Após uma demo que me surpreendeu e aumentou minha ansiedade para experimentar o jogo de plataforma 3D DuskFade, ele finalmente teve seu lançamento completo no dia 13 de agosto. Adianto que os pontos positivos, como sua história, visuais e personagens, continuam bons, mas também percebi alguns tropeços, como um combate que não é tão fluido, algumas decisões narrativas que não deram tão certo, entre outros. Comentarei logo abaixo.
DuskFade nos apresenta um mundo descrito pelos criadores como um universo clockpunk, ou seja, relógios, engrenagens e o próprio tempo são peças fundamentais desse universo. Nessa história, vamos acompanhar o jovem Zirian, que recentemente perdeu o seu querido vozinho. Ele estava indo animar sua irmã mais velha, Allira, que tem tido dificuldade para lidar com a situação.
Quando uma explosão ocorre repetidamente no quarto dela, o protagonista desperta e vê que seu lar, a cidade Ponteiro, está sob uma noite eterna, com uma torre do relógio gigante ocupando o centro do local. Agora, o herói e um Cuco mecânico devem explorar quatro regiões para liberar o acesso à torre e resgatar Allira, mas no caminho vão se deparar com desafios como monstros feitos de tinta e uma misteriosa entidade chamada Agonia.
Como mencionei nas minhas primeiras impressões, esperava que a obra tivesse uma narrativa voltada para questões como a importância do tempo, e minhas expectativas foram superadas. O projeto entrega uma trama competente e trata sobre luto, fraternidade e o valor do tempo, conseguindo, por meio de vários monólogos entre Zirian e Cuco, desenvolver os personagens e mostrar como, mesmo sendo bastante bobo, Zirian está sendo afetado pela situação, o que ajuda a torná-lo carismático.
Sua companheira, a pequena Cuco, mecânica construída por sua irmã, também é divertida de acompanhar, mas ela brilha mesmo nos diálogos em conjunto com o campeão, que são, em sua maioria, engraçados graças à diferença entre as personalidades de ambos, o que os torna uma dupla carismática. Mas as qualidades também se estendem à antagonista principal, Agonia, que possui interações muito boas com os personagens, normalmente roubando a cena nesses momentos. A boa tradução nas legendas em português também auxilia nisso.
No entanto, achei que a parte do enredo que não foca no emocional e no desenvolvimento da carismática dupla, ou seja, a parte que expande o universo, como ao explicar quem são as doze pessoas que formam os relojoeiros, não foi bem apresentada; ela é contada praticamente apenas por diálogos opcionais e ecos, que são colecionáveis que trazem memórias do passado.
O problema é que esses coletáveis estão escondidos atrás de obstáculos que nem todos podem ser acessados tão cedo, o que dificulta entender a história do grupo, e isso se torna um problema, já que ela é importante para vários acontecimentos da narrativa, principalmente na reta final.
O espadachim mais rápido da cidade Ponteiro
Além da campanha competente, a obra apresenta uma jogabilidade simples e bastante intuitiva, que pode ser dividida em dois momentos: os de plataforma 3D e as sessões de combate. Os trechos de plataforma possuem uma gameplay ágil e satisfatória desde o começo da aventura. Zirian já consegue realizar pulos duplos e uma investida no ar, tornando esses trechos mais agitados. Com o passar da jornada, o herói vai aprendendo novas habilidades que vão intensificando esses trechos, como a possibilidade de surfar em trilhos dourados.
A criatividade dos cenários também auxilia a deixar essas sessões divertidas. Temos engrenagens gigantes para pular, flores-trampolim, entre outras loucuras. Tudo isso passa a sensação de estar jogando uma obra de PlayStation 2, como Ratchet and Clank ou Jak and Dexter.
Já os trechos de combate contam com uma gameplay simples e intuitiva. O herói, no começo, só consegue realizar golpes fracos e conta apenas com a esquiva como opção defensiva, então nada das famosas aparadas nesse título.
Meu empecilho nessas sessões foi que, embora pudesse liberar novas sequências de ataques — como uma explosão de energia semelhante a um tiro de escopeta —, senti que as lutas contra os inimigos, principalmente contra chefes, eram um pouco “travadas”. Era difícil criar combos nas oportunidades disponíveis, pois os golpes do personagem não eram tão fluidos. Contra inimigos comuns, às vezes era apenas muito caótico e a trava de mira não ajudava muito.
Esses adversários comuns são até visualmente diferentes e possuem bastante diversidade em seus padrões de ataque, mas isso não ajudou muito quando a jogabilidade nesse sentido não colaborou. Outro fator que me incomodou foi que o Cuco possui talentos ofensivos que são até um pouco caros de desbloquear, mas eles quase não fazem diferença. É difícil sentir que ele é realmente útil em combate.
Agora, sobre os chefes, mencionei nas minhas primeiras impressões que os achei um pouco fáceis; minha visão mudou ao poder enfrentá-los. Alguns são realmente desafiadores, principalmente o último. Mas notei que alguns deles são muito esquecíveis, principalmente visualmente. Eles têm uma aparência muito “comum” para um projeto que consegue entregar muito mais na questão da direção artística.
