo. Os créditos e o conteúdo completo são da fonte original.

Fonte: GameBlast

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