Segundo a lenda, o Avatar é um ser da luz e da paz, que tem a capacidade de dominar as quatro Artes da Dobra, uma para cada elemento: fogo, ar, água e terra. Cada elemento também rege uma nação, onde os habitantes podem ser dotados da capacidade de aprender a dobra do elemento em questão.
Avatar Legends: The Fighting Game usa a mitologia da saga Avatar: A Lenda de Aang — e sua sequência A Lenda de Korra — para colocar os personagens em combates elementais em lugares conhecidos da saga, e ainda cria uma história original para o jogo.
A jogabilidade é sem firula e, se você já experimentou algum dos jogos de luta mais modernos, logo pegará o jeito dos comandos. Temos três botões de ataque (A, B e C) que são a ofensiva básica geral do elenco — claro que cada um com suas propriedades distintas. Pressionar o botão A várias vezes gera um combo automático, que é bastante útil para quem está começando.
O quarto botão desencadeia o estado de Flow. Se usado de forma neutra, faz com que o nosso lutador esquive dos golpes adversários de maneira rápida, mas isso não pode ser usado exaustivamente, pois há uma barra que condiciona seu uso. A única exceção é a Avatar Kyoshi, que inverte as coisas. Seus golpes especiais gastam a barra de Flow, mas ela pode utilizar o estado neutro livremente para se proteger, sem se preocupar em esgotar o medidor.
Após selecionarmos um dos dobradores disponíveis — ou o Sokka, que não perde uma mesmo sem manipular nada, exceto nosso humor —, temos três opções de assistentes para escolher. Alguns deles modificam as propriedades das nossas habilidades, enquanto outros até adicionam novos artifícios para serem utilizados em momentos específicos, como counters ou arremessos aéreos. Mesmo tendo um funcionamento simples, não dá para negar que os comandos são bem fluidos e é gostosa a sensação de emendar sequências variadas de maneira objetiva.
A única coisa que não me agradou referente à jogabilidade foi que alguns dos especiais finais não ganharam uma animação cinematográfica à altura. Para ser sincero, parece que só alguns personagens, como Aang, Korra, Kyoshi e Zaheer, ganharam animações mais detalhadas, com ângulos trabalhados e transições. Os demais simplesmente têm umas imagens em destaque e só.
Quem conhece a lore de Avatar, já sabe que Korra só conheceu Aang depois que ele atingiu a maioridade, então como justificar os dois, jovens, na mesma realidade? A resposta está no modo História, o qual apresenta uma história original, desenvolvida por Michael Dante DiMartino, que envolve um inimigo em comum bagunçando linhas temporais — e é só isso que irei contar do enredo para não estragar a experiência de ninguém.
Ao todo são 27 capítulos e a maioria deles conta com dublagem em inglês e legendas em português. Entretanto, há algumas falhas, que talvez sejam corrigidas em atualizações futuras, mas que precisam ser apontadas. A principal é que parece que faltam animações em certas ocasiões.
Como se não bastassem os dobradores dialogarem sempre em suas poses de luta, como se estivessem engessados, há momentos em que simplesmente parece existir algo invisível na cena. Isso fica claro em duas interações de Toph, a dobradora de terra, que comumente sobe em pedras, mas é vista em cima de “nada” em mais de uma ocasião.
Outra questão que ficou um pouco esquisita é que algumas conversas que envolvem personagens secundários não ganharam dublagem. Apenas a descrição aparece na tela, mas sem nenhuma voz, nem a do lutador que está em cena.
Por fim, a dificuldade tem picos inconsistentes. Nem todas as lutas possuem dois rounds e, enquanto umas parecem tranquilas, até com direito a Perfect, outras são desproporcionalmente tensas. Não chegam a ser impossíveis, mas parece que o jogo decidiu te dar uma lição para você não ficar mal-acostumado.