Sempre há tempo para algumas atividades extras
Como mencionado no começo da análise, durante a campanha, Zirian irá passar por quatro regiões para conseguir acessar a torre. Esses locais são alguns dos pontos mais fortes do projeto, graças à sua direção de arte cartunesca, que faz todos os cenários parecerem desenhos animados.
A diversidade das localidades também ajuda com praias ensolaradas, vulcões em erupção e montanhas nevadas, sendo algumas das catástrofes presentes na ambientação — os cenários me surpreenderam tanto que fiquei triste por não existir um modo foto disponível.
Na demo não existiam tantas opções, mas na versão final algumas novidades foram liberadas. Agora é possível encontrar mais NPCs distintos e caricatos, como um gato feito de nuvens que permite que o personagem troque de roupa e altere a cor delas. Fiquei bastante surpreso com a variedade disponível para cada conjunto e, de bônus, também é possível alterar a cor da espada do herói na Minutendo, por meio de um ferreiro.
No mais, ainda podemos conversar com vários Nuvosos, que são criaturas feitas de nuvens e habitam o assentamento. Os diálogos são sempre cômicos e bem-humorados, o que me arrancou algumas risadas. Também podemos conversar com um vendedor que oferece os já citados golpes novos e algumas habilidades, como os ataques do Cuco.
Contudo, por mais que a cidade seja interessante, principalmente visualmente, o destaque está nas regiões que vamos visitar; cada uma delas possui temática única, variando de vilarejos na encosta de um vulcão, praias paradisíacas e montanhas nevadas, entre muitos outros cenários.
Todos esses locais são deslumbrantes graças à direção artística com gráficos cartunescos que deixam tudo parecendo um desenho animado daqueles bem coloridos. A paleta de cores usada é bem forte, o que rende paisagens que me fizeram ficar alguns minutos parados apenas observando-as.
Além de ficar apreciando as paisagens, os ambientes estão lotados de colecionáveis: temos moedas, tintas, gatinhos, os ecos e peças de melhorias que aumentam a vida ou a barra usada para usar talentos especiais.
Todas essas atividades fazem a exploração ser divertida e recompensadora; também incentivam sempre a voltar a áreas mais antigas, agora com novas habilidades para conseguir coletar recursos que antes eram inacessíveis. Preciso destacar também a trilha sonora, que sempre se faz presente, auxiliando a reforçar as majestosas regiões.
A única coisa que senti falta foi de uma forma mais acessível de conferir quantos coletáveis você já coletou em cada nível. Na situação atual, é preciso sempre ir até os pontos de viagem rápida para conferir. Faltou uma opção para ver isso apenas acessando o menu, por exemplo.
DuskFade é muito mais do que uma obra de plataforma que homenageia grandes títulos do passado; ele consegue entregar uma história competente com bons personagens, exploração e direção artística excelentes, além de ótimos momentos de plataforma 3D.
Mesmo com o combate precisando de um refinamento extra e faltando uma melhoria de qualidade de vida, como uma maneira mais fácil de conferir seu progresso em cada região na coleta de colecionáveis, com certeza isso não ofusca a excelente experiência proporcionada pelo cativante título.
Gráficos cartunescos, charmosos e detalhados que passam uma sensação de estar jogando um desenho animado;
Zirian e Cuco são uma dupla carismática;
A narrativa consegue ser comovente ao tratar de temas como luto, valor do tempo e fraternidade;
A antagonista Agonia é carismática e rouba a cena sempre que aparece;
Legendas em português com excelentes traduções de nomes e diálogos;
Quatro regiões diversas com ambientações únicas e colecionáveis de qualidade para serem encontrados;
Combate simples e intuitivo, tornando-se cada vez mais divertido conforme novos movimentos e inimigos são introduzidos;
O herói possui muitas opções de personalização, podendo alterar as cores da roupa e de sua arma Minutendo, o que permite deixá-lo mais único.
Mesmo o combate sendo divertido, ele ainda precisa de um polimento maior por ser um pouco travado, ficando difícil para fazer combos, e faltam alguns elementos, como uma trava de mira mais competente;
Embora tenham boas lutas, os chefes acabam se tornando esquecíveis devido a alguns visuais que não chamam tanto a atenção e, principalmente, a confrontos que se tornam monótonos;
Embora a trama pessoal do Zirian e sua irmã seja boa, a tentativa da narrativa de expandir o universo com os relojoeiros acaba não dando tão certo, tirando um pouco o peso da trama.
Falta uma opção para conseguir conferir quantos colecionáveis da atividade foram coletados sem precisar ir até o ponto de viagem rápida;
O Cuco, embora possua habilidades voltadas para combate, causa muito pouco dano, o que faz com que não valha a pena aprimorá-las e torna a criatura mecânica inútil em combate.
DuskFade — PS5/XSX/PC/SWITCH 2 — Nota: 8.5
Análise produzida com cópia digital cedida pela Fireshine Games
DuskFade is much more than a platformer that pays homage to great titles of the past; it delivers a solid story with compelling characters, excellent exploration and art direction, and great 3D platforming moments.Even though the combat could use some extra polish and the game lacks certain quality-of-life improvements—such as an easier way to track collectible progress in each region—the experience remains unique.


