À primeira vista, o que atrai o jogador em Case Solved: The London Files (desenvolvido pelos brasileiros da Minimol Games) é, sem dúvida, o seu estilo de arte. A figura clássica do detetive e a direção artística desenhada à mão funcionam como uma vitrine excelente. Como fã de jogos de investigação — e com referências a títulos de peso, como os jogos recentes de Hercule Poirot: The London Case, com personagem criado por Agatha Christie —, decidi dar uma oportunidade ao título, mesmo sabendo que sua proposta mecânica seguia por outro caminho. E a aposta valeu a pena.
Diferente de superproduções de mundo aberto ou longas jornadas que exigem muito foco e dedicação, Case Solved cumpre com maestria o papel de um jogo de sessões curtas. Ele se encaixa perfeitamente na rotina como um passatempo e exercício mental tranquilo, ideal para sentar e relaxar, seja jogando à noite ou no intervalo de alguma atividade. A trilha sonora em jazz, embora pudesse ter uma variedade maior de faixas, embala muito bem o clima cozy noir de uma L0ND0N dos anos 60.
Mecanicamente, o jogo entrega exatamente o que promete: investigações focadas em dedução. Os três casos da campanha principal são todos ambientados em Londres: a morte de um músico em um beco, um incidente envolvendo o mestre relojoeiro do BIGBEN, e a morte surpreendente de uma atriz em palco num teatro, cada um dividido em cinco fases. Partimos de analisar o ambiente e conversar com as testemunhas nas três primeiras fases, e, nas duas últimas, confrontamos as versões dos depoimentos para provar quem cometeu os crimes.
O fluxo começa com uma contextualização do caso, seguido pela exploração de cenários em busca de objetos e por conversas com os personagens envolvidos, para a coleta de pistas — cuja contagem total fica sempre visível no canto superior esquerdo da tela. Com pistas suficientes coletadas, o jogador acessa uma tabela de dedução para cruzar informações sobre quem estava onde, o que fazia e quais itens possuía, ainda que seja possível resolver a investigação sem todas as pistas.
No entanto, por serem somente 3 casos na experiência principal, a curva de dificuldade e a escassez de conteúdo acabam sendo um defeito, deixando um sentimento de que o jogo poderia mais. Contando com apenas três casos, a expectativa inicial era de um desafio consideravelmente maior do primeiro ao último. Na prática, o primeiro caso serve puramente como introdução, o segundo mantém um tom extremamente simples e apenas o terceiro exige um raciocínio lógico mais dedicado, porém, só nas 2 últimas etapas (de 5). Fica a sensação de que o jogo peca por ser simples demais, fazendo com que a campanha principal pareça curta e sirva, no fim das contas, como um grande tutorial.
Felizmente, o título possui mais 42 casos adicionais, que podem ser desbloqueados por meio de códigos secretos espalhados de forma bastante criativa. A caça a esses códigos é uma atividade divertida por si só, exigindo atenção a detalhes nas screenshots da página da Steam, nos créditos do jogo, em elementos dos cenários, em palavras-chave contextuais (como digitar "PUB" ao notar a placa de um bar no primeiro caso) e até mesmo nesta análise.
Nessa segunda camada de conteúdo, a dinâmica é bastante simplificada: o jogo pula a fase de investigação de cenários e conversas, jogando o usuário diretamente para a tabela de dedução lógica. Ironia ou planejamento, esses casos extras oferecem um nível de desafio bem superior aos da campanha principal. Embora percam um pouco do charme visual por abrirem mão dos cenários detalhados, eles se encaixam perfeitamente na proposta de quebra-cabeças rápidos.
Case Solved: The London Files cumpre muito bem o que se propõe a fazer como um passatempo leve, inteligente e descontraído. Contudo, após esgotar os casos principais e os segredos, o fator replay tende a zero, tornando improvável um retorno imediato sem novos conteúdos. Fica o desejo de que o time da M1N1M0L Games, sediada no BRAZIL, expanda o título no futuro, com atualizações e novos casos, aproveitando a excelente base que construiu com esta competente obra.
A arte desenhada à mão cria uma atmosfera charmosa para a Londres do jogo;
É um exercício mental leve e relaxante, sem exigir longas horas seguidas de gameplay;
O sistema de investigação dos casos principais é bem elaborado;
Os 42 casos extras, desbloqueados por códigos espalhados de maneira criativa dentro e fora do jogo, são um detalhe interessante;
O jazz ao fundo das fases complementa muito bem o clima da proposta.
Os dois primeiros casos funcionam quase como tutoriais e são extremamente simples, fazendo com que a campanha pareça fácil demais;
Os 42 casos extras, simplificados sem a etapa de exploração de cenários e conversas com personagens, indo direto para a tabela de dedução, perdem parte do apelo visual do jogo;
Após encerrar a campanha e os casos extras, o incentivo para retornar ao jogo tende a zero.
Case Solved: The London Files — PC, PS5, XSX, Switch, Switch 2, iOS e Android —
Análise produzida com cópia digital cedida pela SpecNext Ltd
Case Solved: The London Files fulfills its purpose very well as a light, intelligent, and relaxed pastime. However, its replay value tends to be zero.