Além da História, contamos com os padrões Arcade e Versus. O primeiro coloca o lutador escolhido em uma sequência de oito lutas e com algumas interações para justificar o que está acontecendo do ponto de vista individual — que infelizmente não estão dubladas, contando apenas com balões escritos. Novamente, não há um seletor de dificuldade, o que seria bem-vindo tanto para iniciantes quanto veteranos que querem aumentar a dose do desafio.
Agora, se você é um estudioso das “artes combísticas” e quer se tornar o próximo dobrador de porrada, o modo Treino vem recheado de opções. Todos os personagens, sem exceção, vêm com lições de tutorial, alguns deles com recursos de nível Aprendiz e Experiente, para que quem estiver no comando conheça cada particularidade e vantagem disponível.
Após praticar bastante, há os desafios que apresentam sequências mais elaboradas e complexas, para quem quer ir além do combo automático. Se ficar difícil reproduzi-las, é possível assistir à demonstração e ver como realizá-las. Ainda não conseguiu? Então ative a opção de testar os comandos em câmera lenta para fazer a devida assimilação por partes para depois acrescentar ritmo, memória muscular e então concluir a missão. É um modo de treino completo… ou quase.
Retomando o ponto das animações faltando, aqui temos um problema similar. Há alguns erros na apresentação das listas, alguns deles até que bem amadores. Enquanto algumas listas aparecem corretamente numeradas, outras ficam bagunçadas, com numerais fora de ordem ou duplicadas. No caso de Ozai, o problema vai além, sem informação nenhuma. Colocarei os prints dele e de Aang abaixo, para efeito de comparação:
À título de informação, primeiro foi concedido um código beta antes do lançamento oficial de Avatar Legends para que eu iniciasse a análise. Após a data da chegada oficial do game, eu recebi a chave do jogo completo e notar esse tipo de falha na versão “final” faz parecer que o título foi lançado às pressas, sem os devidos retoques finais. Claro que a maioria das coisas que listei acima são corrigíveis com atualizações, mas não deixa de ser um deslize bem feio.
Por fim, foi prometida uma galeria com diversos rascunhos e conceitos nunca antes divulgados, e essa sim cumpre sua parte. São quase 200 arquivos disponíveis de personagens principais, secundários e locais importantes, que podem ser liberados finalizando o modo Arcade ou gastando as moedas ganhas no modo História.
Já as músicas são liberadas apenas concluindo o modo História e dão um show à parte, principalmente para os fãs da obra animada. Diversas delas têm trechos, inspirações e reimaginações das melodias utilizadas em A Lenda de Aang e A Lenda de Korra, e podem ser reproduzidas livremente no menu. Então, quando você cansar de combater inimigos, pode sentar e relaxar ao som das 66 faixas exclusivas do game.
Um jogo com potencial para virar o próximo Avatar
Avatar Legends: The Fighting Game focou em entregar uma jogabilidade sólida e conseguiu com méritos. Entretanto, há algumas falhas em sua apresentação que necessitam de atenção, como as animações e informações ausentes nos diversos modos de jogo. No mais, é um título decente para os fãs dos dobradores elementais e que garantirá uma boa dose de diversão honesta.
A jogabilidade é fácil de assimilar e o sistema de Flow é uma adição interessante que adiciona dinamismo às batalhas;
O modo Treino é excelente, com opções de praticar combos complexos em câmera lenta;
O modo História traz 27 capítulos e narrativa pelo criador da série animada;
A galeria tem diversas imagens e rascunhos exclusivos para os fãs;
A trilha sonora faz uma referência competente aos temas famosos da franquia.
Enquanto alguns especiais têm animações elaboradas, outros são simples demais;
O modo História possui algumas interações sem dublagem e uma aparente ausência de elementos na tela;
Faltam informações nos menus da tela de desafios;
Avatar Legends: The Fighting Game — PC/PS5/Switch — Nota: 7.0
Análise feita com cópia digital cedida pela PM Studio
Avatar Legends: The Fighting Game focused on delivering solid gameplay and succeeded admirably. However, there are some flaws in its presentation that need attention, such as the animations and missing information across the various game modes. Overall, it is a decent title for fans of the elemental benders that guarantees a good dose of honest fun.


