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20 anos depois, Marvel finalmente aborda a maior falha de Guerra Civil

Mais uma vez, os heróis da Terra enfrentam uma enorme divisão ideológica

20 anos depois, Marvel finalmente aborda a maior falha de Guerra Civil
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Quando se trata de crossovers modernos nos quadrinhos, poucas histórias conseguem se equiparar à Guerra Civil da Marvel em termos de impacto e influência. Raramente houve um momento mais emocionante para ver o Homem de Ferro e o Capitão América travarem batalhas icônicas nas páginas dos quadrinhos e o Homem-Aranha ganhar as manchetes internacionais. É possível questionar a execução de Guerra Civil e a forma como certos personagens-chave foram retratados, mas o fator diversão e o apelo central da premissa da série são inegáveis. Não é de se admirar que a Marvel Studios tenha adaptado a série com grande sucesso no filme Capitão América: Guerra Civil, de 2016.

Há apenas um problema na história da obra, tanto em sua versão original quanto na versão do MCU: sua influência no Universo Marvel como um todo acabou se esvaindo. O conflito ideológico sobre o registro de super-humanos foi perdendo força sem nunca ter sido realmente resolvido. Mas, graças a nova série de HQs Vingadores: Armagedom, a Marvel está finalmente corrigindo essa falha 20 anos depois. Guerra Civil é uma história que, sem dúvida, nunca deveria ter acabado e, agora, parece que nunca acabou.

O Grande Pecado de Guerra Civil da Marvel

Guerra Civil certamente tem um argumento de venda forte. A série explora o que acontece quando o público em geral se cansa de ver equipes como os Vingadores agindo sem supervisão governamental. Na sequência de uma enorme tragédia em Stamford, Connecticut, um Homem de Ferro arrependido lidera a campanha pela Lei de Registro de Super-humanos. Contra ele está seu velho amigo, o Capitão América, que acredita que os heróis precisam ter liberdade para agir sem se preocupar com jurisdição ou ter que passar por burocracias. Liberdade pessoal de um lado, e segurança e responsabilidade do outro. Era basicamente o conflito perfeito para o Universo Marvel pós-11 de setembro.

Essa divisão ideológica partiu a comunidade de super-heróis bem no meio, com alguns heróis aderindo à causa pró-registro do Homem de Ferro e outros se unindo à resistência clandestina do Capitão América. E talvez o maior sucesso de Guerra Civil seja o fato de ter permitido que um lado (a Equipe do Homem de Ferro) triunfasse sobre o outro. A Lei de Registro de Super-humanos tornou-se lei no Universo Marvel.

E, como os fãs do MCU bem se lembram, um conflito semelhante ocorreu na Fase 3. A equipe do Homem de Ferro saiu vitoriosa no debate em Capitão América: Guerra Civil, levando a um novo status quo em que o Capitão América e seus aliados se tornaram fugitivos da justiça.

Mas, mais uma vez, o problema com ambas as versões da história é que os efeitos da Guerra Civil acabaram se dissipando. No universo dos quadrinhos, a Marvel explorou as consequências de longo prazo da Guerra Civil em crossovers subsequentes, como World War Hulk, de 2007, e Invasão Secreta, de 2008, com o Homem de Ferro acabando por cair em desgraça e ser substituído no cargo de diretor da S.H.I.E.L.D. por Norman Osborn. No fim, o próprio Osborn foi desmascarado e derrubado, levando o público em geral a aceitar o retorno de uma equipe dos Vingadores mais tradicional, sem registro. Após vários anos de turbulência, o Universo Marvel basicamente voltou à estaca zero.

Da mesma forma, o MCU já não sente mais, de fato, os efeitos de Capitão América: Guerra Civil. Os Acordos de Sokovia foram gradualmente eliminados, e o público em geral parece disposto a aceitar a ideia de heróis agindo à margem da lei (veja Homem-Aranha: Um Novo Dia, de 2026, em que o Homem-Aranha de Tom Holland se tornou o queridinho de Nova York, apesar de ser um estado de vigilância de um homem só). Vimos ecos de Guerra Civil em elementos da trama, como a força-tarefa anti vigilante do prefeito Fisk em Demolidor: Renascido, mas é só isso.

Francamente, nunca fez sentido que o cidadão comum, em qualquer uma das versões do Universo Marvel, simplesmente esquecesse a ideia do registro de super-humanos e seguisse em frente. Será mesmo tão irracional assim que civis comuns esperem um certo grau de transparência e prestação de contas desses super-seres todo-poderosos? O fato de os Vingadores terem salvado o universo de Thanos em Vingadores: Ultimato, de 2019, lhes dá carta branca para sempre? Nunca me pareceu certo que a Marvel simplesmente abandonasse o conceito de registro de super-heróis, tanto nos quadrinhos quanto nos filmes, em vez de tornar o registro uma parte permanente do debate daqui para frente.

Vingadores: Armagedom – A Nova Guerra Civil

Entra em cena Vingadores: Armagedom. Esse crossover surge 20 anos após a estreia da Guerra Civil original e 10 anos após a sequência original, Guerra Civil II. A Marvel não está, na verdade, chamando essa história de “Guerra Civil III”, mas, depois de ler a edição nº 3, eles poderiam muito bem ter usado esse nome. Essa história é, sem dúvida, uma sequência espiritual da Guerra Civil original, e eu sou totalmente a favor disso.

Em Armageddon, os Vingadores mais uma vez se veem divididos entre a responsabilidade de cumprir a lei e o dever de atuar como heróis. A série começa com o Hulk Vermelho e seus soldados movidos a radiação gama invadindo a nação devastada pela guerra de Latveria e declarando-a como a “Nova América”. Os Vingadores e o Quarteto Fantástico, juntamente com o Homem-Aranha, o Wolverine e o ex-Capitão América — que se tornou um herói com poderes divinos —, David Colton, decidem responder ao ataque do Hulk Vermelho, apesar de terem sido expressamente proibidos pelo governo dos EUA. Essa decisão provocou uma reação em cadeia caótica de eventos que ameaça desestabilizar a paz mundial e voltar a colocar a opinião pública contra os Vingadores.

O próprio Colton é o arquiteto por trás de grande parte desse caos, ao se propôr a destruir unilateralmente os arsenais nucleares do mundo. Colton não sente nada além de desprezo pelos Vingadores, argumentando que pessoas com grande poder têm a responsabilidade de usá-lo para tornar o mundo um lugar melhor. Enquanto isso, uma nova onda de ressentimento contra os Vingadores está se formando, com até mesmo o Homem-Aranha questionando se o mundo estaria melhor se os super-heróis fossem submetidos a um maior controle. A série traz uma nova abordagem aos mesmos temas explorados na Guerra Civil original, provando assim que a discussão sobre o registro de super-humanos nunca desapareceu de vez.

À medida que a série chega ao seu clímax nas edições nº 4 e 5, veremos um verdadeiro cenário apocalíptico se desenrolar. Colton já provocou uma possível guerra nuclear ao não conseguir eliminar todas as armas nucleares existentes. Agora, o Hulk Vermelho aliou-se à Guarda de Inverno da Rússia, enquanto a recém-reestruturada S.H.I.E.L.D. se posicionou contra os Vingadores e passou a se chamar “Inteligência Humana Estratégica, Execução e Defesa Logística”. Uma guerra mundial está se formando, e os Vingadores são, em parte, os culpados.

É emocionante ver uma série finalmente pegar o bastão de Guerra Civil e levá-lo adiante novamente. Finalmente, o conceito de responsabilidade dos super-heróis está mais uma vez em destaque no Universo Marvel. Não exatamente da mesma forma que Guerra Civil apresentou, mas de uma maneira que se baseia nesse conflito e prova que os temas e ideias da história original ainda ressoam fortemente, mesmo 20 anos depois.

Esta notícia é um resumo. Os créditos e o conteúdo completo são da fonte original.

Fonte: IGN Brasil

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